terça-feira, 16 de agosto de 2011

Autodespertamento



Por - Gilberto L. Tomasi

No livro o Problema do Ser, do Destino e da Dor, obra  clássica da literatura espírita, Leon Denis faz uma abordagem profunda sobre a questão da poderosa rede de forças energéticas ocultas na criatura.
Evidentemente inspirado, Leon Denis, que foi um desbravador do espiritismo afirma, que as causas das verdadeiras necessidades do espírito não se encontram em locais pré-determinados no espaço sideral, mas sim, nas profundezas da alma humana, devidamente ensinadas pelas doutrinas religiosas e em particular pelo próprio mestre quando afirmou: O reino dos céus está dentro de vós.
É, portanto, na vida íntima de cada um (espírito), onde se encontram essas forças que brotam por intermédio das suas faculdades e virtudes, portadoras de valores que vão projetar as necessidades do espírito e a sua evolução por completo.
Para alcançar esse patamar, ir em busca desses valores necessários à evolução do espírito, é imprescindível o exercício do recolhimento íntimo. É preciso disciplinar a força de vontade que está localizada nas zonas mais profundas do espírito.
E, em decorrência desses hábitos e da força de vontade, que são adquiridos pela auto-educação, ocorre o despertamento da consciência para as superiores realidades da vida.
A introspecção, esse olhar para dentro de nós mesmo, nos possibilita, além do autoconhecimento, a lapidação das arestas imperfeitas do próprio caráter, com o aparecimento gradual da humildade - outra necessidade do espírito -  o senso de justiça , amor e caridade.
A força de vontade exerce uma influência fundamental para que o ser humano possa dominar-se, vencer as dificuldades e solucionar problemas mais intrincados. A vontade é uma força tão poderosa que pode atuar com intensidade suficiente sobre o envoltório fluídico do espírito, ativando as suas vibrações e, apropriando gradualmente o espírito para as suas sensações e emoções cada vez mais elevadas.
Sob o efeito da vontade surgem outras necessidades do espírito, como a paciência, a perseverança e a autoconfiança que são forças preservadoras das causas de desassossego e de perturbação interna e externa. A vontade educada através do exercício persistente, pode levar o espírito a conseguir resultados prodigiosos no campo mental, com reflexos imediatos na  conduta moral do homem.
Como diz o ditado popular “querer é poder”, o espírito, conhecendo os seus próprios recursos latentes, descobre o crescimento das suas forças, dirigindo os seus esforços, afim de superar as próprias fraquezas  sejam elas físicas e morais, despertando a consciência para iniciar a verticalização gradual da própria espiritualização.
Já, Joana D’Angelis no livro vida desafios e soluções, diz, que a fase inicial da vida, sob qualquer aspecto considerado, é a do sono. Por isso mesmo, conforme bem sintetizou Leon Denis, o psiquismo “ dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal e pensa no homem.” Portanto, é na fase hominal que o espírito prossegue com intensa capacidade  da intuição no anjo, adquirindo novas experiências sem cessar, infinitamente.
Todo ser está fadado à perfeita sintonia com a consciência cósmica, que nele dorme, aguardando os fatores que lhe propiciem o desenvolvimento, o contínuo despertar para a evolução.
Despertar é uma necessidade do espírito, e segundo Joana D’Angelis, despertar é  indispensável, abandonando a letargia que procede de faixas por onde transitamos, libertando o espírito do marasmo, em forma de sono da consciência para as suas realidades atuais. Essa libertação do espírito vai fazer com que ele se liberte das suas paixões remanescentes que ainda lhe envia mensagens pessimistas e perturbadoras.
O espírito necessita se conscientizar do que é, do que necessita fazer, de como conseguir o êxito, pois isso constitui para o ser, o chamamento urgente, como contribuição valiosa para o empenho na inadiável tarefa da revolução  íntima transformadora.
Geralmente encontramos no comportamento do homem as referências ao dormir, estar dormindo, adormecido. Isso caracteriza os estados de existências  vivenciadas. E, de fato, a maioria está adormecida para as próprias realidades, para os desafios da evolução, para as conquistas, enfim, que são  necessidades do espírito.
Porém, o espírito desconhecendo ou esquecendo essas realidades se apaixona por interesses mesquinhos, vive fascinado pelo doentio narcisismo, prefere permanecer em estado de consciência de sono, do que experimentar o despertamento para a lucidez, para os compromissos em relação a vida e ao crescimento interior. Isso, ainda, se apresenta ao espírito como um verdadeiro parto e, segundo Joana D’Angelis, despertar para a realidade nova da vida é como experimentar um parto interior, profundo, libertador, dolorido e feliz.
O espírito necessita da renovação social, da vida social como um imperativo, uma vez que ela decorre da lei natural. (O Livros dos Espíritos, questão 766). O espírito necessita do entendimento que o progresso individual e coletivo se faz pela vida de relação dos seres humanos entre si, pois, sendo o homem um ser gregário por natureza, vem criando desde que se encontra na terra, as múltiplas formas de sociedades para atendimento de suas necessidades.
Logo, é ele, o espírito encarnado, ou seja, o homem, o responsável pela organização social, que reflete os defeitos de seus componentes: ou seja, egoísmo, orgulho, vaidade, ambição e outros tantos sentimentos mais baixos.
O espírito necessita do entendimento, que desde os tempos primitivos, a humanidade se transforma contínua e lentamente. Diversos tipos de sociedades humanas acompanham o progresso material e moral das sucessivas gerações.
A influência que o espiritismo exercerá sobre as sociedades humanas é perfeitamente previsível, em função de sua filosofia, da realidade da vida que põe à mostra as verdades que revela, substituindo crenças, fé cega e cultos exteriores pela fé raciocinada, que é outra necessidade do espírito.

Referências bibliográficas:
- O Problema do Ser, do Destino e da Dor (Leon Dennis)
- Vida Desafios e Soluções (Joana D’Angelis)


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A doutrinação - Psicologia da doutrinação



José Herculano Pires

O doutrinador deve ler e reler, com atenção e persistência a ESCALA ESPÍRITA (Livro dos Espíritos) para bem informar-se dos tipos de espíritos com que vai defrontar-se nas sessões. A escala nos oferece um quadro psicológico da evolução espiritual, que podemos também aplicar aos encarnados. No trato com os espíritos o conhecimento desse quadro facilita grandemente e doutrinação. Os espíritos inferiores usam geralmente de artimanhas para nos iludirem e se divertem quando conseguem, prejudicando-se a si mesmos e fazendo-nos perder tempo. Temos de encará-los sempre como necessitados e tratá-los com o desejo real de socorrê-los. Mas precisamos de psicologia para conseguirmos ajudá-los. A tipologia que a Escala nos oferece é de grande valia nesse sentido. Por outro lado, a leitura dos casos de doutrinação relatados por Kardec na REVISTA ESPÍRITA nos oferece exemplos valiosos de como podemos nos conduzir, auxiliados pelos espíritos protetores da sessão, para atingir bons resultados.
A prática da doutrinação é uma arte em, que o bom doutrinador vai se aprimorando na medida em que se esforça para domina-la. Enganam-se os que pensam que basta dizer aos espíritos que eles já morreram para os sensibilizar. Não basta, também, citar-lhes trechos evangélicos ou fazê-los orar repetindo a nossa prece. É importante também explicar-lhes que se encontram em situação perigosa, ameaçados por espíritos malfeitores que podem dominá-lo e submetê-los aos seus caprichos. A ameaça de perda da liberdade os amedronta e os leva geralmente a buscar melhor compreensão da situação em que se encontram. Mas não se deve falar disso em tom de ameaça e sim de explicação pura e simples. Muitos deles já estão dominados por espíritos maldosos, servindo-lhes de instrumentos mais ou menos inconscientes. O médium que recebe a entidade sente as suas vibrações, percebe o seu estado e pode ajudar o doutrinador, procurando absorver os seus ensinos. Através da compreensão do médium o espírito sofredor ou obsessor é mais facilmente tocado em seu íntimo e desperta para uma visão mais real da sua própria situação. Doutrinador e médium formam um conjunto que, quando bem articulado, age de maneira eficiente para a entidade.
O doutrinador deve ter sempre em mente todo esse quadro, para agir de acordo com as possibilidades oferecidas pela comunicação do espírito. Com os espíritos rebeldes, viciados na prática do mal, só a tríplice conjugação da autoridade moral do doutrinador, do médium e do espírito protetor poderá dar resultados positivos e quase sempre imediatos. Se o médium ou o doutrinador não dispuser dessa autoridade, o espírito se apegará a fraqueza de um deles ou de ambos para insistir nas suas intenções inferiores. Por isso Kardec acentua a importância da moralidade na relação com os espíritos. Essa moralidade , como já dissemos, não é formal, mas substancial, decorre das intenções e dos atos morais dos praticantes de sessões, não apenas nas sessões, mas em todos os aspectos de suas vidas.
Os espíritos sofredores são mais facilmente doutrinados, pois a própria situação em que se encontram favorece a doutrinação. Se muito erraram na vida terrena, permanecendo por isso em situação inferior, o fato de não se entregarem à obsessão depois da morte já mostra que estão dispostos a regenerar-se. Só a prática abnegada da doutrinação, com o desejo profundo de servir aos que necessitam, dará ao médium e ao doutrinador a sensibilidade necessária para distinguir rapidamente o tipo de espírito com que se defrontam. O doutrinador intuitivo aprimora rapidamente a sua intuição, podendo perceber, logo no primeiro contato, a condição do espírito comunicante. A psicologia da doutrinação não tem regras específicas, dependendo mais da sensibilidade do doutrinador, que deverá desenvolvê-la na prática constante e regular. Mesmo que o doutrinador seja vidente, não deve confiar apenas no que vê, pois há espíritos maus e inteligentes que podem simular aparências enganadoras, que a percepção psicológica apurada na prática facilmente desfará. Não é preciso ser psicológo para doutrinar com eficiência, mas é indispensável conhecer a ESCALA ESPÍRITA, que nos dá o conhecimento básico indispensável.

Fonte:

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Conselho do Mundo Espiritual


 
Por - Gilberto L. Tomasi


Os espíritos trabalhadores, designados para nos proteger, nos repassam constantemente uma verdade que infelizmente, nós encarnados ainda estamos demorando em aplicar.
Dizem eles, de maneira peculiar e simples que no mundo espiritual não existe raça, cor ou credo, posição social que diferencie as almas, ou crie fronteiras, o que existe é o homem de bem e o homem que não aprendeu ou desaprendeu de ser bom.
Baseado nisso, eles nos falam do seu sofrimento em ver arrogância dos homens e de suas religiões que acabam se distanciando de Deus, pela pretensão do homem  de querer se igualar a Deus, impondo a "sua" verdade.
As religiões ou os credos em geral, ainda existem por necessidade de nossos espíritos que se diferenciam na escala evolutiva, encontrando dentro de cada uma delas (religião) a melhor adaptação de "religar-se" ao Criador.
O que fica desvalorizado aos olhos da Espiritualidade Superior é o combate que se trava entre os homens por questões religiosas, como se vivessem em eterna disputa, chegando ao absurdo das ditas "guerras santas".
Por enquanto a humanidade percorre vários caminhos em busca dessa verdade, mas chegará o dia em que o Universalismo será pleno, então haverá um só rebanho para um só pastor. E, como acontece no mundo espiritual, formaremos uma única corrente de trabalho, auxiliando a quem necessita, mostrando a necessidade caridade. Fora isso, tudo o mais fica por conta de nosso Ego.
É comum em sessões mediúnicas queridos amigos espirituais nos falarem que lá nos planos sutis, aonde nós muitas vezes vamos quando dormimos, mas ao acordar não  lembramos, existe uma grande família espiritual a nos esperar, velar e torcer por nós.
Dizem esses espíritos que nós devemos quebrar a barreira vibracional com sentimentos e pensamentos elevados, levando nossos corações até eles.
Devemos matar a saudade espiritual que existe dentro do nosso peito, deixar a intuição fluir. A espiritualidade nos fala que os protetores espirituais não são deuses nem mestres intocáveis que devemos reverenciar, mas sim, são amigos de jornadas, que em alguns casos nos conhecem de outras existências.
É importante chamá-los, recebê-los, conversar com eles, pedir ajuda, mas também sorrir e brincar juntos. Eles estão nos esperando, esperando que peçamos sua ajuda. Porém, dizem eles, que nós não os ouvimos, preferimos gastar nosso tempo com coisa supérfluas, que nada acrescentam, que na maioria as vezes só traz sofrimentos e dores.
É Muito fácil ter esses amigos ao nosso lado, haja vista, que o contato com o mundo espiritual não se dá apenas através da mediunidade, mas também através dos nossos pensamentos, ações, vibrações e sintonias. Até porque, a Mediunidade mesmo sendo coisa importante e séria, mas não diviniza nem inferioriza ninguém. Nós sabemos disso.
Nós devemos trabalhar em parceria com os amigos do mundo espiritual para o bem de todos, apenas isso.
No entanto, complicamos muito as coisas. Na verdade tudo é muito simples. Os amigos espirituais nos chamam a atenção lembrando-nos que devemos parar de julgar as manifestações ou as experiências do outro no que diz respeito a sua conduta ou  às suas crenças.
Podemos até não concordar , mas caso para ele faça sentido, deixe. É dele! Isso lembra muito a postura daquele que não consegue fazer melhor e por isso mesmo vive a criticar e apontar o defeito dos outros.
Esse contato com o mundo espiritual, quer seja pela sintonia, pelas vibrações, pela oração ou pela mediunidade  são de foro íntimo, cada um busca a sua maneira.
 E cada um fique feliz com a sua maneira de ser! A  dedicação e o estudo ajudam muito nesse sentido. Porque o que realmente conta é o nosso dia-a-dia, como pessoa comum, passando pelo crivo do grande mestre que é a vida. Não adianta nada estudar muito e praticar pouco, principalmente em relação à humildade, tolerância, ao perdão e o amor.
Fazer caridade é muito bom, ou melhor, é necessário. Se além da caridade em si, essa caridade nos esclareça o seu real sentido, melhor ainda. Tem gente que acha que doando uma cesta básica de Natal, ao desencarnar será "salvo". Outros ainda se acham muito especiais e caridosos, verdadeiros missionários.
 Não devemos cair nessa bobagem. Saibamos que, em verdade, ao auxiliar os outros estamos ajudando a nós próprios. E quando fizer a caridade, também não apenas dê o peixe, ensine as pessoas a pescarem.
Podería-se dizer que existe dois tipos de caridade: A caridade de consolação, que ergue a pessoa e, a caridade do esclarecimento, que é aquela que depois que outro já está de pé, vai ensiná - lo a andar. Devemos pensar nisso.
Fazer Caridade sempre que surgir a oportunidade de auxiliar o irmão.  Esclarecendo que todos podem fazer a sua aura brilhar e contagiando as pessoas com alegria e vontade de viver.
Outro chamamento dos amigos espirituais diz respeito ao trabalho em grupo, que é coisa séria, onde deve haver amizade, alegria, união, sem no entanto, transformá-lo reunião social. Os espíritos escutam os nossos pensamentos e não estão nada interessados em nossas preferências físicas,nem em nossas preferências dentro do grupo, nem dão importância a isso.
Tão pouco são cúmplices das fofocas, guerras de vaidade e ciúmes que existem dentro do mesmo. Um trabalho em grupo é uma benção e oportunidade única de evolução, tanto de encarnados como desencarnados.
Devemos aproveitar bem, pois, Existe um montão de mestres esperando por nós no mundo espiritual, mas muitas vezes eles não conseguem nos amparar, porque nós não paramos de pensar em coisas que não acrescentam nada, ou como a vida é difícil e injusta com conosco
Lembrando do ditado: “Vela acesa só tem valor se o coração estiver aceso antes”. Caso contrário, perde seu valor.
Os amigos desencarnados nos pedem que não sejamos espiritualistas pela metade. Durante o dia ficamos pensando em espiritualidade, mas ao dormir, que é a grande hora onde o espírito se liberta do corpo físico,não pensamos em nada, estamos cansados, ficamos com preguiça e logo nossas mentes são invadidas por um monte de coisas, adormecendo na mais perfeita desordem.
No mínimo oremos ao deitar-se. Agradeçamos o dia, coloquemo-nos à disposição do aprendizado, lembremos dos amigos do mundo espiritual que estão nos oferecendo ajuda, aproveitemos as horas de sono.Elas são chaves de acesso ao crescimento espiritual.
Somos lembrados constantemente pela espiritualidade para deixarmos de lado o preconceito, que pode ser resumido em apenas uma palavra: ignorância!
A ignorância é que faz com que nós criemos paredes e preconceitos em todos os sentidos. Devemos entender que todos os caminhos levam a Deus, mas muitos acham que seu caminho é melhor do que dos outros, não é mesmo?
Dizem os espíritos: Do lado de cá nós adoramos música.  Ela rejuvenesce a alma, acorda o coração e desperta a intuição. Dizem que devemos aproveitar as músicas de qualidade. Elas são ótimas e verdadeiro brilho e alimento para o espírito. Devemos escutar também a música que os espíritos superiores cantam secretamente dentro do coração de cada um de nós.
É a música da Criação, ela está em todos, mas só pode ser escutada quando a mente silencia e o coração brilha. Os espíritos nos pedem para pensarmos também na natureza através da música suave, nos direcionando no mentalmente a um desses sítios sagrados, verdadeiros altares vivos do amor de Deus.
Dizem que pensemos na força curativa das matas, na força amorosa e pacificadora das cachoeiras, da limpeza energética que o mar traz ao espírito. Isso traz sintonia, reciclagem energética e boa disposição. Façam isso por vocês e fiquem bem, nos pedem nossos amigos espirituais.
Por fim, nos pedem para nos dedicarmos mais ao autoconhecimento. Ele é muito importante. E um dia, mesmo que isso demore milênios, nós nos conheceremos tanto que realmente descobriremos nossa natureza divina.
Nesse dia, as cortinas da ilusão se abrirão nós veremos o universo a nossa frente.
Não existirá mais céu nem mundo material. Nem eu nem você. Apenas Ele...Pai e Mãe dentro de nós mesmos!