sábado, 3 de setembro de 2011

Conflito interior



 
Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Muitas pessoas passam pela vida terrena como se fossem verdadeiras máquinas programadas. Nascem, crescem, reproduzem, envelhecem e morrem. Seria simples se no decorrer de suas vidas as coisas acontecessem como planejadas, mas nem sempre é assim que acontece. Mesmo porque, por mais racional que alguém seja não consegue manter-se 100% focado na razão. Chega um momento em que a emoção nos convida a refletir mais profundamente sobre a vida.
Somos a somatória de séculos de existência com experiências nas mais diversas áreas, por mais que estejam encobertas pelo véu do esquecimento, não há como negarmos o que já passamos o que realmente somos enquanto princípio inteligente individualizado em processo de evolução.
As vivências que tivemos no pretérito emergem e submergem do inconsciente para o plano consciente, contudo sem termos verdadeira noção do que passamos. Por isso há momentos em que nos sentimos capazes de conquistar céus e terras, outros em que nos sentimos o menor dos seres existente no universo.
Este é um processo de “purgação” do espírito enquanto limitado pelo corpo físico, esse dreno que auxilia no processo evolutivo de cada ser. Se no passado fomos pessoas de posses materiais e não soubemos utilizá-la em conformidade com as Leis Divinas, chega o momento em que nos vemos privados destes bens e por vezes um sentimento de querer ter, o desejo de possuir os objetos ilusórios da matéria, surge repentinamente em nosso íntimo, mesmo sabendo que por mais que trabalhe ou que tenha outro emprego, não conquistará os objetos do desejo. É a lembrança do passado nos assolando a consciência para que aprendamos a refletir sobre a importância dos bens materiais.
Outras vezes nos questionamos qual a razão de não termos uma pessoa que nos compartilhe os carinhos, alguém a quem possamos dedicar os mais sinceros sentimentos e constituir família. Não compreendemos o motivo pelo qual tantas pessoas preferem viver enclausuradas em seu egotismo a doar-se em benefício de outrem. São as reminiscências do pretérito emergindo, ao mesmo tempo, como verdadeiros juízes e carrascos a nos impor a reflexão sobre o conviver, o doar-se, a renúncia de nossos desejos em favor do próximo, a importância do convívio social sem o prejuízo deste ou daquele.
Pessoas há que se desanimam diante de uma enfermidade que castiga o corpo físico impondo rotina austera, dieta alimentar rígida, pouco contato com pessoas, sem a oportunidade de trabalhar pelo próprio sustento, sempre dependente de um ente familiar ou de médicos e enfermeiros. Oh, Deus! Por que tanto sofrimento a um só ser? Não seria melhor extinguir de uma vez esta vida? Cala-te, ser ignorante! Não percebes que Deus está lhe dando a oportunidade de resgatar a sua dívida? Consulte a própria consciência, seus mais íntimos pensamentos e descobrirás que muitos foram os prejudicados por você, e em sua infinita misericórdia o Criador de todas as coisas lhe concede esta oportunidade de quitação da dívida e esconderijo contra aqueles que agora se sentem no direito de cobrar todo o prejuízo e sofrimento que lhe foram causados.
Quanta angústia, quanta dor, não a dor física se bem que às vezes chega a doer o corpo físico, mas a dor interior que não sei de onde surge, de onde vem e para onde vai, dor no peito, dor na cabeça, não sei o que é isso, fico a questionar se realmente é uma dor, mas é algo que incomoda incessantemente. Por vezes pensamentos atrozes surgem no íntimo, em vão tento afastá-los. Que tormento! O que será isso? Estou enlouquecendo? É mais uma vez o juiz consciência acusando dos erros cometidos que emergem para nos lembrar que nenhum mal ficará impune diante das leis universais.
Perante toda essa problemática existencial renda-se ao Pai criador da vida, ao Cristo Jesus que muito nos ama e nos convida à reforma interior. São doenças da alma a manifestar-se no corpo. Reconheçamos o nosso passado de erros e procuremos a transformação íntima que Jesus nos ensinou e poucos souberam compreender.
Se te faltas, doa-te. Se estás só, busque a companhia dos solitários levando sempre uma mensagem de carinho. Se enfermo, lembre-se de Jesus, o médico das almas e ore em favor daqueles que também se encontram nos leitos dos hospitais. Se a inquietude lhe aflige, trabalhe incessantemente em benefício do semelhante, aprenda a silenciar a mente pela prática meditativa, respire profundamente e sinta a paz profunda em seu interior.
Tudo no universo funciona dentro da mais perfeita harmonia. Para entendermos o presente, precisamos nos lançar no passado e projetarmos para o futuro a fim de que a compreensão da vida possa nos impulsionar para um porvir repleto de luz, vida e amor.

domingo, 28 de agosto de 2011

Solução para as doenças e doentes


 
Por - Gilberto L. Tomasi

Constantemente somos surpreendidos pelo surgimento de algum tipo de doença ocasionada pela mutação de algum vírus que acaba por ocasionar certo descontrole em sua fase inicial infectando multidões. Passado o susto inicial, com suas conseqüências, a ciência descobre algum tipo de medicamento,vacina etc.,que resolve o problema.
Acontece porém, que nas últimas décadas têm aparecido outras doenças com nomes diferentes, reações imprevisíveis que se alastram rapidamente, com efeitos danosos para a humanidade e para também para os animais, como um sinal de   alerta que pode indicar algo mais.
Pode ser um sinal de alerta, mostrando que a humanidade está vulnerável não apenas em relação aos corpos dos seres vivos, mas a atmosfera como um todo, ás águas, o solo, as plantas. Estamos totalmente desprotegidos e, isso tem a ver como nosso estilo de vida.
É fácil perceber que estamos vivendo e convivendo num ciclo totalmente desequilibrado, com a poluição de todas as fontes possíveis à nossa sobrevivência com grandes prejuízos e danos a saúde.
O santuário da habitação de Deus, conforme se refere o apóstolo Paulo, está cada vez mais sujo e aberto a todo tipo possível de sujeira.
Sempre que se procura combater tais epidemias e doenças causadas por esse desequilíbrio não se fala do estilo de vida do homem moderno, fala-se apenas em meios para combater tais enfermidades somente depois que eles agem, que destroem e matam, ou seja, a ciência trabalha muito, com certeza, sempre focada em encontrar as saídas para corrigir os problemas depois de se tornarem insustentáveis.
O grande desafio é a prevenção e os cuidados que o homem deve ter para com o ambiente em que vive.
A Doutrina espírita contribui com a solução das ameaças de doenças e epidemias, com falta de água, com a falta de cuidados com o meio ambiente, entre outros desafios sociais, no momento em que prega aquilo que enseja a harmonia e o respeito à obra Divina. O espiritismo entende que esses cuidados não devem ser apenas uma questão de ideologia, mais sim, de mudanças de hábitos e comportamentos.
E, somos nós espíritas, que devemos representar essa conduta do espiritismo. Que cada um de nós, cidadãos de bem, exerçamos nossos deveres de cidadania com firmeza e respeito. Temos que nos empenhar constantemente em todos os movimentos sérios que lutam em vencer esses desafios.
De que maneira podemos fazer isso? Aliando nossos conhecimentos técnicos, culturais, nas nossas áreas de atuação vivenciando sempre a Doutrina Espírita que vem nos ajudar a melhorar nosso caráter e, consequentemente nossas atitudes perante o meio em que vivemos.
Logo, todos os setores de atuação, médicos, filósofos, escritores, jornalistas, administradores e também os políticos, etc., que são os chamados formadores de opinião, devem aplicar a formação e os conceitos que possuem naqueles espaços que atuam.
Kardec mostra com clareza e objetividade a respeito da origem das aflições, quando diz que elas podem advir dos erros cometidos e completa dizendo que a dor é propulsora do progresso.
Quando somos visitados pela dor e pelo sofrimento, ficamos mais sensíveis com os acontecimentos à nossa volta, nos tornamos mais introspectivos e vivenciamos emoções que até então não conhecíamos. Neste momento lembramos de orar com mais ênfase, ficamos mais compenetrados, avaliamos melhor o sofrimento que ser seja nosso ou alheio, haja vista, que observamos e sentimos nossas atitudes ante a dor.
Nesta posição de doentes, nossas ações irão demonstrar se estamos realmente assimilando as lições que a Doutrina Espírita nos ensina. Quando entramos um estágio e reflexão, temos condições melhores de meditar de forma mais profunda nas causas das dores que nos chegam, quer por meio de doenças, catástrofes ou acidentes naturais.
Quantas pessoas não se deixam transformar para melhor depois de uma situação de perigo, de uma enfermidade? Quantas não mudam de atitudes, hábitos e ações danosas e, abandonam seus vícios morais e se apegam e se amparam na fé e no amor de Deus? Quantos não descobrem no interior do ser o valor da vida, da imortalidade do espírito e, acaba por compreender melhor a justiça de Deus que as vezes acontece em forma de causa e efeito?
È comum o questionamento do homem frente as dificuldades vivenciadas no mundo atual, com drogas, violências, doenças, desastres de toda ordem, perguntando-se se o mundo estaria progredindo? O espiritismo mostra que num momento que vai marcar a história de forma expressiva da humanidade. A ciência aliada à tecnologia lançaram o homem nas alturas do progresso material, faltando apenas a evolução moral e espiritual alcançarem também esse patamar.
Mas, apesar disso, o mundo vem progredindo, a ciência trabalha em favor da saúde, do bem estar, da erradicação de males que afligem a sociedade. Falta apenas o homem adquirir a consciência necessária de que pode contribuir para mudar o rumo dos acontecimentos mudando seu estilo de vida e cuidando melhor do local onde vive e que com certeza voltará um dia, até que consiga galgar degraus mais altos nesse processo de evolução.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Coragem para mudar



Por - Gilberto L. Tomasi
 

A Maioria dos conflitos que afetam o homem  acontecem em função dos baixos padrões de comportamento que ele próprio adota em sua jornada terrena.
É comum o homem copiar modelos existentes, que o satisfazem por pouco tempo, sem analisar as possíveis consequencias que esses tipos de comportamentos podem acarretar.
O homem ainda não entendeu a importância necessária do seu progresso e crescimento individual, para que, mais evoluído possa colaborar para o progresso em coletividade.
Ainda se acredita que os próprios erros cometidos são menores do que os erros cometidos pelo semelhante. A grande maioria acha que o tempo age e passa de forma diferente para ele, como se ele fizesse parte de um mundo independente. E, assim agindo acabam por se iludir imaginando que o rigor da lei da consciência irá atingir somente os outros. Por outro lado, o homem ainda se deixa levar pelo orgulho e pelo egoísmo da maioria, sem refletir e analisar o que seja realmente necessário se alcançar.
A Doutrina Espírita, através de mensagens emanadas do mundo espiritual nos dá a certeza de que este é o momento de nós espíritos encarnados, em estágio de evolução começarmos nos desvencilhar de forma verdadeira dos nossos vícios e paixões, procurando buscar outros meios que nos levem a galgar saltos maiores em busca da evolução. Somos orientados constantemente pela espiritualidade para voltarmos nossas energias em busca de uma atividade fraternal que nos leve a praticar a verdadeira caridade, sem a qual não chegaremos a lugar nenhum. Nesse sentido, é importante cultivar alguns ensinamentos do Mestre, como a paciência, não entrando em desespero e nem se deixando levar pela fraqueza, sabendo aguardar a sabedoria do tempo que vence todos os obstáculos.
Não podemos e nem devemos esquecer que assumimos compromissos anteriores à nossa encarnação atual, devendo, pois, caminharmos sem desaminar, sem falsas ilusões, confiando sempre na ajuda divina em busca de valores nobres.
É comum e muito fácil o homem desistir da busca de sua evolução, se deixando levar por momentos de falsos prazeres, tornando-se assim igual aos demais, em suas manifestações inferiores. Esquecemos que os falsos prazeres em relação das paixões descontroladas são conseqüências de atitudes impensadas que irão se transformar em grandes problemas a serem sanados. Uma grande virtude a ser seguida, é aprender a vencer e controlar as más inclinações, as más tendências, procurando seguir em frente vencendo os obstáculos e perseverando no combate às nossas fraquezas.
Comecemos a mudar nossos hábitos e atitudes estejam eles onde estiverem, de forma gradual, começando pelos mais fáceis e, fazendo disso um hábito e um exercício rotineiro. Devemos estar sempre atentos para as oportunidades diárias que nos são oferecidas pela bondade Divina, aproveitando-as, fazendo o bem, por mais insignificante que o ato possa parecer, sem imaginar grandes realizações e, sem esperar recompensas pelas nossas atitudes, haja vista, que  maior recompensa que podemos ter é a consciência tranqüila por ter feito a coisa certa. Lembrando sempre que toda ascensão exige muito esforço, enquanto toda queda vai resultar em prejuízo e recomeço.
É necessário muita coragem e muito esforço moral para nos livrarmos da falsa auto-imagem que nos creditamos nos imaginando maiores e melhores aos semelhantes. Porém, a coragem ainda está associada à agressividade dos atos cometidos que nos dão a falsa ilusão de sermos superiores, nos levando a agir de forma ameaçadora, precipitada e violenta, querendo demonstrar força e poder. Isso, no entanto, não passa de grande desequilíbrio emocional de comportamento.
O homem ainda não entendeu que a verdadeira coragem é aquela que lhe dá forças para suportar e enfrentar as provações, agindo de forma cautelosa e racional não deixando que um momento íntimo se transforme em ato destruidor com conseqüências de difícil solução. Aprendamos a vivenciar a coragem como sendo um elo de confiança às nossas próprias resistências, para que não nos deixemos levar pelos baixos sentimentos da raiva e do ódio no momento de agirmos.
A falsa idéia que temos da coragem é o que nos faz a agir de forma descontrolada, quando, deixando de lado a razão agimos impulsionados pela emoção desequilibrada. A verdadeira coragem somente é conquistada e entendida através das sucessivas vivências evolutivas, depois de já termos passados por diversas dificuldades, dores e sofrimentos, os quais nos ensinam a adquirir resistências para suportar as dificuldades encontradas pelo caminho. E, essa coragem adquirida se transforma em força moral para aqueles que não apegam em bens transitórios, se transforma em perseverança quando as situações se apresentam desfavoráveis.
Aqueles que lutam em busca da fé, que se sacrificam em prol do progresso da cultura ou da ciência, que lutam em busca do bem são movidos pela coragem que os anima em seus objetivos em busca da evolução. Quem conquista a coragem em sua plenitude não se sente perseguido, com medo, nem injustiçado, aceita a vida como ela é sempre buscando encontrar o norte de sua reforma íntima sem querer mudar rumo em função das adversidades encontradas. A coragem moral lhes dá as forças necessárias em todas as ocasiões.
Inicialmente, a coragem se manifesta no estado de auto-avaliação das possibilidades que dispomos, deixando de lado a suposta grandeza que acaba por esconder nossas fraquezas morais. A coragem  nos trás uma grande força de tranqüilidade e coerência nos impulsionando para frente sem medos.
É preciso muita coragem para ser autêntico, verdadeiro, honesto para deixar de lado a falsidade o orgulho a prepotência  a arrogância e, Joana D’Angelis diz que é preciso ser mais corajoso ainda para ser verdadeiramente humilde, para admitir ao menos para si próprio que possui sentimentos negativos
É preciso ser muito corajoso para se comportar de maneira condizente com os bons costumes, para aceitar a dor e o sofrimento com dignidade, para amar e doar sem esperar retorno.
Deveríamos sempre nos espelhar na coragem de Jesus.