quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A necessidade das comemorações festivas


Por - Gilberto L Tomasi

 Deus em sua grandiosidade dotou o homem de inteligência suficiente para que ele pudesse encontrar uma fórmula de fazer a transposição de datas, ou seja, contar o tempo. Logo, o ano foi definido pelo tempo gasto pela terra numa translação em torno do sol. Assim, após o término dessa translação, podemos afirmar que alguém, ou algo, completou mais um ano, portanto, está fazendo aniversário.
 Em se tratando de pessoas, é comum, e diga-se, agradável, comemorar-se esta data. Recebem-se felicitações, presentes, organizam-se festas, reúnem-se os parentes, amigos, como se aquele dia fosse o mais importante da nossa existência, pelo simples fato de termos recebido a “graça” divina de estarmos vivos por mais esse período, ou por estarmos comemorando algo que nos agrada.
 É muito gratificante essa comemoração, haja vista que isso de certa forma aproxima as pessoas e, também pelo fato de sabermos que às vezes são as pequenas coisas que fazem a diferença. Sem esquecer que essas situações festivas fazem parte das necessidades do espírito no mundo em que vivemos, portanto, é algo perfeitamente normal e ainda necessário.
 As comemorações terrenas do tempo de vida por exemplo, começam logo que o óvulo é fecundado no organismo materno, quando então inicia-se a reencarnação do espírito. Primeiramente comemora-se e festeja-se a gravidez.
 E o futuro corpo humano, com seu tempo de vida já delineado, vai formando-se átomo por átomo, molécula por molécula, e o espírito vai ligando-se também a esses átomos e moléculas, até o dia em que completa a reencarnação com o nascimento. A partir daí começa-se a comemorar as datas do tempo terreno, como o reencarne e algumas datas consideradas como dogmas de algumas filosofias religiosas, o que não é o caso da doutrina espírita, como o batizado, a crisma, a primeira comunhão, o casamento etc.
 O espiritismo não questiona nem condena tais acontecimentos, pois entende que é o livre-arbítrio de cada um, que nada mais é do que o comando de vida que Deus nos concedeu que decide o que deve ou não ser feito ou comemorado. O que se questiona, no entanto, é a comemoração pela existência apenas uma vez ao ano ou pelas datas oportunas, quando sabemos que o espírito não faz aniversário e, que outras datas são apenas convenções humanas, até porque não sabemos quando fomos criados e que temos a eternidade pela frente.
 Deveríamos também, juntamente com a comemoração da passagem do tempo do corpo físico, que é anual, agradecer ao alto e à espiritualidade maior todos os dias, pelas oportunidades de mudanças de hábitos e conceitos que nos são oferecidas diariamente, tão necessárias à nossa reforma íntima.
 Devemos, sim, comemorar a nossa encarnação, agradecendo pela oportunidade da volta, quando temos condições de reavaliar nossa conduta, reparando erros passados. Comemoremos todos os dias nossa infância, nossa adolescência, nossa idade madura e principalmente nossa velhice, que é mais difícil de ser administrada, não só por problemas de ordem social ou de saúde, mas também por causa do desgaste próprio das coisas materiais, nosso envoltório físico.
 Devemos comemorar cada uma dessas fases, entendendo que elas têm um papel fundamental nesse processo de idade cronológica do corpo físico, e principalmente na evolução do espírito. Na infância o espírito se apresenta na fase infantil, revestido da pureza e da inocência, esqueceu o que praticou no passado e está em condições de ser novamente moldado.
 A adolescência é o período em que o espírito reencarnado começa a dar os primeiros passos sozinho e, mesmo sob vigilância e guarda dos pais já goza de um pouco de liberdade.  Na idade madura, o espírito se revela tal qual ele é, com as modificações que lhe foram impostas pela educação, pela instrução, pelo meio em que se reencarnou e pelo aprendizado recebido na infância e na adolescência, goza de inteira liberdade e é plenamente responsável por seus atos.  A velhice é a fase mais gloriosa da vida. Ao relembrar o passado distante, vemos que vão longe os trabalhos e as canseiras e estamos próximos do dia da alforria. Sem esquecer que o espírito não envelhece, torna-se experiente.
 Talvez, o mais correto seria vivenciarmos intensamente todos os nossos dias, como se eles fossem o primeiro ou o último dia das nossas vidas. O primeiro, por não sabermos como e quando seriam os demais. O último, por já termos vivido toda uma vida, e experimentarmos novamente de uma vez só os melhores momentos. Portanto, comemorar as conquistas e vitórias diárias obtidas pelo espírito nesta encarnação, mesmo que pequenas, talvez nos dê a certeza que elas são tão ou mais importantes que a comemoração anual do aniversário do corpo físico ou das situações por nós vivenciadas em qualquer circunstância.

FONTE:
Texto elaborado, tendo por base tópicos do livro Espiritismo Aplicado (Elizeu Rigonati)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A felicidade não é deste mundo

Por – Joilson José Gonçalves Mendes

“A felicidade não é deste mundo”. Ao lermos esta frase que consta da mensagem de François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot (Paris 1863), do Cap V, item 20, de o Evangelho segundo o Espiritismo, nossa memória nos remete a este outro ensinamento deixado por Jesus: "No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16.33). Mas como entender estes ensinamentos à luz da Doutrina Espírita? O que podemos fazer para termos uma vida menos sofrida? É possível sermos felizes?
Sempre ouvimos, ou até mesmo já pronunciamos a frase de que a Doutrina Espírita é a doutrina esclarecedora e consoladora dos espíritos. Contudo, poucas pessoas parecem assimilar este adágio popular. A Doutrina Espírita, por intermédio dos diversos livros publicados, mais especificamente nas obras básicas de Allan Kardec, trás uma gama de informação sobre as Leis Universais, sobre a evolução do ser humano, do planeta etc.
Muitas são as pessoas que se dedicam ao estudo destas obras, se aprofundam buscando sempre mais informação do mundo espiritual. Conhecem detalhadamente o Livros dos Espíritos e o Evangelho Segundo o Espiritismo que são, em minha opinião, as obras mais consultadas e estudadas, porém, a impressão que muitos destes “estudiosos” nos passam é de que o aprendizado fica apenas no campo mental/intelectual, pouquíssimas são as pessoas que trazem estes conhecimentos para o seu dia-a-dia, para a vida prática e quando as tribulações da existência os alcançam, desmoronam feito castelos de areia.
Sabemos que vivemos em um planeta de provas e expiações, e o que significa isso? Significa que saímos de um mundo primitivo e conquistamos o direito de viver em um mundo melhor. Todavia, temos que ter em mente que, um planeta de provas e expiações é apenas o segundo em uma escala evolutiva de cinco categorias, segundo ensina Allan Kardec.
Neste tipo de planeta o mal ainda prevalece sobre o bem, é uma verdadeira escola onde temos que aprender a lapidar a pedra bruta que ainda somos. E por isso é perfeitamente natural vermos tanto sofrimento, tanta miséria material e principalmente a miséria moral. "No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16.33).
Entretanto, não podemos pensar que estamos abandonados à nossa própria sorte. Em sua misericórdia divina, Deus, nos envia constantemente, seres iluminados para auxiliar em nosso progresso. À medida que vamos melhorando, cada vez mais informações chegam do plano espiritual e foi assim que a Doutrina Espírita chegou até nós, devido ao avanço que fizemos. Mas como ainda estamos arraigados nos velhos ensinamentos, fica difícil para algumas pessoas compreenderem as lições trazidas pelos espíritos.
Sabemos que a Terra está em processo de transformação para um mundo de regeneração. Nesta escala evolutiva o bem prevalece sobre o mal e para que tenhamos condições de habitar a Terra regenerada temos que fazer por merecê-la.   "Bem- Aventurados os Mansos, (Brandos) porque eles possuirão a Terra." (Mateus, 5:5).
Ao compreendermos a lei de causa e efeito, por exemplo, devemos passar a agir em consonância com esta lei, que é universal. Sabendo que hoje somos fruto do ontem, é importantíssimo que comecemos a trabalhar para que, no futuro, venhamos a ser merecedores de uma existência menos sofrida.
A lei de causa e efeito ou ação e reação nos ensina que se hoje passamos por momentos difíceis é porque prejudicamos outras pessoas em uma vida pregressa, as fizemos sofrer, roubamos matamos, etc, transgredimos a lei maior e agora chegou o momento do resgate. Não necessariamente estejamos resgatando os débitos da última vida, mas talvez de umas cinco ou seis existências antes dessa.
O importante é compreendermos quais as razões do sofrimento, mesmo que seja de maneira genérica; se sofro é por que causei sofrimento e procurarmos melhorar, exercitando o perdão, a tolerância e a humildade; lutando quando for necessário ou nos resignando diante da vontade Divina, mas sempre com fé, perseverança e confiança de que nada acontece por acaso e, termos sempre em mente, que somos os construtores do nosso destino.
Para que possamos compreender em sua profundidade e pureza dos ensinamentos trazidos é inadiável que nos empenhemos em um trabalho de autoconhecimento, não foi sem razão que Sócrates, muito antes de Jesus, já concitava seus discípulos a este trabalho interior que em poucas palavras consiste em andarmos pelos caminhos retos.
Para respondermos a última questão proposta, sim, é possível sermos felizes mesmo em um planeta de provas e expiações, obviamente teremos uma felicidade relativa, pois que: Como ser plenamente feliz, se ao olharmos para o lado sempre vemos pessoas necessitadas?
Assim, a relatividade de nossa felicidade é diretamente proporcional à medida que façamos o outro feliz, este é o segredo que Francisco de Assis a mais de 700 anos anunciou em sua belíssima oração:
“É dando que se recebe”
“É perdoando que se é perdoado”

Paz e Luz a todos os corações aflitos.....

sábado, 8 de outubro de 2011

Espiritismo e Maçonaria


Por - Gilberto L Tomasi
  Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, em brilhante palestra, feita na Loja Maçônica Caldas Junior de Porto Alegre, a convite da Grande Loja Maçônica do Rio Grande do Sul no dia 09 de Novembro de 2006, com a presença dos Grão-Mestres da Grande Loja do Rio Grande do Sul, Grande Oriente do Rio Grande do Sul e da Maçonaria Unida do Rio Grande do Sul, faz uma profunda análise sobre os ideais da Maçonaria com ênfase às suas origens remotas na Babilônia, na Mesopotâmia, com seus rituais de iniciação realizados ao ar livre, nas margens do mar morto.
  Apresenta o famoso discurso de Voltaire na sociedade em que recebeu o grau 33 da ordem maçônica, com seu eloqüente testemunho do amor a Deus. Define as palavras maçom e maçonaria, apresentando vultos eminentes que se fizeram adeptos dessa Ordem em todas as épocas da história, principalmente no período das lutas pela independência do Brasil.
  Faz um paralelo com a Doutrina Espírita, salientando os pontos em comum de ambas as filosofias e traçando seus iluminados objetivos que anelam prezam pela dignificação humana. Divaldo reporta-se a alguns pontos básicos da maçonaria como a crença em Deus, a imortalidade da alma e, no seu cerne de solidariedade, o amor, a caridade, tal qual a Doutrina Espírita, que vem abrindo campo imenso à investigação nas questões do espírito, que sendo esta uma ciência de pesquisa, busca igualmente decifrar o enigma do existir. “caminhando ao lado da maçonaria, porquanto apóia os seus postulados e entende, na sua simbologia, o milagre dos acontecimentos disfarçados de mistérios, desde os tempos da idade média, preparando o ser humano para os grandes vôos do infinito”, como assim se referiu. Em uma bela citação, Divaldo destacou dois grandes espíritas maçons, Camille Flammarion e Leon Dennis, este, maçom emérito, grau 33, que afirmava ser a maçonaria um dos belos caminhos para a dignificação da criatura humana e o seu encontro com a plenitude Divina.
  Reina até hoje no movimento espírita uma séria dúvida em saber se Allan Kardec, codificador da Doutrina, teria ou não sido maçom, muito embora use em suas obras termos maçons, como “arquiteto” para se referenciar a Deus, pedra angular, prumo, etc. Não que isto tenha importância para esta ou aquela filosofia, mas permitiria conhecer melhor a opinião de Kardec sobre a instituição maçônica. André Morel, conceituado biógrafo de Kardec, parece inclinado a responder de forma positiva, dizendo que não sabe em que Loja ele foi iniciado. Kardec, foi discípulo de Mesmer que era Maçom, e Leon Dennis, seu discípulo, também era.
  Deixando de lado essa polêmica, a verdade é que o Espiritismo e a Maçonaria tem inegáveis pontos em comum, e juntos poderão acelerar o progresso da Humanidade e o estabelecimento da justiça social, sobretudo através da perfeição moral dos espíritas e maçons.
   A Maçonaria tem por fim a melhoria moral e material do homem, por princípios, a lei do progresso da humanidade, as idéias filosóficas de tolerância, fraternidade, igualdade e liberdade, abstração feita da fé religiosa ou política, das nacionalidades e das diferenças sociais.
   O espiritismo moral e social iria dizer justamente a mesma coisa. Os princípios filosóficos são absolutamente idênticos:  a)Existência de Deus, b)Imortalidade da alma, c)Solidariedade humana.
   Em sessão da Sociedade Espírita de Paris do dia 25 de fevereiro de 1864, várias dissertações foram obtidas sobre o concurso que o Espiritismo poderia encontrar na Francomaçonaria, que depois foram publicadas na Revista Espírita de abril de 1864. Comunicaram-se naquela oportunidade os Espíritos Guttemberg (Médium: Sr Leymare), Jacques de Molé (Médium: Srta.Bréguet) e o francomaçom Vaucanson (Médium: Sr.D’Ambel.).
   Nestas comunicações, usando o método de perguntas e respostas, os espíritos comentam sobre a importância da Maçonaria, a afinidade existente em Maçonaria e o Espiritismo, o conhecimento dos Maçons sobre a Doutrina Espírita, a aceitação das idéias Espíritas. Vejamos um trecho: (...) Os homens inteligentes da Maçonaria vos bendirão por sua vez; pois a moral dos Espíritos dará um corpo a esta seita tão comprometida, tão temida, mas que tem feito mais do que se pensa. Tudo tem um parto laborioso, uma afinidade misteriosa; e se isto existe para o que perturba as camadas sociais, é muito mais verdadeiro para o que conduz o progresso moral dos povos. Ainda alguns dias, e o Espiritismo terá transposto o muro que separa a maioria das paredes do templo dos segredos, nesse dia, a sociedade verá florescer no seu seio a mais bela flor espírita que, deixando suas pétalas caírem, dará uma semente regeneradora da verdadeira liberdade . Agora, glória ao Grande Arquiteto do Universo.

Fontes:
Palestra de Divaldo em 1994 na cidade de Americana (SP) pela Loja Maçônica Sublime Universo 125: http://youtu.be/1P6dpb6zD3g
Revista Espírita – edição 04/1864
Leon Dennis e a maçonaria – Eduardo Carvalho Monteiro

domingo, 25 de setembro de 2011

Nossos pensamentos


Por - Gilberto L. Tomasi

Por mais que queiramos é impossível vivermos sem pensar, nem por um segundo apenas conseguiremos. Segundo Joana D’Angelis, pensamos cerca de 60.000 mil vezes por dia. Querendo ou não, o pensamento brota do íntimo de nosso espírito, fazendo com que passemos à ação. 
O pensamento pode fluir de duas formas: Manso, suave, dócil, facilmente controlável, ou impetuoso, descontrolado, furioso incontrolável, totalmente fora de controle.
Freqüentemente somos tomados por estranhos pensamentos que se apresentam de maneira inoportuna e, perguntamos desapontados de onde eles teriam vindo.
E questionamos de onde se origina o pensamento?
No fundo de todo pensamento há um desejo; não pensamos aquilo que não desejamos; e basta desejarmos uma coisa qualquer que seja, para que imediatamente se gere uma série de pensamentos em torno do objeto desejado.
Desde os mais simples atos que praticamos quase que de forma maquinal, até os mais complexos que exigem grande reflexão para serem executados, todos se originam de um desejo inicial; porque o desejo é o gerador do pensamento; e os pensamentos são os geradores de nossos atos.
Uma vez que o desejo reside, invariavelmente na base de nossos pensamentos, concluímos que a melhor maneira de controlarmos os nossos pensamentos é controlar os nossos desejos.
Se não exercemos um controle sobre nossos desejos, acontecerá que passaremos a desejar muito, ou a desejar coisas fora de nosso alcance; daí se estabelecerá em nossa mente um emaranhado de pensamentos que nos fará sofrer, ou nos levará a praticar ações funestas, porque se o desejo é a base de nossos pensamentos, nossos pensamentos são a base de nossos atos e de nossas manifestações.
Logo, para adquirirmos a capacidade de reger nossos pensamentos, para que eles não se tornem uma carga excessiva e dolorosa em nossa mente, precisamos, antes de mais nada, governar  e controlar os nossos desejos.
É justo que para dominarmos os nossos desejos, devemos submetê-los a uma análise rigorosa. Assim, ao desejarmos qualquer coisa, façamos a nós próprios as seguintes perguntas e, sejamos sinceros em respondê-las.
1) prejudicarei a meu semelhante com a realização deste meu desejo?
2) estarei prejudicando o meu progresso espiritual com este meu desejo?
3) estará este meu desejo de conformidade com a  lei “não fazer aos outros o que não desejo para mim”?
Uma vez feita a análise dos nossos desejos, estaremos em condições de guiar nossos pensamentos, desde que tenhamos a coragem de abandonar os desejos insensatos.
Devemos lembrar, contudo, de vivermos uma vida simples, e uma vida simples tem necessidades simples, que promovem desejos simples, que faz nascer pensamentos simples, que acabam gerando atos simples e dignos.
Podemos classificar os pensamentos da maioria dos encarnados em três grupos:
1)pensamentos glorificados, 2)pensamentos raciocinados e 3)pensamentos inferiores, a saber: pensamentos glorificados: são todos aqueles que se formam em nossa mente, mediante desejos nobres tais como: amor puro, paz, alegria, otimismo, fraternidade, perdão, compreensão, tolerância, sacrifício, de renúncia e de todos os outros sentimentos que estiverem de acordo com as leis divinas e os ensinamentos de Jesus.
Os pensamentos glorificados se originam do sentimento da fraternidade irrestrita, que é a causa primária de todos os que acabamos de enumerar.
Pensamentos glorificados geram as ações nobres que irão beneficiar todos os nossos campos de ação, família, trabalho, sociedade, enfim a humanidade toda, e eles constituem uma fortaleza moral que nos guarda contra as investidas do mal.
Os pensamentos raciocinados, são aqueles que emitimos pelo desejo de bem cumprir as nossas obrigações diárias. Podemos tomar como pensamento raciocinado todos aqueles que nos compelem a tratar da parte material de nossa existência na terra, tais como:  pensamento de trabalho, de conforto, de progresso material e de todos os outros pensamentos relacionados a parte material de nossa vida, sempre baseados é lógico  na honestidade.
Já, os pensamentos inferiores são aqueles que nascem em nossa mente, oriundos das paixões e vícios que alimentamos, como: pensamentos de ódio, inveja, ironia, raiva, ira, escárnio, ambição, cobiça intolerância e principalmente o orgulho, o que só demonstra a inferioridade de nossos sentimentos.
Seria bom se todos os nossos pensamentos fossem elevados, isto é, glorificados ou raciocinados, pensamentos inferiores nunca deveriam abrigar o nosso cérebro.
Porém, não somente em  nosso cérebro se formam pensamentos, nós também recebemos pensamentos emitidos de outros cérebros, que são as chamadas vibrações mentais.
Nossa mente está aberta a todas as vibrações mentais que cruzam incessantemente o espaço, provindas de todas as direções e dos mais variados núcleos vibratórios.
No entanto, somente as pessoas muito espiritualizadas conseguem se manter em alto padrão vibratório,  na grande maioria há quedas de vibrações. E, sempre que houver queda de vibração, nós passamos a receber as baixas vibrações que são emanadas de núcleos inferiores, daí então, se formarem às vezes, em nosso cérebro, desejos e pensamentos mesquinhos e inferiores, que não condizem com nossa formação com a nossa educação e com os nossos princípios.
Como sabemos que essas baixas vibrações nos atingem somente porque encontram receptividade de nossa parte, devemos resistir para não ceder a elas.
Há de se perguntar, porque nós não podemos nos manter sempre em nível de vibração elevada? Porque há queda de vibrações?
As dificuldades, os fatos inesperados que nos sucedem, os negócios, enfim, as variadas circunstâncias da vida, são fatores que contribuem para que haja queda de nossas vibrações mentais.  Essas situações atrapalham o pensamento, o que constitui uma carga pesada para seguir o caminho espiritual.
Portanto, é importante nós colocarmos em ordem a parte material de nossa existência, para que a nossa mente possa se dedicar livremente ao progresso espiritual.
A partir do momento em que as coisas materiais estejam garantidas, ainda que modestamente, por um viver bem organizado, não haverá grandes interferências delas em nossos pensamentos, porque, estaremos em paz íntima que um viver bem organizado proporciona. Não se quer dizer com isso, que é necessário se tornar rico, com posses, para se conseguir atingir as metas espirituais. O que é preciso, é que haja uma organização material em nossas vidas, mesmo sendo em bases pobres e modestas, de modo que tenhamos tanquilidade para o cultivo das coisas espirituais.
Nossos pensamentos irão determinar o estado de nossa consciência: Pensamentos inferiores sujam e corrompem nossa consciência, e acabam gerando, quando se apresenta uma oportunidade, ações inferiores, das quais nascerão, cedo ou tarde, o remorso, e o arrependimento. Ficamos então com a consciência perturbada, desaparecendo a paz e a serenidade. E para reparar a consciência perturbada só há um caminho: corrigir as más ações praticadas. E, para isso, o primeiro cuidado é modificar a qualidade dos nossos pensamentos, substituindo os inferiores por pensamentos glorificados e raciocinados.
Pode-se definir a consciência como sendo um sentimento íntimo que nos leva a praticar algum ato. Como sabemos, que toda ação é seguida de uma reação, desse modo, todas as nossas ações reagem sobre a nossa consciência, determinando o nosso estado moral e consequentemente nosso estado mental. Poderíamos dizer que existem duas espécies de consciência: 1)consciência educada moralmente, 2)consciência adormecida moralmente.
A consciência educada moralmente pertence à pessoa que ao praticar uma ação, compreende pela reação que ela produz, se a sua ação foi boa ou má, se sentindo gratificada se foi boa, ou deprimida se foi má. É o que chamamos a voz da consciência, que aprova ou desaprova nossos atos, que são oriundos dos nossos pensamentos.
Assim as consciências educadas já estão fortificadas no caminho reto do bem, quando erram, percebem o erro e trabalham para corrigi-lo sem demora.
Exemplo: Pedro que nega Jesus, logo que errou, Pedro percebeu o erro. Sua consciência educada nos princípios evangélicos, imediatamente o advertiu, e Pedro se arrepende e chora, mas se levanta decidido a corrigir o erro, lutando pela causa de Jesus.
Já a consciência adormecida é aquela que ainda não se libertou dos instintos primários do mal. Existem duas espécies de consciências adormecidas: 1)as que lesam seus semelhantes, alheias ao mal que estão praticando, 2) as que sabem que estão agindo mal, porém indiferentes persistem.
Tais consciências não escaparão, contudo, da lei de causa e efeito, porque é da lei que recebamos sempre de conformidade com o que dermos, que colhamos de acordo com que plantarmos
E, com o impacto da lei do choque de retorno, as consciências que agem sem saber o que estão fazendo, entrarão no caminho da educação moral, e aquelas que agem erroneamente, sabendo que estão erradas, sairão da indiferença, pelo menos esse é o objetivo.
E o auxílio que se deve dar para as pessoas com a consciência adormecida, é a boa vontade para com elas, isto porque são espíritos doentes que precisam ser curados, porque embora desejem se reabilitar, mas, sendo fracos, não se animam.
Por outro lado, existem outros que querem se reabilitar, mas não encontram ambientes favoráveis. É preciso que resguardemos e tenhamos muito cuidado para preservar nossa mente e nossos pensamentos das idéias fixas, opressivas, aviltantes, porque isso constitui verdadeiros cárceres mentais, porque mesmo que a pessoa tenha seu corpo físico em liberdade, o seu espírito às vezes se sente prisioneiro dessas idéias inferiores.
E, isso se levado ao extremo, se transforma em pensamentos desvairados e torturados que desequilibram a mente, chegando a levar a loucura.
Idéias fixas se formam de um amontoado de pensamentos inferiores e desordenados, direcionados a um único fim. Ou seja: tudo quanto a pessoa faz, pensa, ouve ou vê os outros fazerem, se encaminha para uma idéia fixa que acaba lhe obsediando.
São dessas idéias fixas que se originam os crimes, as ambições, que frequentemente levam a pessoa à ruína.
O pensamento é uma vibração mental. Essas vibrações mentais são irradiadas de nossa mente. Se nós pudéssemos ver essas vibrações, nós as veríamos em forma de estranhos filamentos que se entrelaçam, sem se confundirem uns com os outros. Eles são possuídos de um movimento vibratório natural, sem serem uniformes em suas particularidades, e como  esses filamentos são coloridos, a suas cores variam do escuro ao claro mais brilhante. Logo, conclui-se que o pensamento é luz.
E como sabemos que a luz toma a cor do vidro que filtra, assim também os nosso pensamentos tomam a cor dos nossos desejos e das ações  que esses desejos determinam.
A quantidade de cores do pensamento é muito grande, indo desde a luz mais intensa até o preto, que é a negação da luz. Alguns exemplos: 1)prateada – pensamentos sábios, 2) branco – pensamentos puros, 3) azul – pensamentos cultos, 4)rosa – pensamentos de amor e virtude, 5) lilás – pensamentos de religiosidade, 6)cinza-claro – pensamentos de caridade, 7)cinza escuro  - pensamentos de devotamento, 8)verde-claro – pensamentos de transição (matéria e espírito), 9)marrom – pensamentos materiais, 10)preto – pensamentos de negação.
A lei de afinidade determina que os iguais se atraiam e se procurem, e que os contrários se repilam e se evitem e, isso serve para o pensamento, ou seja, pensamentos iguais se atraem, pensamentos diferentes se repelem. Assim: quando emitimos pensamentos  glorificados, vamos sintonizar com a faixa esplendorosa, raciocinados, vamos sintonizar com a fixa luminosa, materiais, vamos sintonizar com a faixa escura, fixos, opressivos e aviltantes criminosos, vamos sintonizar com a faixa das trevas.
Isso porque as nossas vibrações mentais se dirigem para a faixa mental que lhe é afim, onde transitam pensamentos iguais aos nossos que são emitidos tanto por encarnados como por desencarnados.
Os pensamentos que habitualmente mantemos enquanto encarnados, vão determinar a nossa posição no mundo espiritual depois que desencarnarmos.
As faixas mentais são também regiões do mundo espiritual, assim, as faixas de pensamentos glorificados e raciocinados formam as zonas luminosas, onde  gravitam as esferas espirituais felizes. Já  as faixa de pensamentos inferiores constituem as regiões sombrias e trevosas, nas quais falta a luz e sobra sofrimento.
Logo, nós sabemos exatamente para onde iremos após o desencarne. A nossa vida aqui na terra se molda  conforme os nossos pensamentos, que por sua vez, se plasmam segundo os nossos desejos, que se transformam em atos. Já, o espírito desencarnado precisa controlar muito bem os seus pensamentos, porque como no mundo espiritual não existe a barreira da matéria como aqui na terra, é o pensamento que impulsiona o espírito.
Assim sendo, é importante que nos habituemos  a ter controle sobre nossos pensamentos para que  não sejamos torturados mentais quando deixarmos o corpo físico.
Resumindo: Diremos que durante nossa permanência na terra, estamos simplesmente sintonizados com as faixas mentais. Porém quando desencarnarmos, nós não estaremos apenas sintonizados, nós passaremos a viver na zona correspondente com a faixa mental com a qual estávamos sintonizados.
E, se nós nos dirigirmos para zonas escuras ou de trevas, teremos de sofrer longo, doloroso e laborioso período de reajustamento mental, antes que possamos enxergar a luz.
 Não são somente os nossos próprios pensamentos que irão nos levar para as regiões luminosas ou trevosas. Os pensamentos que os outros nutrem para conosco, vão influenciar decisivamente sobre nós.
Se outras pessoas sintonizarem com as faixas luminosas, emitindo pensamentos corretos a nosso favor, fluídos saudáveis descerão sobre a pessoa que está emitindo  pensamentos bondosos e também sobre nós que contribuímos para a emissão desses pensamentos. Porém se alguém sintonizar regiões trevosas e inferiores, alimentando pensamentos deformados ou maus contra nós, fluídos negros envolverão essa pessoa e virão até nós por termos dado causa para a emissão desses pensamentos inferiores.
Finalizando, é importante notar que os nossos pensamentos geram os nossos atos e que os nossos atos geram o pensamento dos outros.

Compilado a partir dos livros: Espiritismo Aplicado (Elizeu Rigonati), Cartas de uma Morta (Chico Xavier)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Capitão Maurício - Patrono da Cruzada dos Militares Espíritas


Sendo militar do Exército e membro da Cruzada dos Militares Espíritas, não poderia deixar passar em brancas nuvens a data de 22 de setembro. Dia em que se presta a devida homenagem ao Patrono Espiritual da Cruzada dos Militares Espíritas, Capitão Maurício. Abaixo transcrevemos um breve histórico deste heróico Cristão. Paz e Luz - Joilson


“No ano de 284 ascendia à direção do Império Romano Diocleciano, soldado favorecido pela fortuna, enérgico e hábil. Para minimizar os inúmeros e graves problemas que se apresentavam num vasto império com sinais inequívocos de decadência, decidiu ele associar ao governo, em 285, outro soldado experimentado, Maximiniano, com o título de césar, reservando para si o título de augusto. Mais tarde, em 292, Maximiniano passava à condição de augusto, e eram nomeados dois césares, dando início ao que se conhece por tetrarquia.
Uma das primeiras missões atribuídas a Maximiniano, foi debelar a revolta dos bagaudos, povos germânicos que habitavam, então, a Gália, em território da atual Suiça. Maximiniano reúne um exército na Itália, do qual faziam parte alguns corpos vindos do Oriente, e com ele cruza o passo do Grande São Bernardo (Summus Penninos), no outono de 286. Um desses corpos orientais era formado por soldados cristãos, e se encontrava sob o comando de Maurício.
A tradição chama-o de "legião tebana", embora se tratasse, ao que parece à crítica moderna, de uma coorte auxiliar. Dada a tradição se referir a uma "legião", e como as legiões no período republicano e na fase inicial do império possuíssem efetivos aproximados de 6.600 homens, exagerava-se o efetivo da tropa de Maurício. Nesta época as legiões já tinham efetivo reduzido, e logo depois, sob Constantino, passariam a ter, oficialmente, 1.000 homens. Seria muito difícil falar-se, nestes tempos recuados, de grandes efetivos de soldados cristãos.
Todavia, a indicação "legião tebana" é, de fato, encontrada com certa frequência, no século IV, não só no Egito, como na Trácia e na Itália. Seja como for o gentílico desta tropa não dá margem a dúvidas: era originária da Tebaida, no alto Egito.O exército acampou em Octodorum (atual Martigny, Suiça), mas a coorte auxiliar tebana assentou acampamento em Agauno (hoje St-Maurice, Cantão do Vallais, Suiça), próximo a Octodorum. Antes da campanha, Maximiniano determinou os solenes sacrifícios propiciatórios aos deuses, entre os quais contavam-se, necessariamente, Roma e Augusto, além dos próprios césares em exercício. Nestas ocasiões eram renovados os juramentos de fidelidade. Maurício e seus homens recusaram-se a abdicar de seus princípios e a trair a própria consciência. Maximiniano, contrariado, determinou uma primeira dizimação, o sacrifício de 1 soldado em cada grupo de 10. A ação cruel não surtiu o efeito intimidador, sendo determinada uma segunda dizimação, que também fracassou em seus propósitos. Enfurecido ante a resistência estóica, Maximiano determina o sacrifício dos sobreviventes, todos decapitados. Escrevia-se com sangue, nos campos de Agauno, uma das páginas mais impressionantes do martirológio cristão, que a tradição registrou como sendo 22 de setembro de 286.
Posteriormente, a Igreja Católica conduziu Maurício à dignidade dos altares, santificando-o. A 22 de setembro de 515, o bispo São Avito, de Vienne, na França, pronunciou homilia para a inauguração da basílica mandada edificar, pelo rei borgúndio Sigismundo, em Agauno, a fim de recolher os supostos despojos dos mártires da "legião tebana", encontrados por volta de 380, quando de uma cheia do rio Ródano.
O culto a São Maurício fez rápidos progressos na Europa. Durante a Idade Média surgiram ordens de cavalaria sob o seu patrocínio, como as dos Santos Lázaro e Maurício, na Savoia (Itália) e a do Tosão de Ouro, na Espanha. É curioso lembrar que, dada a sua origem egípcia, Maurício é representado nas artes, muitas vezes, como homem de cor, ou com características físicas da raça negra.
O significado deste sacrifício foi muito bem exposto pela sempre lembrada figura do venerável Gen Duque-Estrada, conforme consta de O Cruzado de setembro de 1959, do qual extraímos:
"Por certo, espetáculo igual jamais ocorrera em qualquer época, em parte alguma, de estoicismo, de devotamento a uma causa, de renüncia coletiva, como o que legaram ao mundo Maurício e seus comandados.Repetiam-se, com frequência, para gáudio dos césares e divertimento das massas embrutecidas pelos prazeres fácies, as cenas horripilantes dos circos de Roma.
No entanto, não poderiam ter a significação, não eram comparáveis à epopéia vivida pela Legião Tebana. De um lado, tratava-se de seres indefesos, que possuíam a couraça única de sua crença, a ampará-los na prova suprema, do outro, uma energia capaz de resistir e vencer, que se conservava, deliberadamente, em estado potencial apenas, robustecendo e amparando uma vontade de exaltar os espíritos em busca do Pai amoroso e bom. 
Ao invés de um ato de rebeldia, de insubordinação, Maurício dá o exemplo de disciplina consciente e perfeita, serena e justa, sofrendo a punição imposta pela vontade desmedida do chefe terreno, ao mesmo tempo obedecendo sem vacilações, com humildade e energia, aos ditames da consciência e da razão. Tornou bem claro, pôs em evidência, com o ato que praticou, a separação que deve existir, sem tergiversações, entre os poderes temporal e espiritual, entre o que é da matéria e o que é do espírito.Foi esse, Maurício, Patrono e Guia que a vontade do Alto destinou à Cruzada dos Militares Espíritas, para ampará-la e orientá-la, estimulando-a e guiando-a na missão que lhe foi confiada da prática do Evangelho".