terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


O Livro dos Espíritos

Parte Primeira – As Causas Primárias

Capítulo 1 – Deus

Deus e o infinito – Provas da existência de Deus – Atributos da Divindade – Panteísmo



Deus e o infinito

1 O que é Deus?
– Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.1
2 O que devemos entender por infinito?
– O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.
3 Poderíamos dizer que Deus é infinito?
– Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.
 Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é infinito é tomar o atributo2 de uma coisa por ela própria, é definir uma coisa que não é conhecida por uma outra igualmente desconhecida.

Provas da existência de Deus

4 Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?
– Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá.
 Para acreditar em Deus, basta ao homem lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pôde fazer alguma coisa.
5 Que conclusão podemos tirar do sentimento intuitivo que todos os homens trazem em si mesmos da existência de Deus?
– A de que Deus existe; de onde lhes viria esse sentimento se repousasse sobre o nada? É ainda uma conseqüência do princípio de que não há efeito sem causa.
6 O sentimento íntimo que temos em nós da existência de Deus não seria o efeito da educação e das idéias adquiridas?
– Se fosse assim, por que vossos selvagens teriam também esse sentimento?
 Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse o produto de um ensinamento, não seria universal. Somente existiria naqueles que tivessem recebido esse ensinamento, como acontece com os conhecimentos científicos.
7 Poderemos encontrar a causa primária da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?
– Mas, então, qual teria sido a causa dessas propriedades? Sempre é preciso uma causa primária.
 Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porque essas propriedades são elas mesmas um efeito que deve ter uma causa.
8 O que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma combinação acidental e imprevista da matéria, ou seja, ao acaso?
– Outro absurdo! Que homem de bom senso pode conceber o acaso como um ser inteligente? E, além de tudo, o que é o acaso? Nada.
 A harmonia que regula as atividades do universo revela combinações e objetivos determinados e, por isso mesmo, um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria um contra-senso, porque o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente não seria mais um acaso.
9 Onde é que se vê na causa primária a manifestação de uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
– Tendes um provérbio que diz: “Pela obra reconhece-se o autor.” Pois bem: olhai a obra e procurai o autor. É o orgulho que causa a incredulidade. O homem orgulhoso não admite nada acima dele; é por isso que se julga um espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!
 Julga-se o poder de uma inteligência por suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a natureza produz, a causa primária é, portanto, uma inteligência superior à humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios realizados pela inteligência humana, essa inteligência tem ela mesma uma causa e, quanto mais grandioso foro que ela realize, maior deve ser a causa primária. É essa inteligência superior que é a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome que o homem lhe queira dar.

Atributos da Divindade

10 O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?
– Não, falta-lhe, para isso, um sentido.
11 Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?
– Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.
 A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento compreende melhor o fundo das coisas e ele faz uma idéia de Deus mais justa e mais conforme ao seu entendimento, embora sempre incompleta.
12 Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?
– Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.
13 Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?
– Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente e que a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não tem condições de explicar. A razão vos diz, de fato, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos, ou que não fosse de um grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Ele não pode estar sujeito a qualquer instabilidade e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação possa conceber.
 Deus é eterno. Se Ele tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.
É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade.
É imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria; de outro modo não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.
É único; se houvesse vários deuses, não haveria unidade de desígnios, nem unidade de poder na ordenação do universo.
É todo-poderoso, porque é único. Se não tivesse o soberano poder, haveria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto Ele; não teria feito todas as coisas e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.
É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das Leis Divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e essa sabedoria não permite duvidar de sua justiça nem de sua bondade.

Panteísmo

14 Deus é um ser distinto, ou seria, segundo a opinião de alguns, resultante de todas as forças e de todas as inteligências do universo reunidas?
– Se fosse assim, Deus não existiria, porque seria o efeito e não a causa; Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.
Deus existe, não podeis duvidar disso, é o essencial. Crede em mim, não deveis ir além, não vos percais num labirinto de onde não podereis sair, isso não vos tornaria melhores, mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber e na realidade não saberíeis nada. Deixai de lado todos esses sistemas; tendes muitas coisas que vos tocam mais diretamente, a começar por vós mesmos. Estudai vossas próprias imperfeições a fim de vos desembaraçar delas, isso vos será mais útil do que querer penetrar no que é impenetrável.
15 O que pensar da opinião de que todos os corpos da natureza, todos os seres, todos os globos do universo, seriam parte da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a própria Divindade, ou seja, o que pensar da doutrina panteísta?
– O homem, não podendo se fazer Deus, quer pelo menos ser uma parte d’Ele.
16 Aqueles que acreditam nessa doutrina pretendem nela encontrar a demonstração de alguns atributos de Deus. Sendo os mundos infinitos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio ou o nada em nenhuma parte, Deus está, portanto, em toda parte; Deus, estando por toda parte, uma vez que tudo é parte integrante de Deus, dá a todos os fenômenos da natureza uma razão de ser inteligente. O que se pode opor a esse raciocínio?
– A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer o absurdo disso.
 Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de uma inteligência suprema, seria em tamanho grande o que nós somos em tamanho pequeno. Uma vez que a matéria se transforma sem parar, se assim for, Deus não teria nenhuma estabilidade, estaria sujeito a todas as mudanças e variações, a todas as necessidades da humanidade, e lhe faltaria um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se pode imaginar que são as mesmas as propriedades da matéria e a essência de Deus, sem O rebaixar na nossa concepção. Todas as sutilezas do sofisma3 não conseguirão resolver o problema na sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que Deus é, mas sabemos o que não pode deixar de ser, e a teoria do panteísmo está em contradição com suas propriedades mais essenciais; ela confunde o criador com a criatura, exatamente como se afirmasse categoricamente que uma máquina engenhosa fosse parte integrante do mecânico que a concebeu.
A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor em seu quadro, mas as obras de Deus não são o próprio Deus, assim como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.



  1. O texto colocado após o travessão na seqüência das perguntas é a resposta que os Espíritos deram. O sinal  indica que é um comentário de Kardec às respostas dos Espíritos (N. E.).
  2. Atributo: qualidade de um ser, aquilo que lhe é próprio. Neste caso, ser infinito é uma das qualidades de Deus entre todas as demais, mas não é só isso, ou não é o bastante para O concebermos (N. E.).
  3. Sofisma: argumento falso, enganoso, feito de propósito para induzir ao erro (N. E.).


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Treinamento e destino

Que o destino pode ser tratado, não há dúvida. E com palavras resumidas, ser-nos-á possível encontrar a chave de semelhante providência nos exemplos simples da vida.

No processo curativo, o campo doente para mostrar-se recuperado solicita a renovação das células.

Na higiene, o foco enfermiço deve ser extinto em auxílio à saúde geral.

Na área das construções, esse ou aquele trecho comprometido reclama completo refazimento.

Em agricultura, o escalracho será erradicado para que a lavoura nobre venha a surgir.

Igualmente na vida êxito e melhoria nascem de comportamento e rumo, tanto quanto rumo e comportamento para o bem e para a felicidade dependem de nossos pensamentos.

Pensamentos positivos em matéria de consciência tranquila, limpeza de intenções, reajuste de maneiras e supressão de hábitos inferiores são suportes indispensáveis para a edificação de vida melhor.

Pense e fará o que pensa.
Faça e você será aquilo que faz.

Pagina extraída da obra: Busca e Acharás - pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz - Psicografia de Chico Xavier.

domingo, 7 de outubro de 2012

O maior brasileiro de todos

Por - Joilson José  Gonçalves Mendes















Vejam só, agora é que as mentes desocupadas vão jogar mais lenha na fogueira. Chico Xavier, em uma competição organizada pelo SBT foi eleito, no dia 3 Out 12, o maior brasileiro de todos os tempos. E sabemos que Chico é mais do que merecedor desta honraria. Se bem que, considerando o grau de evolução deste espírito, imagino que ele pouco importa com este tipo de coisa. Na verdade quem necessita destes ornamentos egoicos somos nós, seres imperfeitos e apegados às coisas da matéria com muito a evoluir.
O que chama atenção é a data, 03 de outubro, data de comemoração do nascimento de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, como sabemos o codificador do espiritismo.
Se antes já tinha gente criando polêmica de que Chico era a reencarnação de Kardec, imagina agora!
Sendo espírita eu não acredito em coincidências, mas acredito em manipulação. Se foi intencional ou não, não nos cabe o julgamento, apenas a observação e uma análise racional.
O importante, para nós, é a justíssima homenagem feita ao Chico que sempre vivenciou os ensinamentos de Jesus em atos, palavras e com certeza no campo mental também.
Nascido em 2 de abril de 1910, na pequena cidade de Pedro Leopoldo, MG, foi o mais importante divulgador da Doutrina Espírita no Brasil. De família humilde, era filho de João Xavier, vendedor de bilhetes de loteria, e de Maria João de Deus, dona de casa.
A mediunidade manifestou quando ainda era criança, com apenas 4 anos de idade. Chico respondeu ao pai sobre ciências, durante uma conversa com uma senhora sobre gravidez. Ele dizia ouvir e conversar com espíritos.
Sua mãe faleceu quando Chico contava com 5 anos de idade e julgando incapaz de cuidar e criar os filhos, seu pai distribuiu os nove filhos entre os parentes. Chico foi criado por 2 anos pela sua madrinha que muito o maltratava, mas logo desencarnou. Seu pai casou-se novamente e sua nova esposa exigiu a união dos filhos.
A cronologia das obras publicadas é a seguinte:

Ano
Obra
Autor espiritual
Editora
Notas
Vários autores
Primeira obra publicada
Crônicas de Além-Túmulo
FEB
Primeira obra pelo espírito Humberto de Campos
FEB
Primeiro obra pelo espírito Emmanuel
1938
Humberto de Campos
FEB
Tiragem de 202.000 exemplares
1939
Emmanuel
FEB
Tiragem de 263.000 exemplares
Emmanuel
FEB
Tiragem de 435.000 exemplares
Emmanuel
FEB
Tiragem de 317.000 exemplares
O Consolador
Emmanuel
FEB
Tiragem de 218.000 exemplares
Emmanuel
FEB
Tiragem de 420.000 exemplares
1942
Renúncia
Emmanuel
FEB
Tiragem de 311.000 exemplares
FEB
"Tiragem de 420.000 exemplares"
1944
André Luiz
FEB
Livro mais vendido e traduzido para outras línguas
André Luiz
FEB
Tiragem de 440.000 exemplares
1945
FEB
Primeira obra pelo espírito Irmão X, pseudônimo do espírito Humberto de Campos
André Luiz
FEB
Tiragem de 290.000 exemplares
Volta Bocage
FEB
Livro psicografado com autoria atribuída ao poeta português, Bocage
André Luiz
FEB
Tiragem de 280.000 exemplares
1948
Agenda Cristã
André Luiz
FEB
Tiragem de 470.000 exemplares
Voltei
FEB
Tiragem de 204.000 exemplares
1949
Caminho, Verdade e Vida
Emmanuel
FEB
Tiragem de 216.000 exemplares
1949
Libertação
André Luiz
FEB
Tiragem de 275.000 exemplares
Jesus no Lar
FEB
Tiragem de 290.000 exemplares
1950
Pão Nosso
Emmanuel
FEB
Tiragem de 262.000 exemplares
Vinha de Luz
Emmanuel
FEB
Tiragem de 215.000 exemplares
1952
Roteiro
Emmanuel
FEB
Ave, Cristo!
Emmanuel
FEB
Tiragem de 210.000 exemplares
Entre a Terra e o Céu
André Luiz
FEB
Tiragem de 260.000 exemplares
Nos Domínios da Mediunidade
André Luiz
FEB
Tiragem de 313.000 exemplares
Fonte Viva
Emmanuel
FEB
Tiragem de 248.000 exemplares
Ação e Reação
André Luiz
FEB
Tiragem de 255.000 exemplares
Pensamento e Vida
Emmanuel
FEB
Evolução em Dois Mundos
André Luiz
FEB
"Tiragem de 216.000 exemplares"
Mecanismos da Mediunidade
André Luiz
FEB
Primeira obra em parceria com o médium Waldo Vieira
1960
Religião dos Espíritos
Emmanuel
FEB
O Espírito da Verdade
diversos espíritos
FEB
Sexo e Destino
André Luiz
FEB
Tiragem de 262.000 exemplares
E a Vida Continua…
André Luiz
FEB
Tiragem de 314.000 exemplares
Vida e Sexo
Emmanuel
FEB
Tiragem de 240.000 exemplares
Sinal Verde
André Luiz
Comunhão Espírita
Cristã (CEC)
Tiragem de 473.500 exemplares
Companheiro
Emmanuel
Instituto de Difusão
Espírita (IDE)
Tiragem de 223.000 exemplares
Retratos da Vida
IDE/CEC
Mediunidade e Sintonia
Emmanuel
CEU
Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios
GER
Escada de Luz
diversos espíritos
CEU
Última obra publicada


Curiosidades

• Sempre usava óculos escuros porque sofria de um tipo de catarata que não tinha cura.
• Aos 4 anos, Chico Xavier dizia que via espíritos. O pai pensou que o menino estava com o “demônio no corpo”.
• O primeiro livro de Chico Xavier tinha 259 poesias ditadas por 56 poetas mortos, entre eles Olavo Bilac e Castro Alves.
• Durante sua vida, Chico Xavier nunca ganhou dinheiro como médium. Trabalhou como operário e foi até datilógrafo.
• Emmanuel, o mentor espiritual de Chico Xavier, já teria vivido como um senador romano, um escravo e até mesmo um padre.
• A estreia do filme Chico Xavier ocorreu no mesmo dia em que o médium completaria 100 anos se estivesse vivo.
• Mesmo com problemas de saúde, como hérnia de disco e angina, Chico Xavier cumpriu sua missão espírita por toda a vida.
• Viajou para os Estados Unidos, em 1965, com intuito de divulgar o espiritismo no exterior.
• Tinha uma única vaidade: usava peruca para esconder sua calvície.
• Chico Xavier psicografou cerca de 10 mil cartas de desencarnados durante toda sua vida.

Fontes:
1 - SBT