quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Inimigo invisível



Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Ao consultarmos o Evangelho Segundo o Espiritismo em seu capítulo XII (Amai os vossos inimigos), item 5, encontraremos o tópico – Os inimigos desencarnados – trecho em que nos são apresentadas algumas razões para que aprendamos a amar os nossos inimigos, citado pelo evangelista Mateus em seu capítulo 5-43:47. Assim ensinou Jesus:
“Aprendestes que foi dito: "Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos." Eu, porém, vos digo: "Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. - Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?"
Analisando a proposta do mestre no ensinamento acima, verificamos o quanto temos que aprender em relação aos nossos sentimentos e às Leis Divinas. Jesus inicia fazendo alusão ao que era ensinado em sua época, que era a lei de Talião, o “olho por olho, dente por dente” e depois ensina que Deus é bom para com todos.
Segundo os historiadores a pena de Talião tem sua origem no Código de Hamurabi, datado de 1.700 a.C., na antiga Mesopotâmia. Tinha como princípio impedir que as pessoas fizessem justiça pelas próprias mãos, e assim, cometessem excessos. Um exemplo de como funcionava este código é o que vemos em seu Art 25:
Art. 25 § 227 - "Se um construtor edificou uma casa para um Awilum, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse construtor será morto".
Contudo, Jesus veio ensinar a Lei maior, que é a Lei de AMOR. Que devemos aprender a perdoar aqueles que nos prejudicam. Que devemos fazer o bem e orar por aqueles que nos odeiam. Mas qual seria o sentido destas palavras? Como compreender este ensinamento à luz da Doutrina Espírita?
Primeiramente é importante sabermos que ao dizer para amar os nossos inimigos, isto não significa que teremos por eles o mesmo sentimento que temos pelos nossos amigos. Seria muita hipocrisia acreditarmos que devotaríamos sentimentos fraternos as pessoas que nos fizeram mal. Pela própria lei de afinidades é muito natural que venhamos a repelir quem nos prejudica.
Todavia, é justamente neste sentido que vem a proposta de Jesus. Ele ensina que devemos trabalhar nossos sentimentos para que não venhamos recorrer em erros e ficarmos presos (ligados) aos nossos algozes e isso só se consegue com o esquecimento das ofensas, o perdão que emana do coração.
Sabemos que ao deixarmos o corpo físico pelo fenômeno da morte, continuaremos a existir em outra dimensão e seremos o que sempre fomos. Ninguém vira “anjo” ou “demônio” após o desencarne. Se fomos, enquanto encarnados, pessoas boas, honestas, com princípios morais, continuaremos com estes princípios do outro lado da vida. Mas se fomos pessoas más, do tipo que gostava de levar vantagem em tudo sem se preocupar com o próximo ou sem termos os princípios éticos/morais sedimentados em nossa estrutura psicoespiritual, continuaremos assim quando da falência dos órgãos físicos.
Agora, desencarnada, esta pessoa passa a gozar da vantagem de estar oculta aos nossos olhos materiais e poder influenciar a vida daqueles que ela não gostava, agindo telepaticamente ou até mesmo fisicamente contra as pessoas que ela julgava serem seus inimigos. Passa a ser o nosso inimigo invisível.
Inicia-se, desta forma, os processos obsessivos que vão das mais simples influências até as mais elaboradas subjugações, demorando, muitas vezes, séculos para nos livrarmos, ou melhor, reconciliarmos com esses obsessores. Sim, a única maneira de nos vermos livres dos obsessores é nos reconciliando com eles, é da Lei.
“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil” Jesus – Mateus 5-25:26
Este processo obsessivo pode acontecer por coisas muito pequenas, como uma discussão no trânsito, um mal entendido no local de trabalho, um desentendimento familiar, o tão famoso melindre, etc. Jesus há dois mil anos vem nos convidando a trabalharmos os sentimentos para que possamos aprender a perdoar e evitarmos atrasos em nossa evolução espiritual. Sua vida foi o maior exemplo que nos deixou ao ser cruelmente torturado e ainda assim perdoar a todos.
Busque a reflexão interior sobre como estás agindo ou reagindo no mundo. Como me sinto diante das adversidades ou daqueles que desejam me prejudicar? O que estou fazendo para melhorar interiormente? Medite profundamente sobre a sua verdadeira natureza.  Paz e Luz

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