segunda-feira, 4 de junho de 2012

Namorar ou ficar?

Por - Gilberto L. Tomasi

Muito embora as vezes, seja motivo de piada, em função da mentalidade atual, é necessário falar sobre  o tema porque ele está na raiz de muitos problemas que envolvem a evolução humana. A própria palavra “namoro” perdeu o sentido inicial de despertar amor, de criar situações para o conhecimento entre os parceiros. E, para que duas pessoas possam se relacionar harmoniosamente, a condição indispensável é que se conheçam bem.

Antigamente namorar era envolver-se com o outro no sentido de perceber as afinidades ou as incompatibilidades entre o casal. Hoje isto parece remoto e  namorar ficou ridículo. Não se namora mais, fica-se, atitude muitas vezes traduzidas na expressão, um pouco vulgar, “catar”.A menina ou o menino foi “catado”.

Com o espiritismo, sabemos que estamos na terra para o progresso espiritual. Todas as oportunidades da vida material devem ser pois, de forma consciente transformadas em  degraus evolutivos. Assim sendo, nossa vida afetiva, especialmente, é ponto crucial para esse objetivo.

 Com kardec, aprendemos que  a poligamia,  coisa corriqueira nos namoros atuais, significa atraso moral, pois o poligâmico se preocupa  apenas consigo mesmo desrespeitando  o sentimento do parceiro. É a vitória do orgulho e do egoísmo que aí encontram mais um estímulo para permanecerem no coração humano,

Em contrapartida, a monogamia desperta no casal o estímulo para a construção da  vida a dois e, ao longo dos tempos, superando as crises, as diferenças individuais, vai harmonizando-se, construindo o amor sereno e profundo que traz a felicidade pelo amadurecimento espiritual.

Todo o relacionamento conjugal precede de um determinado tempo de maturação afetiva, marcado por um período denominado namoro. Portanto, segundo a visão espírita, traduzida pelas palavras de Emanuel (espírito) no livro Vida e Sexo o namoro se traduz por um suave encantamento, onde dois serem descobrem um no outro de maneira imprevista, motivos para a entrega recíproca, numa relação  saudável. Relação essa, que termina em casamento ou relação estável.

O livro dos espíritos, nas questões 695/696, nos ensina que o casamento, ou a união estável nos dias atuais, é um progresso na marcha da humanidade, e que sua abolição significaria o retorno à vida animal. E, guardadas as devidas proporções, o ato de ficar, que vai do simples beijo até a relação sexual, nada mais é do que a banalização do desrespeito ao ser humano, que é usado e jogado fora como algo descartável, e facilmente substituível. Hoje, troca-se de parceiro como quem troca de roupa, sem se deter sequer no tipo de sentimento que se provoca no outro, e nem sem si mesmo.

As pessoas, especialmente os jovens não dão tempo para o jogo da conquista, para o despertar dos sentimentos antigos que vêm do passado remoto, de outras encarnações, quando se prometeram um ao outro. E, depois choram por não encontrar um parceiro digno de seu amor.

O ficar não apenas desestimula um relacionamento mais profundo como alimenta a infidelidade, que aumenta  no casamento. O jovem de hoje passa pelo difícil teste de ter responsabilidade para bem direcionar a liberdade que conquistou para construir a vida feliz que sonha.

Sexo e responsabilidade precisam ser inseparáveis nos relacionamentos afetivos. Eis que namorar é preciso. Namorar mesmo . E não apenas ser amantes.

Agora, qual foi o fator que desencadeou o famoso ficar ? A decadência moral.  Há anos  atrás, tinha um programa na televisão, que era apresentado por Martha Suplicy, e nesse programa ela estimulava as moças a ficarem. Dizia ela, que era uma conquista feminina, igualando-se ao homem que sempre ficou. Isto foi um estímulo importante para o ficar. Só que propiciou à mulher igualar-se ao homem naquilo que ele tinha de mais negativo, a irresponsabilidade na lida com o sexo.

É bem verdade, que há bem pouco tempo tivemos uma grande e absurda repressão no campo sexual, hoje a liberdade é mais do que irrestrita. Entre esses dois extremos está o meio termo, o equilíbrio, se  questiona portanto,  se os espíritas não estão muito apáticos com a situação, achando tudo muito normal.

Acontece, que a toda repressão, segue-se uma liberação natural, a história nos tem mostrado isso. Entretanto, o espírita, tem muita responsabilidade porque ele sabe do valor do sexo na construção do futuro feliz e precisa educar seus filhos com este pensamento.

Os jovens precisam saber da responsabilidade que têm no relacionamento afetivo. Os adultos precisam saber que as relações sexuais trazem comprometimento espiritual e, consequentemente, não podemos viver como se isso não existisse. Mas, é difícil enfrentar a sociedade que na maioria das vezes policia um comportamento mais vinculado à moral mais ligado ao compromisso espiritual. É aí que o espírita tem entregado os pontos também.

Esse tema é importante por nos leva a reflexão, buscando em Jesus a orientação para o nosso aprimoramento espiritual. Devemos lembrar que quando Emmanuel fala em lar constituído, não se refere a papéis, a casamento civil, etc.., ele fala da responsabilidade um com o outro, de assumir o filho que vier, de assumirem-se um ao outro não trocando de parceiro na primeira oportunidade.

Os namoros, hoje em dia, não têm compromisso de construção de uma família pela felicidade do relacionamento sexual. Assim, na primeira discussão, termina-se o namoro, arranja-se outro parceiro e aí um novo relacionamento sexual no famoso “ficar”

Se o casal se ama e tem maturidade para o relacionamento sexual, que se case, ou vão morar juntos então Sexo, é comprometimento afetivo e sentimental com relação ao parceiro. Ao mesmo tempo em que o casal se vincula energeticamente um ao outro, marcando-se, gerando compromissos dentro da lei de causa e efeito.

As pessoas, os “ficantes”, ainda não entendem, que relação sexual não acaba após o orgasmo. Ela gera efeitos no campo magnético dos envolvidos. E a falta de responsabilidade, nessa relação, gera efeitos, geralmente desagradáveis, como a vida tem nos mostrado.

Nós espíritas, sabemos, que somos espíritos encarnados com o objetivo do progresso. O corpo físico é dotado das características sexuais com as quais deveremos conquistar esse progresso. O sexo, assim, tem a função principal de gera filhos, de perpetuar a espécie.

Na questão 298 do livro dos espíritos, vemos que a maior parte dos relacionamentos matrimoniais que são felizes, só o são, relativamente pelas afinidades de suas inclinações e instintos. Apenas nas esferas superiores, nos dizem os espíritos, é que encontra a verdadeira união e reciprocidade entre os espíritos.


Consultas – Vida e Sexo (Emanuel)
O Livros dos Espíritos ( A Kardec)
Pesquisa diversas




quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ética

As enciclopédias definem o homem como um “animal racional, moral e social, mamífero, bípede, bímano, capaz de linguagem articulada, que ocupa o primeiro lugar na escala zoológica; ser humano...”
O momento mais eloquente do seu processo evolutivo deu-se quando adquiriu a consciência para discernir o bem do mal, a verdade da impostura, o certo do errado.
Pitágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas, enquanto Sócrates elucidava ser o objeto mais direto da preocupação filosófica.
Sócrates e Platão estabeleceram que o homem era o resultado do ser ou Espírito imortal e do não ser ou sua matéria que, unidos, lhe facultavam o processo de evolução.
O homem é o único animal ético existente. Para adquirir a condição de uma consciência ética é convidado a desafios contínuos, graças aos quais discerne o bem do mal, o belo do feio, o lógico do absurdo.
A fim de lograr o domínio desses legítimos valores, aplica outra das suas características essenciais, que é o de ser um animal biossocial. A vida de relação com os demais indivíduos é-lhe essencial ao progresso ético. Isolado, asselvaja-se ou entrega-se a uma submissão indiferente, perniciosa.
Diversos caminhos, porém, deverá ele percorrer para que a autoconsciência lhe descortine as aquisições éticas indispensáveis: a afirmação de si mesmo, a introspecção, o amadurecimento psicológico e a autovalorização entre outros...
Discute-se muito, na atualidade, a questão das conquistas éticas e morais, intentando-se explicar que a falta de sentimento e de amor responde pelos desatinos que aturdem a sociedade.
Somente uma atitude saudável e uma emoção equilibrada, sem vestígios de ódio, podem conduzir-nos para o bem, o êxito, a felicidade.
A introspecção ajuda-o, por ser o processo de conduzir a atenção para dentro, para a análise das possibilidades íntimas, para a reflexão do conteúdo emocional e a meditação que lhe desenvolva as forças latentes.
A experiência do amor é essencial, pois que, somente através dele se rompem as couraças do ego, do primitivismo, predominante ainda em a natureza humana.
As ações humanistas são o passo que desvela a consciência ética no indivíduo que já não se contenta com a experiência do prazer pessoal, egoísta, dando-se conta das necessidades que lhe vigem em volta, aguardando a sua contribuição. Nesse sentido, a sua humanidade se dilata, por perceber que a felicidade é um estado de bem-estar que se irradia, alcançando outros indivíduos ao invés de recolher-se em detrimento do próximo. Qual uma luz, expande-se em todas as direções, sem perder a plenitude do centro de onde se agiganta. Amplia-se-lhe, desta forma, o senso da responsabilidade pela vida em todas as suas expressões, tornando-o um ser humano ético, que é agente do progresso, das edificações beneficentes e culturais.
A consciência ética é a conquista da iluminação, da lucidez intelecto-moral, do dever solidário e humano.
Texto adaptado do livro: O homem integral – psicografado por Divaldo Franco – Joana de Angelis (autora espiritual)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Jesus Hoje


“Jesus é o diamante que se tornou estelar, mantendo o brilho interior, sem permitir-se ofuscar, clareando consciências e amando-as. Todo o Seu é ministério de esperança e de amor, de compaixão de auxílio, movimentado pela ação do Bem, único recurso para minimizar ou anular as ocorrências dos infortúnios ocultos.

Conhecendo cada pessoa que dEle se acercava, graças à capacidade de penetrar o insondável do coração e da mente, sem humilhar ou jactar-se, conseguia oferecer combustível de amor para a transformação interior que se deveria operar, e quando essa não ocorria, assim mesmo estimulava ao seu prosseguimento, pois que um dia seria alcançada...

A humanidade de Jesus está muito bem delineada na parábola do bom samaritano, exemplo máximo de solidariedade, de elevação de sentimentos, de caridade...como Ele próprio o fazia.

Por isso, não é importante alguém apenas confessar-se crente em Jesus ou não, mas imitá-Lo, em razão do que Ele inspira, do sentido e significado da Sua existência na Terra e da Sua passagem entre as criaturas, quando do Seu apostolado de amor, exarados nos Seus feitos.

O homem moderno necessita ouvir Jesus de fato, sentir os exemplos que ressumam da Sua história e que estão ressuscitados nos Seus seguidores, que procuram fazer conforme Ele realizava na direção do alvo essencial, que é a libertação das paixões constritoras que remanescem no egotismo da natureza animal, transformando-se em realidade espiritual”.

Autor: Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Quando orares


Por – Joilson José Gonçalves Mendes
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”. Jesus – Mateus 6:6
O ensinamento do Mestre sobre a oração poderá fazer com que o leigo perceba certa contradição, quando de outra passagem, em que Jesus ensina que devemos nos manter constantemente em oração e vigilância. Mas para aquele que mergulha nos ensinamentos da Boa Nova não há contradição alguma.
Para orarmos não necessitamos de um local fechado, um ambiente físico, o quarto de que fala o Mestre é o nosso coração. Jesus ensina que devemos voltar para dentro de nós mesmos, em nosso templo interior e nos elevarmos a um nível mais alto de consciência.
Quando mergulhamos em nosso íntimo, controlando a nossa respiração de maneira lenta e profunda, tendemos a acalmar a mente, como dizia um mestre indiano: “O corpo segue a mente, a mente segue a respiração”. Yogi Bhajan
Agindo desta forma manteremos um contato mais aproximado com o nosso íntimo, percebendo melhor nossos pensamentos e sentimentos, com maior oportunidade de realizar o trabalho interior de autoconhecimento.
Em tempos em que “Time is Money” as pessoas vivem condicionadas como máquinas a cumprir tarefas de maneira sistemática e ininterrupta. Este comportamento é o causador de várias enfermidades e a cada dia que passa surgem novas doenças, sem que a medicina consiga acompanhar.
Ao entrares em teu templo interior e orares silenciosamente, no ritmo calmo e profundo da tua respiração, terás a oportunidade de se deparar com quem realmente és, com a essência do teu íntimo. Estás preparado?
Os pensamentos se acalmarão, a ansiedade, a melancolia, medos, frustrações e decepções da vida deixarão de ter importância. Velhos condicionamentos serão quebrados, uma percepção nova e diferenciada da vida surgirá.
É o novo ser nascendo de dentro para fora. Medos e conflitos não mais existirão é a recompensa do Pai que vê em secreto, como ensina Jesus. Conhecerás, então, a verdade que liberta e começará a perceber o próximo, suas necessidades, suas dores e dramas. Neste estágio perceberá o despertar do sentimento que é o antecessor do amor, a compaixão.
Tendo abandonado o “homem velho” suas ações estarão voltadas em benefício do próximo, muitas vezes, não mais se preocupará consigo a prioridade será o outro. Digo muitas vezes porque ainda terá muito a melhorar, a transformação é constante, ininterrupta e sem fim, contudo, será mais rápida do que antes.
Com o passar do tempo, passaras a vibrar em um nível de consciência mais elevado em que, o contato com seres mais adiantados será de fácil acesso. Novas transformações ocorrerão, outros véus cairão e aspectos da verdade até então desconhecidos serão revelados. É o Pai novamente a te recompensar.
Jesus, médico das almas continua a curar-te. Onde quer que estejas lembre-se de entrar em teu quarto e, quem sabe, um dia, encontrarás Jesus em ti.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ser ou não ser espírita

Por - Gilberto L Tomasi
Sempre que nossa consciência nos cobra sobre determinadas situações em que agimos de forma grosseira, estúpida ou quando perdemos a paciência, a coerência, a responsabilidade e a serenidade, agindo de forma contrária aos bons usos e costumes costumamos justificar essas atitudes com a máxima: Sou espírita, mas não sou “santo”.
Num primeiro momento, a assertiva não deixa de ser verdadeira, afinal, diante do nosso entendimento, poderiam ser enquadrados como “santos”, aqueles espíritos mais evoluídos, que certamente não agiriam de forma a se arrepender ou a querer justificar o erro.
No entanto, quase sempre, essa justificativa tem a conotação um tanto viciosa de querer argumentar que pelo fato de não termos atingindo um mínimo de evolução temos o direito de nos deixar levar pelos nossos hábitos e costumes ainda presos a erros e vícios de vidas pretéritas.
O que dizer então das palavras de Kardec, quando afirma que: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, pelos esforços que faz em domar suas más tendências”? Alguns dirão que muito embora estejam freqüentando ou estudando a doutrina espírita à décadas, ainda não se consideram espíritas, ou ainda, que, apesar de tantos anos de estudo, o espírito  não atingiu um ponto tal de evolução  que os permita a vivenciar a afirmativa de Kardec, ou seja, a prática do esforço e força de vontade conforme nos esclarece Joana de Angelis.
Agindo dessa forma, com certa falsa modéstia, querendo sempre justificar-se de seus deslizes diante deste ou daquele, atribuindo ao ditado popular de que: “na prática a teoria é outra“ estão apenas se acovardando diante de uma situação que poderia ser evitada se estivessem realmente imbuídos no propósito de mudar, de rever alguns conceitos e outros tantos valores perdidos ou esquecidos.
Ainda é comum alguns espíritas justificarem suas atitudes, principalmente os erros, na expressão: “prova e expiação”. Esquecem no entanto, que nem sempre os erros cometidos ou a falta de vontade e determinação para fazer a reforma íntima estão diretamente ligados à situações vivenciadas anteriormente. Pelo contrário, a maioria de nossos vícios e erros são adquiridos aqui, quer seja pela nossa fraqueza, irresponsabilidade ou indiferença diante dos fatos. Nos parece, ser muito cômodo não assumirmos uma posição  verdadeira, responsável e objetiva no sentido de procuramos lapidar as asperezas que ainda mancham nosso perispirito.
Ser espírita é aceitar os princípios básicos da Doutrina, não exitando em responder quando perguntado, sim, sou espírita, e não incorrer no chavão, “estou tentando”, como justificativa de ser um espírita imperfeito, que se encontra estacionado no caminho ou se distanciou dos seus objetivos, pois recua frente a obrigação de se reformar, ou porque prefere a companhia dos que participam de suas fraquezas.
Segundo Kardec, o bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, conduz, forçosamente à prática da lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pois um e outro são a mesma coisa. O espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.
O verdadeiro espírita não se julga perfeito, até porque se o fosse não estaria reencarnado aqui na Terra, local de prova e expiação, mas aquele que agradece e aproveita todas as oportunidades que a vida lhe oferece, vivendo de forma simples, humilde, vislumbrando no próximo a oportunidade de crescimento, de evolução e reforma íntima. Não se julga superior e nem tampouco se deixa levar por ganhos materiais, escolhendo uns poucos em detrimento da maioria.
Chico Xavier já dizia que ser espírita é viver para o “povo”, para aqueles que mais necessitam, sem se deixar elitizar de forma a não ver e observar que todos somos iguais perante ao Pai.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A teoria do risco - livre arbítrio e determinismo

  

Por - Gilberto L. Tomasi

Para facilitar a caminhada do homem rumo  sua evolução, vivenciando a lei de ação e reação, e para facilitar o seu entendimento, surge a teoria do risco, que tem por finalidade esclarecer a interligação existente entre o livre arbítrio do ser humano com o determinismo de deus.
Vive o encarnado, dia após dia, situações de risco e, a cada triunfo conseguido, ultrapassando obstáculos e utilizando corretamente a sua liberdade de decisão, se aproxima do sucesso almejado em sua jornada terrena. É bom esclarecer, inicialmente, que essa teoria.
Apesar de existir sob outra forma no plano espiritual, da maneira como vai ser aqui exposta deve ser aplicada somente aos encarnados. E, dentro dessa teoria do risco, vamos falar sobre o livre-arbítrio e o determinismo.

Livre-arbítrio
O livre-arbítrio é a faculdade que o ser humano tem de eleger o seu próprio caminho, é o seu comando de vida, resistindo ou cedendo ás suas boas ou más  tendências e ás influências que recebe dos espíritos elevados ou inferiores. A liberdade de ação de cada encarnado, entretanto, pode ser limitada pelo determinismo do plano superior. (o livre-arbítrio é ilimitado na intenção do homem. As ações,no entanto, que visam colocar em prática essa intenção, podem ser limitadas pela vontade de deus.)
Cada prova que o homem tem pela frente, durante o estágio na crosta terrestre, incide o bom ou o mau uso do seu livre-arbítrio, conforme esteja sendo utilizado mais ou menos próximo aos ensinamentos de Jesus. O livre arbítrio do homem jamais é tolhido ou influenciado pelo de outrem – encarnado ou desencarnado – sem que o homem queira ou consinta. Se as suas decisões são desviadas do primeiro intento, na verdade tal situação é permitida consciente ou inconscientemente pela própria pessoa que está decidindo.
Situações de interferências no campo das decisões tomadas no plano material podem nascer de obsessões ou influenciações, às quais todos os seres humanos estão sujeitos, porém o mau uso do livre-arbítrio, originário dessas influências de entidades inferiores, não afasta a responsabilidade do encarnado, que permite essa aproximação e, por vezes, a dominação de seus passos por tais espíritos. Enfim, o homem é sempre responsável por seus atos quando se desvia da trilha do bem.
Sendo a crosta terrestre um ambiente evolucional neutro, confere a todo indivíduo a possibilidade de vencer qualquer prova que tenha pela frente, bastando somente a aplicação da fé, o exercício da força de vontade e a promoção da reforma íntima. Deve, pois, o homem resistir à suas más tendências, afastando idéias desviadas do evangelho e se desvincular de qualquer assédio nesse sentido por parte de encarnados ou desencarnados.
Nesse contexto, ao receber inspirações ou intuições de espíritos superiores, cabe ao seu livre-arbítrio aceita-las e assimilar cada uma ou não. Se as aceitar estará exercitando positivamente o seu poder de decisão plena. As vezes ocorrem intuições ordenativas, ou seja, sugestões transmitidas energicamente pelo plano superior. Mas mesmo assim, não suprimem a livre aceitação por parte de quem recebe a mensagem.
Não se deve falar em abuso de livre-arbítrio, mas tão-somente em bom ou mau uso do mesmo. O ser humano tem opções livres a escolher durante a sua jornada terrena. Pode utilizar seu poder de decisão como melhor lhe convier, arcando sempre com as consequencias de seus atos, positivos ou negativos. Desvios nessa rota de decisão fazem parte do processo evolutivo, já que o encarnado não deixa de aprender também com os seus erros.

Determinismo
O determinismo é a vontade de Deus, atuando nos fatos através de suas leis ou por intermédio de seus emissários, com vistas a garantir o progresso geral. Portanto, sempre que o alto deseja que alguma situação ocorra no plano material ou que alguém seja colocado frente a um acontecimento qualquer utiliza-se do determinismo, ou seja, materializa-se a vontade superior. Jamais o determinismo diminui do encarnado o seu livre-arbítrio, mas pode influir em ocorrências, determinando situações que, aparentemente, parecem retirar do homem a sua livre decisão. Exemplo disso é a concretização do desencarne de um médium que viesse utilizando para o mal ou desviando a finalidade de sua mediunidade, colocando em risco terceiros e a própria credibilidade da doutrina espírita. Nesse caso, por determinismo, o médium, colocado em uma situação de risco termina desencarnando. Por outro lado, o espírito pode – dependendo do seu grau de evolução – escolher livremente a trajetória que irá trilhar na crosta, ainda antes de seu  reencarne.
Uma vez que opte, por exemplo, para retornar à carne num corpo material defeituoso, é preciso a atuação do determinismo para garantir esse tipo de reencarnação, enviando-o, efetivamente, a um corpo privado de uma determinada condição física. Percebe-se que, sem o determinismo, não haveria controle por parte da superioridade ante o desvio e  a má utilização do livre-arbítrio por parte do homem, nem seria possível controlar fenômenos naturais.
Ainda sob esse prisma o determinismo atua para enviar uma entidade recalcitante de volta à carne, sem que, nesse caso, predomine o livre-arbítrio.(  a vontade do espírito). Reencarnes compulsórios podem ser determinados pelo alto em favor do próprio espírito revoltado e reticente. Isso não significa cortar seu livre arbítrio, mais sim utilizar, em lugar deste, o determinismo para atingir objetivos elevados e justos.o determinismo, como pode se observar, por ser a atuação da vontade de deus, é sempre pleno de justiça e repleto de misericórdia.
O livre-arbítrio, por estar na alçada das criaturas, nem sempre é usado para boas finalidades. Em resumo, pode-se dizer que o livre-arbítrio é a ferramenta de trabalho do homem, enquanto que o determinismo serve como instrumento de ação do plano superior.  Ambos compõem a teoria do risco.

A teoria do risco
Essa teoria representa o estudo e a verificação prática da convergência existente entre livre-arbítrio e determinismo, visando, com isso apresentar regras básicas de entendimento das leis divinas e sua aplicação, facilitando a compreensão do mecanismo de evolução dos seres humanos.
Iniciemos a análise do tema com o seguinte quadro explicativo:
- Um espírito se prepara para reencarnar. Escolhe, por livre-arbítrio, a trajetória num determinado corpo físico, vinculado a família específica. A fim de garantir que reencarne nessa família e com o corpo a ele destinado, ingressa o determinismo do alto que, através de seus emissários, prepara o seu retorno á carne.
Uma vez reencarnado, e por estar ainda em fase infantil, desenvolvendo o seu discernimento e sua razão, ele se envolve em várias situações de risco, onde então vai imperar o determinismo para orientar os seus passos e garantir o seu amadurecimento no corpo material. Durante o seu crescimento aumentam as decisões livres que ele passa a tomar, elevando, ainda mais a sua responsabilidade em cada um de seus atos. Se durante a sua trajetória há a necessidade de reencontrar determinado inimigo do passado, que está reencarnado em algum lugar do globo, novamente o determinismo cuida de promover esse reencontro. Se o espírito tiver que se submeter a alguma prova para estimular o seu progresso espiritual é, por determinismo, colocado nessa situação de risco.
O espírito torna-se médico. À sua frente e em sua comunidade surge uma epidemia, que lhe obriga a responsabilidade de prestar socorro ao próximo. Por livre-arbítrio, ele pode ou não ajudar o seu semelhante. Caso decida ajudar, a convergência entre o determinismo do alto (que o coloca frente a uma epidemia) e o seu livre-arbítrio (decisão de ajudar o próximo)  acarreta o seu progresso espiritual. Caso deixe de prestar a ajuda pode contrair débitos, que serão resgatados futuramente e podendo até mesmo ficar estagnado nessa trajetória evolutiva.
Esse mecanismo continua existindo durante todo o seu estágio reencarnatório. Ao final, a última palavra cabe ao determinismo, quando chega o momento do seu desencarne, com o devido retorno á pátria espiritual para a sua devida avaliação. Assim sendo, o início e o fim da jornada na crosta terrestre se fazem por determinismo, quando chega o momento do seu desencarne, com o retorno á pátria espiritual para a sua devida avaliação.
Portanto, o início e o fim da jornada terrestre se dá por determinismo.
Algumas situações de risco são vivenciadas por determinismo, mas todas as ações e atitudes que implicam em decisões pessoais, que acabam gerando boas ou más consequencias para o homem, são tomadas por livre-arbítrio. Logo, deve-se ter em mente que nem tudo o que ocorre no mundo material se dá por força do determinismo, ou seja, pela vontade de Deus.
Há sempre a incidência do livre-arbítrio dos homens acarretando certas situações e trazendo determinadas consequencias. O homem tem, desde o seu reencarne, inúmeras provas ou expiações a enfrentar, necessitando do correto equilibrado uso do livre-arbítrio, ou seja, da faculdade de decidir os seus passos e o seu caminho, para poder triunfar em sua programação, alcançando a almejada depuração espiritual. Dessa forma, deve se ressaltar que o homem fazendo mau uso do livre-arbítrio pode ocasionar consequências desastrosas não só para ele, mas também para aqueles que estão a sua volta. Quando é o caso, a espiritualidade intervém em favor daqueles que seriam prejudicados pela má utilização do seu livre-arbítrio, impedindo que os efeitos negativos ultrapassem a sua própria pessoa. Neste caso, está o determinismo interferindo em uma situação de risco para que haja equilíbrio nas relações humanas, conforme a programação superior.
E, muito embora a teoria do risco tenha sempre por base a integração do determinismo com o livre-arbítrio, pode acontecer, quando isso é conveniente, que a espiritualidade maior não intervenha e portanto os efeitos negativos do mau uso do livre-arbítrio de um encarnado possam atingir também a terceiros. Neste caso a programação evolutiva de todos assim o permite.
Enquanto o homem fizer mau uso de seu livre-arbítrio, isso só ira lhe causar mais prejuízos, aumentando os seus débitos, ao passo que o seu bom uso, além de lhe proporcionar progressos, pode também , através do determinismo a lhe minimizar as suas provas e expiações. Um exemplo disso é o caso de alguém que tendo por programação – por causa de erros do passado - alguma perda ou algum mal corporal, por acidente ou não. E durante a sua jornada física ele vivencia o apego a caridade, prática e distribuição do amor – por livre-arbítrio -, pode ele por determinismo ter o mérito suficiente para obter o abrandamento de suas expiações em face de dívidas pretéritas, que são aliviadas pela ação caritativa do presente.
Infelizmente muitas pessoas ainda conservam a falsa idéia de que tudo acontece por determinismo, ou seja, que esse é o mecanismo que impulsiona todas as trajetórias no plano físico do mundo. Assim sendo, a idéia que se tem, é que tudo de mal ou de bom que acontece no globo são a vontade de Deus, como se deus fosse responsável pelos erros e desvios dos homens. A lógica divina não é essa.
O livre-arbítrio tem relevância nesse contexto. Muitos prejuízos vividos pelo homem, são consequencias de seus próprios atos. Logo não é justo dizer: tudo está traçado pelo destino,  ou então dizer,  que todos os males terrenos são determinados pelo alto. Assim como também seria falso afirmar, que todos os males da humanidade são provenientes do livre-arbítrio do homem.
O absolutismo dessas posturas não corresponde À realidade do processo evolutivo, pois como já dissemos anteriormente, de acordo com a interação explicada pela teoria do risco, ora prevalece o livre-arbítrio, e ora prevalece e determinismo. Isto porque em qualquer lugar ou momento da jornada terrena pode surgir uma situação de risco, quando então, o encarnado tomará uma decisão, usando bem ou mal o seu livre-arbítrio.
Essa situação de risco pode ser criada por determinismo ou por livre-arbítrio.
Outro tema relevante que tem relação com a teoria do risco é a lei de ação e reação. Para toda a ação praticada pelo homem, intencionalmente, vai corresponder uma reação em igual sentido. Assim, atos bons trazem efeitos positivos. Atos maus acarretam retornos negativos. Para garantir a ocorrência da reação, existe um mecanismo que não pode ser afastado, que é o determinismo. Para o desencadeamento de ações conscientes, se torna fundamental o exercício do livre-arbítrio.
Portanto, para cada ação intencional (que é a utilização do livre-arbítrio), existe, por determinismo, uma reação. E essa, é a relação da teoria do risco com a lei de ação e reação. Num contexto maior, se pode vislumbrar a importância desta teoria em termos de reencarnação: cada existência física que o homem vivência é composta de inúmeras situações de risco e a própria existência representa uma jornada de risco.
O homem responde pelo conjunto dos atos praticados ao longo de sua vida material e o resultado dessa avaliação vai constatar a sua evolução, a contração de novos débitos ou mesmo a estagnação.
Existem reencarnações de conteúdo predominantemente expiatório, ou seja, um retorno á matéria para expiar grandes erros do passado, e essa reencarnação é uma reação a uma trajetória anteriormente vivenciada.
Ilustrando, vejamos o seguinte quadro comparando a reencarnação atual com uma situação de risco, sob o prisma da lei de ação e reação.

Dentro da lei de ação e reação:
Ação (  livre-arbítrio)
Reação ( determinismo)

Dentro da teoria de risco:
1)     Situação de risco: envolve uma decisão (livre-arbítrio), positiva ou negativa, que acarreta uma reação em igual sentido (determinismo).
2)     Reencarnação: envolve um conjunto de decisões e ações do encarnado (livre-arbítrio) que lhe trás, como reação, outra reencarnação, cuja programação leva em conta a trajetória física anterior     (determinismo)
Pela lógica da teoria do risco, o bom uso do livre-arbítrio tem a força de modificar, quando possível, o determinismo do alto. Agora, uma das regras da teoria do risco é que o mal nunca, jamais, é fruto do determinismo e sim sempre é fruto do livre-arbítrio que é utilizado erroneamente.
O plano superior nunca conduz nenhum encarnado a cometer atos incompatíveis com os ensinamentos de Jesus. O que pode fazer é conduzir, por determinismo, duas pessoas a terem um encontro, para resgates mútuos. E o resultado  negativo desse encontro  (determinismo) é sempre fruto das decisões dos próprios homens envolvidos (livre-arbítrio), ou seja, um mal (vivenciado individual ou coletivamente), somente pode ser fruto do livre-arbítrio. Um bem (vivenciado individual ou coletivamente), pode ser tanto fruto do livre-arbítrio como do determinismo.
Existem duas situações de especial relevância na jornada evolutiva dos seres humanos (que não veremos agora) que merecem ser vistas á luz da teoria do risco: o suicídio e o duelo.

Conclusão

É importante frisar, que Deus sabe com antecendência tudo o que acontece, seja em termos de determinismo ou de livre-arbítrio. Assim cada passo que é dado pelo homem é conhecido pela sabedoria divina, antes mesmo de ser decidido. Entretanto, mesmo Deus sabendo de antemão todos os passos que serão dados pelo homem e tendo plena consciência dos caminhos que serão seguidos por seus filhos, ele não retira de qualquer ser humano a possibilidade da plena utilização de seu livre-arbítrio.
A princípio isso parece contraditório, porque poderia se argumentar que se Deus sabe qual será a decisão futura do homem, logo, o homem estaria limitado a tomar decisões sob esse prisma divino. No entanto a contradição não existe, porque o conhecimento de todas as coisas por parte de deus, está inserida num contexto maior, ou seja: a onipotência e a onisciência do criador.
Esses atributos exclusivos de Deus explicam, claramente, ser o conhecimento divino uma consequencia lógica do seu poder absoluto e de seu conhecimento pleno sobre todas as coisas. Conhecer previamente, a decisão adotada pelo encarnado não retira dele a capacidade de decisão.
O homem escolhe o seu caminho e Deus já conhece, de antemão. A decisão de escolha é do homem (livre-arbítrio). Pretender ter um esclarecimento mais amplo a esse respeito é tentar desvendar a natureza de Deus, que para nós encarnados, está longe de ser conhecida. Nas palavras de kardec “ a inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreendera natureza íntima de deus”
Como sabemos que nada acontece por acaso, e não há sofrimento sem causa e nem dádiva sem merecimento. Portanto, o livre-arbítrio é a faculdade que Deus deu ao homem para que ele se conduza dentro dos parâmetros cristãos, e o determinismo atua para corrigir eventuais distorções que venham a surgir ao longo de nossas jornadas. E a teoria do risco visa facilitar o entendimento do presente e do futuro, aumentando as possibilidades de êxito de todo o encarnado, rumo ao aperfeiçoamento do seu espírito, levando-o a se sentir cada vez mais realizado e feliz, com a compreensão do funcionamento da lei de ação e reação e a visão reencarnacionista da sua existência.

Consulta:
Espiritismo Aplicado (Elizeu Rigonati)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A evolução não dá saltos


Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Ao lermos o título acima podemos pensar que falar sobre este tema é algo redundante, é chover no molhado, chega a ser tautológico. Contudo, é comum escutarmos, em tempos de “transição”, a seguinte frase: “Tal ou tal situação deu um salto quântico”. Até parece que virou moda. Pode passar a impressão de que algo mágico aconteceu. Será que alguns seres que passaram milhões de anos nos caminhos tortuosos da vida, de agora em diante serão “salvos”? Mas esta frase, exceção feita ao fenômeno da física, carece de maior aprofundamento quando pronunciada em outros contextos.
O químico francês, Antoine Laurent de Lavoisier (1743 - 1794), considerado o criador da química moderna, promulgou que em a natureza “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Uma transformação não ocorre ao acaso, repentinamente, são necessários estágios anteriores para que ocorra uma mudança. As fases que antecedem a uma mudança exigem tempo e preparação.
Segundo Charles Robert Darwin (1809-1882), naturalista britânico, que escreveu sobre a evolução das espécies, para chegarmos a condição humana em que nos encontramos demoramos cerca de aproximadamente dois milhões de anos. Se considerarmos apenas o surgimento do Homo Sapiens teremos que retroagir há aproximadamente 200 mil anos.
Joana de Ângelis (espírito), pela psicografia de Divaldo Franco, vem corroborar com esta idéia ao dizer que para alcançarmos o estado evolutivo do cérebro, demoramos cerca de 250 milhões de anos, que no estágio atual de desenvolvimento estamos apenas a algumas dezenas de milhões de anos.
No livro – Evolução em dois mundos – de autoria de André Luiz (espírito), psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira - Primeira Parte - Capítulo III - Evolução e Corpo Espiritual – comentando sobre os primórdios da vida o autor espiritual assim se expressa:
“Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído. Séculos de atividade silenciosa perpassam, sucessivos...” (grifos nosso)
Mais adiante esclarecendo sobre a evolução no tempo explica que:
“segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos”. (grifos nosso)
Basta lermos a obra – A caminho da luz – psicografada por Chico Xavier, ditada pelo espírito Emmanuel que teremos uma pálida idéia de quanto tempo Jesus e os arquitetos celestes do universo estão tolerando pacientemente o progresso da humanidade. Obra que aborda desde a gênese planetária, passando pelas construções celulares, os primeiros habitantes da Terra, a elaboração das formas humanas, a raça adâmica, civilização egípcia, índia, apenas para citar as mais antigas, caminhando até o século XX.
Na questão 780 de O livro dos espíritos – os espíritos esclarecem ao codificador que a evolução moral é uma consequência do progresso intelectual, não o seguindo de imediato.
Na 781 é esclarecido que o homem não pode deter a marcha do progresso, todavia, poderá, algumas vezes, travar o avanço destinado ao ser humano.
Allan Kardec, na pergunta 783, desejou saber se o aperfeiçoamento da humanidade seguiria sempre uma marcha lenta e progressiva, ao que obteve como resposta: “Há o progresso regular e lento que resulta da força das coisas”.(grifo nosso)
Em - O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap 20 – Os trabalhadores da última hora – fazendo uma breve análise da parábola, notaremos que os trabalhadores da última hora, estão sendo chamados há séculos para o trabalho na vinha do Senhor, contudo, não estavam preparados para a tarefa. Saulo de Tarso, após seu encontro com o Cristo na estrada de Damasco, precisou de seis anos de preparação para sair e divulgar a Boa Nova.
Analisemos a evolução do ser humano nos últimos séculos. Duas grandes guerras em que muitos países foram totalmente destruídos, necessitando de tempo para a sua reconstrução; invenção do avião; industrialização; invenção do automóvel; a evolução dos computadores; pesquisas na área da saúde; evolução tecnológica avançada e por aí vai...
Porém, devemos ter em mente que todo o conforto científico tecnológico que nos cerca precisou de tempo de pesquisas, preparo dos cientistas, horas investidas em estudos, testes, retestes, duplicação da pesquisa por outros cientistas em diversos países para se chegar a um denominador comum.
Por analogia vamos trazer o acima exposto para o contexto da evolução espiritual. É comum observarmos pessoas que, ao despertarem para os ensinamentos que a Doutrina Espírita proporciona, desejam “abraçar o mundo”, querem realizar mil e uma tarefas na casa espírita, sendo que, na maioria das vezes não tem o devido preparo. Lembremos de Paulo.
Geralmente somos imediatistas por natureza e queremos resultados rápidos. Quando não encontramos a recíproca tendemos a desanimar, abandonamos a causa que vínhamos defendendo e culpamos os dirigentes. Ora, se estou ciente da causa que abracei, cabe trabalhar a paciência e a tolerância que como diz o adágio: “Quando o trabalhador está pronto, o trabalho aparece”.
Outro ponto a refletirmos é sobre a nossa evolução moral. Quantas pessoas encontramos no meio espírita que vivem se lamentando, em tom um tanto quanto depressivo, que o umbral a espera, que não acredita ter realizado muito em seu benefício espiritual. Outros ouvem uma palestra e dizem que tudo o que foi dito é muito difícil de por em prática. Ora, quando é que vai dar o primeiro passo? Ficar se lamentando é fácil. Mãos a obra, portanto.
Já sabemos que ninguém vai fazer por nós o que nós mesmos necessitamos realizar, que não existe “Fada Madrinha com varinha de condão” e que em um toque de mágica todos os nossos problemas serão resolvidos. Problemas estes que estamos adiando há séculos e que em nada tem a ver com o outro. O problema somos nós, está em nós. Necessitamos lapidar incessantemente, incansavelmente, a pedra bruta que ainda somos se um dia desejarmos nos transformarmos em pedra preciosa.
Não melhoraremos de uma hora para outra, mas também não podemos ficar sentados esperando o tempo passar. Muito já realizamos em nós e devemos ser gratos à Divindade por nossas conquistas e assim, avançarmos sempre. A evolução não dá saltos. “Fora da caridade não há salvação”, anunciou Allan Kardec. Temos todo o conhecimento de que necessitamos para o nosso avanço moral, só depende de nós. Paz e Luz.

Fontes:
- Franco, Divaldo Pereira .Triunfo pessoal - Pelo Espírito Joanna de Ângelis
- Kardec, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo
- Kardec, Allan. O livro dos espíritos
- Xavier, Francisco Candido. A caminho da luz – Pelo espírito Emmanuel
- Xavier, Francisco Candido / Waldo Vieira. Evolução em dois mundos – Pelo espírito André Luiz