sábado, 28 de janeiro de 2012

Quando orares


Por – Joilson José Gonçalves Mendes
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”. Jesus – Mateus 6:6
O ensinamento do Mestre sobre a oração poderá fazer com que o leigo perceba certa contradição, quando de outra passagem, em que Jesus ensina que devemos nos manter constantemente em oração e vigilância. Mas para aquele que mergulha nos ensinamentos da Boa Nova não há contradição alguma.
Para orarmos não necessitamos de um local fechado, um ambiente físico, o quarto de que fala o Mestre é o nosso coração. Jesus ensina que devemos voltar para dentro de nós mesmos, em nosso templo interior e nos elevarmos a um nível mais alto de consciência.
Quando mergulhamos em nosso íntimo, controlando a nossa respiração de maneira lenta e profunda, tendemos a acalmar a mente, como dizia um mestre indiano: “O corpo segue a mente, a mente segue a respiração”. Yogi Bhajan
Agindo desta forma manteremos um contato mais aproximado com o nosso íntimo, percebendo melhor nossos pensamentos e sentimentos, com maior oportunidade de realizar o trabalho interior de autoconhecimento.
Em tempos em que “Time is Money” as pessoas vivem condicionadas como máquinas a cumprir tarefas de maneira sistemática e ininterrupta. Este comportamento é o causador de várias enfermidades e a cada dia que passa surgem novas doenças, sem que a medicina consiga acompanhar.
Ao entrares em teu templo interior e orares silenciosamente, no ritmo calmo e profundo da tua respiração, terás a oportunidade de se deparar com quem realmente és, com a essência do teu íntimo. Estás preparado?
Os pensamentos se acalmarão, a ansiedade, a melancolia, medos, frustrações e decepções da vida deixarão de ter importância. Velhos condicionamentos serão quebrados, uma percepção nova e diferenciada da vida surgirá.
É o novo ser nascendo de dentro para fora. Medos e conflitos não mais existirão é a recompensa do Pai que vê em secreto, como ensina Jesus. Conhecerás, então, a verdade que liberta e começará a perceber o próximo, suas necessidades, suas dores e dramas. Neste estágio perceberá o despertar do sentimento que é o antecessor do amor, a compaixão.
Tendo abandonado o “homem velho” suas ações estarão voltadas em benefício do próximo, muitas vezes, não mais se preocupará consigo a prioridade será o outro. Digo muitas vezes porque ainda terá muito a melhorar, a transformação é constante, ininterrupta e sem fim, contudo, será mais rápida do que antes.
Com o passar do tempo, passaras a vibrar em um nível de consciência mais elevado em que, o contato com seres mais adiantados será de fácil acesso. Novas transformações ocorrerão, outros véus cairão e aspectos da verdade até então desconhecidos serão revelados. É o Pai novamente a te recompensar.
Jesus, médico das almas continua a curar-te. Onde quer que estejas lembre-se de entrar em teu quarto e, quem sabe, um dia, encontrarás Jesus em ti.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ser ou não ser espírita

Por - Gilberto L Tomasi
Sempre que nossa consciência nos cobra sobre determinadas situações em que agimos de forma grosseira, estúpida ou quando perdemos a paciência, a coerência, a responsabilidade e a serenidade, agindo de forma contrária aos bons usos e costumes costumamos justificar essas atitudes com a máxima: Sou espírita, mas não sou “santo”.
Num primeiro momento, a assertiva não deixa de ser verdadeira, afinal, diante do nosso entendimento, poderiam ser enquadrados como “santos”, aqueles espíritos mais evoluídos, que certamente não agiriam de forma a se arrepender ou a querer justificar o erro.
No entanto, quase sempre, essa justificativa tem a conotação um tanto viciosa de querer argumentar que pelo fato de não termos atingindo um mínimo de evolução temos o direito de nos deixar levar pelos nossos hábitos e costumes ainda presos a erros e vícios de vidas pretéritas.
O que dizer então das palavras de Kardec, quando afirma que: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, pelos esforços que faz em domar suas más tendências”? Alguns dirão que muito embora estejam freqüentando ou estudando a doutrina espírita à décadas, ainda não se consideram espíritas, ou ainda, que, apesar de tantos anos de estudo, o espírito  não atingiu um ponto tal de evolução  que os permita a vivenciar a afirmativa de Kardec, ou seja, a prática do esforço e força de vontade conforme nos esclarece Joana de Angelis.
Agindo dessa forma, com certa falsa modéstia, querendo sempre justificar-se de seus deslizes diante deste ou daquele, atribuindo ao ditado popular de que: “na prática a teoria é outra“ estão apenas se acovardando diante de uma situação que poderia ser evitada se estivessem realmente imbuídos no propósito de mudar, de rever alguns conceitos e outros tantos valores perdidos ou esquecidos.
Ainda é comum alguns espíritas justificarem suas atitudes, principalmente os erros, na expressão: “prova e expiação”. Esquecem no entanto, que nem sempre os erros cometidos ou a falta de vontade e determinação para fazer a reforma íntima estão diretamente ligados à situações vivenciadas anteriormente. Pelo contrário, a maioria de nossos vícios e erros são adquiridos aqui, quer seja pela nossa fraqueza, irresponsabilidade ou indiferença diante dos fatos. Nos parece, ser muito cômodo não assumirmos uma posição  verdadeira, responsável e objetiva no sentido de procuramos lapidar as asperezas que ainda mancham nosso perispirito.
Ser espírita é aceitar os princípios básicos da Doutrina, não exitando em responder quando perguntado, sim, sou espírita, e não incorrer no chavão, “estou tentando”, como justificativa de ser um espírita imperfeito, que se encontra estacionado no caminho ou se distanciou dos seus objetivos, pois recua frente a obrigação de se reformar, ou porque prefere a companhia dos que participam de suas fraquezas.
Segundo Kardec, o bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, conduz, forçosamente à prática da lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pois um e outro são a mesma coisa. O espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.
O verdadeiro espírita não se julga perfeito, até porque se o fosse não estaria reencarnado aqui na Terra, local de prova e expiação, mas aquele que agradece e aproveita todas as oportunidades que a vida lhe oferece, vivendo de forma simples, humilde, vislumbrando no próximo a oportunidade de crescimento, de evolução e reforma íntima. Não se julga superior e nem tampouco se deixa levar por ganhos materiais, escolhendo uns poucos em detrimento da maioria.
Chico Xavier já dizia que ser espírita é viver para o “povo”, para aqueles que mais necessitam, sem se deixar elitizar de forma a não ver e observar que todos somos iguais perante ao Pai.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A teoria do risco - livre arbítrio e determinismo

  

Por - Gilberto L. Tomasi

Para facilitar a caminhada do homem rumo  sua evolução, vivenciando a lei de ação e reação, e para facilitar o seu entendimento, surge a teoria do risco, que tem por finalidade esclarecer a interligação existente entre o livre arbítrio do ser humano com o determinismo de deus.
Vive o encarnado, dia após dia, situações de risco e, a cada triunfo conseguido, ultrapassando obstáculos e utilizando corretamente a sua liberdade de decisão, se aproxima do sucesso almejado em sua jornada terrena. É bom esclarecer, inicialmente, que essa teoria.
Apesar de existir sob outra forma no plano espiritual, da maneira como vai ser aqui exposta deve ser aplicada somente aos encarnados. E, dentro dessa teoria do risco, vamos falar sobre o livre-arbítrio e o determinismo.

Livre-arbítrio
O livre-arbítrio é a faculdade que o ser humano tem de eleger o seu próprio caminho, é o seu comando de vida, resistindo ou cedendo ás suas boas ou más  tendências e ás influências que recebe dos espíritos elevados ou inferiores. A liberdade de ação de cada encarnado, entretanto, pode ser limitada pelo determinismo do plano superior. (o livre-arbítrio é ilimitado na intenção do homem. As ações,no entanto, que visam colocar em prática essa intenção, podem ser limitadas pela vontade de deus.)
Cada prova que o homem tem pela frente, durante o estágio na crosta terrestre, incide o bom ou o mau uso do seu livre-arbítrio, conforme esteja sendo utilizado mais ou menos próximo aos ensinamentos de Jesus. O livre arbítrio do homem jamais é tolhido ou influenciado pelo de outrem – encarnado ou desencarnado – sem que o homem queira ou consinta. Se as suas decisões são desviadas do primeiro intento, na verdade tal situação é permitida consciente ou inconscientemente pela própria pessoa que está decidindo.
Situações de interferências no campo das decisões tomadas no plano material podem nascer de obsessões ou influenciações, às quais todos os seres humanos estão sujeitos, porém o mau uso do livre-arbítrio, originário dessas influências de entidades inferiores, não afasta a responsabilidade do encarnado, que permite essa aproximação e, por vezes, a dominação de seus passos por tais espíritos. Enfim, o homem é sempre responsável por seus atos quando se desvia da trilha do bem.
Sendo a crosta terrestre um ambiente evolucional neutro, confere a todo indivíduo a possibilidade de vencer qualquer prova que tenha pela frente, bastando somente a aplicação da fé, o exercício da força de vontade e a promoção da reforma íntima. Deve, pois, o homem resistir à suas más tendências, afastando idéias desviadas do evangelho e se desvincular de qualquer assédio nesse sentido por parte de encarnados ou desencarnados.
Nesse contexto, ao receber inspirações ou intuições de espíritos superiores, cabe ao seu livre-arbítrio aceita-las e assimilar cada uma ou não. Se as aceitar estará exercitando positivamente o seu poder de decisão plena. As vezes ocorrem intuições ordenativas, ou seja, sugestões transmitidas energicamente pelo plano superior. Mas mesmo assim, não suprimem a livre aceitação por parte de quem recebe a mensagem.
Não se deve falar em abuso de livre-arbítrio, mas tão-somente em bom ou mau uso do mesmo. O ser humano tem opções livres a escolher durante a sua jornada terrena. Pode utilizar seu poder de decisão como melhor lhe convier, arcando sempre com as consequencias de seus atos, positivos ou negativos. Desvios nessa rota de decisão fazem parte do processo evolutivo, já que o encarnado não deixa de aprender também com os seus erros.

Determinismo
O determinismo é a vontade de Deus, atuando nos fatos através de suas leis ou por intermédio de seus emissários, com vistas a garantir o progresso geral. Portanto, sempre que o alto deseja que alguma situação ocorra no plano material ou que alguém seja colocado frente a um acontecimento qualquer utiliza-se do determinismo, ou seja, materializa-se a vontade superior. Jamais o determinismo diminui do encarnado o seu livre-arbítrio, mas pode influir em ocorrências, determinando situações que, aparentemente, parecem retirar do homem a sua livre decisão. Exemplo disso é a concretização do desencarne de um médium que viesse utilizando para o mal ou desviando a finalidade de sua mediunidade, colocando em risco terceiros e a própria credibilidade da doutrina espírita. Nesse caso, por determinismo, o médium, colocado em uma situação de risco termina desencarnando. Por outro lado, o espírito pode – dependendo do seu grau de evolução – escolher livremente a trajetória que irá trilhar na crosta, ainda antes de seu  reencarne.
Uma vez que opte, por exemplo, para retornar à carne num corpo material defeituoso, é preciso a atuação do determinismo para garantir esse tipo de reencarnação, enviando-o, efetivamente, a um corpo privado de uma determinada condição física. Percebe-se que, sem o determinismo, não haveria controle por parte da superioridade ante o desvio e  a má utilização do livre-arbítrio por parte do homem, nem seria possível controlar fenômenos naturais.
Ainda sob esse prisma o determinismo atua para enviar uma entidade recalcitante de volta à carne, sem que, nesse caso, predomine o livre-arbítrio.(  a vontade do espírito). Reencarnes compulsórios podem ser determinados pelo alto em favor do próprio espírito revoltado e reticente. Isso não significa cortar seu livre arbítrio, mais sim utilizar, em lugar deste, o determinismo para atingir objetivos elevados e justos.o determinismo, como pode se observar, por ser a atuação da vontade de deus, é sempre pleno de justiça e repleto de misericórdia.
O livre-arbítrio, por estar na alçada das criaturas, nem sempre é usado para boas finalidades. Em resumo, pode-se dizer que o livre-arbítrio é a ferramenta de trabalho do homem, enquanto que o determinismo serve como instrumento de ação do plano superior.  Ambos compõem a teoria do risco.

A teoria do risco
Essa teoria representa o estudo e a verificação prática da convergência existente entre livre-arbítrio e determinismo, visando, com isso apresentar regras básicas de entendimento das leis divinas e sua aplicação, facilitando a compreensão do mecanismo de evolução dos seres humanos.
Iniciemos a análise do tema com o seguinte quadro explicativo:
- Um espírito se prepara para reencarnar. Escolhe, por livre-arbítrio, a trajetória num determinado corpo físico, vinculado a família específica. A fim de garantir que reencarne nessa família e com o corpo a ele destinado, ingressa o determinismo do alto que, através de seus emissários, prepara o seu retorno á carne.
Uma vez reencarnado, e por estar ainda em fase infantil, desenvolvendo o seu discernimento e sua razão, ele se envolve em várias situações de risco, onde então vai imperar o determinismo para orientar os seus passos e garantir o seu amadurecimento no corpo material. Durante o seu crescimento aumentam as decisões livres que ele passa a tomar, elevando, ainda mais a sua responsabilidade em cada um de seus atos. Se durante a sua trajetória há a necessidade de reencontrar determinado inimigo do passado, que está reencarnado em algum lugar do globo, novamente o determinismo cuida de promover esse reencontro. Se o espírito tiver que se submeter a alguma prova para estimular o seu progresso espiritual é, por determinismo, colocado nessa situação de risco.
O espírito torna-se médico. À sua frente e em sua comunidade surge uma epidemia, que lhe obriga a responsabilidade de prestar socorro ao próximo. Por livre-arbítrio, ele pode ou não ajudar o seu semelhante. Caso decida ajudar, a convergência entre o determinismo do alto (que o coloca frente a uma epidemia) e o seu livre-arbítrio (decisão de ajudar o próximo)  acarreta o seu progresso espiritual. Caso deixe de prestar a ajuda pode contrair débitos, que serão resgatados futuramente e podendo até mesmo ficar estagnado nessa trajetória evolutiva.
Esse mecanismo continua existindo durante todo o seu estágio reencarnatório. Ao final, a última palavra cabe ao determinismo, quando chega o momento do seu desencarne, com o devido retorno á pátria espiritual para a sua devida avaliação. Assim sendo, o início e o fim da jornada na crosta terrestre se fazem por determinismo, quando chega o momento do seu desencarne, com o retorno á pátria espiritual para a sua devida avaliação.
Portanto, o início e o fim da jornada terrestre se dá por determinismo.
Algumas situações de risco são vivenciadas por determinismo, mas todas as ações e atitudes que implicam em decisões pessoais, que acabam gerando boas ou más consequencias para o homem, são tomadas por livre-arbítrio. Logo, deve-se ter em mente que nem tudo o que ocorre no mundo material se dá por força do determinismo, ou seja, pela vontade de Deus.
Há sempre a incidência do livre-arbítrio dos homens acarretando certas situações e trazendo determinadas consequencias. O homem tem, desde o seu reencarne, inúmeras provas ou expiações a enfrentar, necessitando do correto equilibrado uso do livre-arbítrio, ou seja, da faculdade de decidir os seus passos e o seu caminho, para poder triunfar em sua programação, alcançando a almejada depuração espiritual. Dessa forma, deve se ressaltar que o homem fazendo mau uso do livre-arbítrio pode ocasionar consequências desastrosas não só para ele, mas também para aqueles que estão a sua volta. Quando é o caso, a espiritualidade intervém em favor daqueles que seriam prejudicados pela má utilização do seu livre-arbítrio, impedindo que os efeitos negativos ultrapassem a sua própria pessoa. Neste caso, está o determinismo interferindo em uma situação de risco para que haja equilíbrio nas relações humanas, conforme a programação superior.
E, muito embora a teoria do risco tenha sempre por base a integração do determinismo com o livre-arbítrio, pode acontecer, quando isso é conveniente, que a espiritualidade maior não intervenha e portanto os efeitos negativos do mau uso do livre-arbítrio de um encarnado possam atingir também a terceiros. Neste caso a programação evolutiva de todos assim o permite.
Enquanto o homem fizer mau uso de seu livre-arbítrio, isso só ira lhe causar mais prejuízos, aumentando os seus débitos, ao passo que o seu bom uso, além de lhe proporcionar progressos, pode também , através do determinismo a lhe minimizar as suas provas e expiações. Um exemplo disso é o caso de alguém que tendo por programação – por causa de erros do passado - alguma perda ou algum mal corporal, por acidente ou não. E durante a sua jornada física ele vivencia o apego a caridade, prática e distribuição do amor – por livre-arbítrio -, pode ele por determinismo ter o mérito suficiente para obter o abrandamento de suas expiações em face de dívidas pretéritas, que são aliviadas pela ação caritativa do presente.
Infelizmente muitas pessoas ainda conservam a falsa idéia de que tudo acontece por determinismo, ou seja, que esse é o mecanismo que impulsiona todas as trajetórias no plano físico do mundo. Assim sendo, a idéia que se tem, é que tudo de mal ou de bom que acontece no globo são a vontade de Deus, como se deus fosse responsável pelos erros e desvios dos homens. A lógica divina não é essa.
O livre-arbítrio tem relevância nesse contexto. Muitos prejuízos vividos pelo homem, são consequencias de seus próprios atos. Logo não é justo dizer: tudo está traçado pelo destino,  ou então dizer,  que todos os males terrenos são determinados pelo alto. Assim como também seria falso afirmar, que todos os males da humanidade são provenientes do livre-arbítrio do homem.
O absolutismo dessas posturas não corresponde À realidade do processo evolutivo, pois como já dissemos anteriormente, de acordo com a interação explicada pela teoria do risco, ora prevalece o livre-arbítrio, e ora prevalece e determinismo. Isto porque em qualquer lugar ou momento da jornada terrena pode surgir uma situação de risco, quando então, o encarnado tomará uma decisão, usando bem ou mal o seu livre-arbítrio.
Essa situação de risco pode ser criada por determinismo ou por livre-arbítrio.
Outro tema relevante que tem relação com a teoria do risco é a lei de ação e reação. Para toda a ação praticada pelo homem, intencionalmente, vai corresponder uma reação em igual sentido. Assim, atos bons trazem efeitos positivos. Atos maus acarretam retornos negativos. Para garantir a ocorrência da reação, existe um mecanismo que não pode ser afastado, que é o determinismo. Para o desencadeamento de ações conscientes, se torna fundamental o exercício do livre-arbítrio.
Portanto, para cada ação intencional (que é a utilização do livre-arbítrio), existe, por determinismo, uma reação. E essa, é a relação da teoria do risco com a lei de ação e reação. Num contexto maior, se pode vislumbrar a importância desta teoria em termos de reencarnação: cada existência física que o homem vivência é composta de inúmeras situações de risco e a própria existência representa uma jornada de risco.
O homem responde pelo conjunto dos atos praticados ao longo de sua vida material e o resultado dessa avaliação vai constatar a sua evolução, a contração de novos débitos ou mesmo a estagnação.
Existem reencarnações de conteúdo predominantemente expiatório, ou seja, um retorno á matéria para expiar grandes erros do passado, e essa reencarnação é uma reação a uma trajetória anteriormente vivenciada.
Ilustrando, vejamos o seguinte quadro comparando a reencarnação atual com uma situação de risco, sob o prisma da lei de ação e reação.

Dentro da lei de ação e reação:
Ação (  livre-arbítrio)
Reação ( determinismo)

Dentro da teoria de risco:
1)     Situação de risco: envolve uma decisão (livre-arbítrio), positiva ou negativa, que acarreta uma reação em igual sentido (determinismo).
2)     Reencarnação: envolve um conjunto de decisões e ações do encarnado (livre-arbítrio) que lhe trás, como reação, outra reencarnação, cuja programação leva em conta a trajetória física anterior     (determinismo)
Pela lógica da teoria do risco, o bom uso do livre-arbítrio tem a força de modificar, quando possível, o determinismo do alto. Agora, uma das regras da teoria do risco é que o mal nunca, jamais, é fruto do determinismo e sim sempre é fruto do livre-arbítrio que é utilizado erroneamente.
O plano superior nunca conduz nenhum encarnado a cometer atos incompatíveis com os ensinamentos de Jesus. O que pode fazer é conduzir, por determinismo, duas pessoas a terem um encontro, para resgates mútuos. E o resultado  negativo desse encontro  (determinismo) é sempre fruto das decisões dos próprios homens envolvidos (livre-arbítrio), ou seja, um mal (vivenciado individual ou coletivamente), somente pode ser fruto do livre-arbítrio. Um bem (vivenciado individual ou coletivamente), pode ser tanto fruto do livre-arbítrio como do determinismo.
Existem duas situações de especial relevância na jornada evolutiva dos seres humanos (que não veremos agora) que merecem ser vistas á luz da teoria do risco: o suicídio e o duelo.

Conclusão

É importante frisar, que Deus sabe com antecendência tudo o que acontece, seja em termos de determinismo ou de livre-arbítrio. Assim cada passo que é dado pelo homem é conhecido pela sabedoria divina, antes mesmo de ser decidido. Entretanto, mesmo Deus sabendo de antemão todos os passos que serão dados pelo homem e tendo plena consciência dos caminhos que serão seguidos por seus filhos, ele não retira de qualquer ser humano a possibilidade da plena utilização de seu livre-arbítrio.
A princípio isso parece contraditório, porque poderia se argumentar que se Deus sabe qual será a decisão futura do homem, logo, o homem estaria limitado a tomar decisões sob esse prisma divino. No entanto a contradição não existe, porque o conhecimento de todas as coisas por parte de deus, está inserida num contexto maior, ou seja: a onipotência e a onisciência do criador.
Esses atributos exclusivos de Deus explicam, claramente, ser o conhecimento divino uma consequencia lógica do seu poder absoluto e de seu conhecimento pleno sobre todas as coisas. Conhecer previamente, a decisão adotada pelo encarnado não retira dele a capacidade de decisão.
O homem escolhe o seu caminho e Deus já conhece, de antemão. A decisão de escolha é do homem (livre-arbítrio). Pretender ter um esclarecimento mais amplo a esse respeito é tentar desvendar a natureza de Deus, que para nós encarnados, está longe de ser conhecida. Nas palavras de kardec “ a inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreendera natureza íntima de deus”
Como sabemos que nada acontece por acaso, e não há sofrimento sem causa e nem dádiva sem merecimento. Portanto, o livre-arbítrio é a faculdade que Deus deu ao homem para que ele se conduza dentro dos parâmetros cristãos, e o determinismo atua para corrigir eventuais distorções que venham a surgir ao longo de nossas jornadas. E a teoria do risco visa facilitar o entendimento do presente e do futuro, aumentando as possibilidades de êxito de todo o encarnado, rumo ao aperfeiçoamento do seu espírito, levando-o a se sentir cada vez mais realizado e feliz, com a compreensão do funcionamento da lei de ação e reação e a visão reencarnacionista da sua existência.

Consulta:
Espiritismo Aplicado (Elizeu Rigonati)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A evolução não dá saltos


Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Ao lermos o título acima podemos pensar que falar sobre este tema é algo redundante, é chover no molhado, chega a ser tautológico. Contudo, é comum escutarmos, em tempos de “transição”, a seguinte frase: “Tal ou tal situação deu um salto quântico”. Até parece que virou moda. Pode passar a impressão de que algo mágico aconteceu. Será que alguns seres que passaram milhões de anos nos caminhos tortuosos da vida, de agora em diante serão “salvos”? Mas esta frase, exceção feita ao fenômeno da física, carece de maior aprofundamento quando pronunciada em outros contextos.
O químico francês, Antoine Laurent de Lavoisier (1743 - 1794), considerado o criador da química moderna, promulgou que em a natureza “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Uma transformação não ocorre ao acaso, repentinamente, são necessários estágios anteriores para que ocorra uma mudança. As fases que antecedem a uma mudança exigem tempo e preparação.
Segundo Charles Robert Darwin (1809-1882), naturalista britânico, que escreveu sobre a evolução das espécies, para chegarmos a condição humana em que nos encontramos demoramos cerca de aproximadamente dois milhões de anos. Se considerarmos apenas o surgimento do Homo Sapiens teremos que retroagir há aproximadamente 200 mil anos.
Joana de Ângelis (espírito), pela psicografia de Divaldo Franco, vem corroborar com esta idéia ao dizer que para alcançarmos o estado evolutivo do cérebro, demoramos cerca de 250 milhões de anos, que no estágio atual de desenvolvimento estamos apenas a algumas dezenas de milhões de anos.
No livro – Evolução em dois mundos – de autoria de André Luiz (espírito), psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira - Primeira Parte - Capítulo III - Evolução e Corpo Espiritual – comentando sobre os primórdios da vida o autor espiritual assim se expressa:
“Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído. Séculos de atividade silenciosa perpassam, sucessivos...” (grifos nosso)
Mais adiante esclarecendo sobre a evolução no tempo explica que:
“segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos”. (grifos nosso)
Basta lermos a obra – A caminho da luz – psicografada por Chico Xavier, ditada pelo espírito Emmanuel que teremos uma pálida idéia de quanto tempo Jesus e os arquitetos celestes do universo estão tolerando pacientemente o progresso da humanidade. Obra que aborda desde a gênese planetária, passando pelas construções celulares, os primeiros habitantes da Terra, a elaboração das formas humanas, a raça adâmica, civilização egípcia, índia, apenas para citar as mais antigas, caminhando até o século XX.
Na questão 780 de O livro dos espíritos – os espíritos esclarecem ao codificador que a evolução moral é uma consequência do progresso intelectual, não o seguindo de imediato.
Na 781 é esclarecido que o homem não pode deter a marcha do progresso, todavia, poderá, algumas vezes, travar o avanço destinado ao ser humano.
Allan Kardec, na pergunta 783, desejou saber se o aperfeiçoamento da humanidade seguiria sempre uma marcha lenta e progressiva, ao que obteve como resposta: “Há o progresso regular e lento que resulta da força das coisas”.(grifo nosso)
Em - O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap 20 – Os trabalhadores da última hora – fazendo uma breve análise da parábola, notaremos que os trabalhadores da última hora, estão sendo chamados há séculos para o trabalho na vinha do Senhor, contudo, não estavam preparados para a tarefa. Saulo de Tarso, após seu encontro com o Cristo na estrada de Damasco, precisou de seis anos de preparação para sair e divulgar a Boa Nova.
Analisemos a evolução do ser humano nos últimos séculos. Duas grandes guerras em que muitos países foram totalmente destruídos, necessitando de tempo para a sua reconstrução; invenção do avião; industrialização; invenção do automóvel; a evolução dos computadores; pesquisas na área da saúde; evolução tecnológica avançada e por aí vai...
Porém, devemos ter em mente que todo o conforto científico tecnológico que nos cerca precisou de tempo de pesquisas, preparo dos cientistas, horas investidas em estudos, testes, retestes, duplicação da pesquisa por outros cientistas em diversos países para se chegar a um denominador comum.
Por analogia vamos trazer o acima exposto para o contexto da evolução espiritual. É comum observarmos pessoas que, ao despertarem para os ensinamentos que a Doutrina Espírita proporciona, desejam “abraçar o mundo”, querem realizar mil e uma tarefas na casa espírita, sendo que, na maioria das vezes não tem o devido preparo. Lembremos de Paulo.
Geralmente somos imediatistas por natureza e queremos resultados rápidos. Quando não encontramos a recíproca tendemos a desanimar, abandonamos a causa que vínhamos defendendo e culpamos os dirigentes. Ora, se estou ciente da causa que abracei, cabe trabalhar a paciência e a tolerância que como diz o adágio: “Quando o trabalhador está pronto, o trabalho aparece”.
Outro ponto a refletirmos é sobre a nossa evolução moral. Quantas pessoas encontramos no meio espírita que vivem se lamentando, em tom um tanto quanto depressivo, que o umbral a espera, que não acredita ter realizado muito em seu benefício espiritual. Outros ouvem uma palestra e dizem que tudo o que foi dito é muito difícil de por em prática. Ora, quando é que vai dar o primeiro passo? Ficar se lamentando é fácil. Mãos a obra, portanto.
Já sabemos que ninguém vai fazer por nós o que nós mesmos necessitamos realizar, que não existe “Fada Madrinha com varinha de condão” e que em um toque de mágica todos os nossos problemas serão resolvidos. Problemas estes que estamos adiando há séculos e que em nada tem a ver com o outro. O problema somos nós, está em nós. Necessitamos lapidar incessantemente, incansavelmente, a pedra bruta que ainda somos se um dia desejarmos nos transformarmos em pedra preciosa.
Não melhoraremos de uma hora para outra, mas também não podemos ficar sentados esperando o tempo passar. Muito já realizamos em nós e devemos ser gratos à Divindade por nossas conquistas e assim, avançarmos sempre. A evolução não dá saltos. “Fora da caridade não há salvação”, anunciou Allan Kardec. Temos todo o conhecimento de que necessitamos para o nosso avanço moral, só depende de nós. Paz e Luz.

Fontes:
- Franco, Divaldo Pereira .Triunfo pessoal - Pelo Espírito Joanna de Ângelis
- Kardec, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo
- Kardec, Allan. O livro dos espíritos
- Xavier, Francisco Candido. A caminho da luz – Pelo espírito Emmanuel
- Xavier, Francisco Candido / Waldo Vieira. Evolução em dois mundos – Pelo espírito André Luiz

domingo, 18 de dezembro de 2011

Milagres não existem


Por - Gilberto L. Tomasi
Muitas virtudes ou comportamentos, são vistos por nós como algo impossível de ser alcançado, algo que nunca vai ser conquistado, ou algo muito distante, previsto talvez para uma encarnação  distante anos luz da nossa realidade quando possamos nos tornar um espírito super evoluído, algo como um Buda, e quem sabe um Cristo, um ser angelical enfim. Impossível não é, ao contrário, é uma realidade demore o tempo que demorar. Porém, para poder alcançar esse objetivo temos que começar as mudanças, o momento é agora. A melhor maneira de se tornar um Buda, é viver como um Buda e seguir seus ensinamentos. A melhor maneira se tornar um Cristo é seguir seus ensinamentos. O fato é que veneramos estes espíritos superiores, mas nada fazemos para conseguirmos ser iguais a eles.
O Mestre Jesus nos fala, em Lucas 6:
46 - E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?
47 - Qualquer que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante.
48 - É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre rocha.
49 - Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa.
Fica muito fácil e cômodo para nós culparmos as mais diversas situações vivenciadas, por não sermos ou não agirmos como um espírito que precisa evoluir. E, mesmo quando percebemos que temos todas as condições necessárias para tal, nada fazemos, continuamos os mesmos, com as mesmas desculpas e os mesmos comportamentos.
Esperamos sempre que as situações se tornem ideais para que expressemos nossa disposição de mudar, esquecendo que as situações ideais podem ser classificadas como uma questão de preferências. Sem esquecer, que não existe vida perfeita, o que existe é a nossa capacidade de viver em harmonia, com perfeição e equilíbrio, usando nosso livre-arbítrio para vivenciar aquilo que venha de encontro com as nossas reais necessidades
Perdemos muito tempo esperando alcançar certo grau de maturidade para começarmos a viver plenamente expressando todas as virtudes que o Mestre nos ensinou, esquecendo que a maturidade não “cai do céu”. Ela tem que ser buscada dia após dia. Estamos sempre estipulando prazos e, quando eles vencem, os prorrogamos. São as chamadas justificativas necessárias para nossa incapacidade ou nossa falta de vontade de mudar.
Devemos aceitar viver a vida com os recursos que nos é possível, mas, sempre buscando melhorá-los para que não fiquemos parados em estado de letargia total esperando um “milagre” acontecer. Devemos viver o agora em plenitude. É agora que devemos expressar todas as virtudes necessárias uma mudança de hábitos, comportamentos e conduta e, se ainda não as possuímos devemos ir em busca delas.
O primeiro passo, fundamental e importante é parar de culpar os outros pelas coisas que acontecem, devemos parar de viver em função de expectativas projetadas outros e nas situações, temos que tomar as rédeas das situações tal qual elas se apresentam. Somente assim elas poderão ser mudadas, nunca antes disto, nunca enquanto essas situações forem justificadas pela culpa dos outros, das condições externas, etc.
Não temos o direito e nem podemos mudar ninguém, temos que mudar a nós mesmos. Quando mudamos interiormente e de forma radical, o mundo à nossa volta também muda, as pessoas mudam, tudo muda.
Todas as condições que colocamos para vivermos dentro de uma conduta normal baseada no bom relacionamento interpessoal, necessárias para a boa convivência com nossos semelhantes e consequentemente nossa partida para a reforma íntima é apenas uma desculpa pela nossa incapacidade de reação, transferindo para o outro um problema que é nosso.
Lembremos que dependemos somente nós mesmos, nós é que devemos nos resolver internamente. Devemos trabalhar nossos problemas e dificuldade pois eles são nossos.
Precisamos parar de encontrar desculpas, de cobrar, de criticar, de transferir responsabilidade. Devemos viver e agir de forma coerente, sendo bom para com os outros e severos para conosco, sem desculpas, pretextos ou explicações.
Esquecemos no entanto, que ao continuarmos vivendo da mesma forma sem um mínimo de vontade de mudar,inertes diante de uma realidade natural e necessária que é a evolução do espírito, os resultados serão os mesmos, ou seja, nenhum progresso. É necessário morrer de instante em instante, renascendo mais consciente para as realidades que nos envolvem.
Chega de viver uma espiritualidade apenas teórica, é preciso vivê-la também na prática, baseada nas realidades do dia-a-dia. De nada adianta freqüentar palestras, seminários, cultos, missas, cursos, sem que esses os ensinamentos adquiridos sejam transformados em realidade que nos levará a uma transformação que fará com que consigamos iniciar os passos evolutivos do espírito.
Os espíritos angelicais deixaram como exemplo e ensinamento a renúncia. Porém, não aceitamos renunciar a nada seja em termos morais ou materiais, estamos sempre em busca de uma espiritualidade que seja conveniente com os nossos interesses, que atenda aos nossos desejos imediatos. Assim agindo, continuamos a nos auto-enganar, não aceitando a realidade e pior, achando que estamos evoluindo, que já somos espiritualizados o necessário para acompanharmos  esse processo de transformação que a Terra está passando.
Ainda temos bastante dificuldades em encontrar um norte, trilhar um caminho, colocamos em dúvida aquilo que a Doutrina dos Espíritos nos apresenta, ficamos encima do “muro” esperando um milagre.
Não esqueçamos as palavras de Joana de Angelis quando nos alerta para escolhermos um caminho seja ele qual for e seguir adiante, pois não é possível seguir vários ou mais ao mesmo o tempo. Se der errado, volte e comece tudo novamente.

Darwin e Kardec


Autor desconhecido - Enviado por Gilberto Tomasi

     Em 24 de novembro de 1859, foram colocados à venda nas livrarias de Londres, 1250 exemplares de um recente livro que veio apresentar um novo paradigma científico para a humanidade.
     O editor não acreditava na aceitação da obra; daí ser reduzida a sua tiragem. Mas ele estava enganado. A edição esgotou-se rapidamente, bem como dezenas de reedições em vários idiomas. Seria um dos livros mais famosos do século XIX. Seus conceitos revolucionariam o pensamento científico.
     O nome do autor: Charles Darwin; o nome do livro: “A Origem das Espécies.” Nele, o naturalista inglês expunha uma teoria que desenvolvera em trinta anos de exaustivos labores e pesquisas, segundo a qual tudo que vive está sujeito a constantes mutações. O aparecimento do Homem foi a culminância de um lento processo de evolução, iniciado há bilhões de anos com organismos unicelulares, e o último elo na imensa cadeia, antes do “Homo Sapiens,” foram os símios antropóides. Naquele momento, religiosos e alguns cientistas reagiram, alegando uma rematada tolice o homem descender dos macacos. Darwin seria para eles um gozador, um homem sem Deus.
     Podemos admitir que o motivo principal de tantos pronunciamentos contrários foi o terrível golpe desfechado contra o orgulho humano. O homem considerava-se um ser à parte, algo de especial. Achava que estava situado no ápice daquela pretensa evolução biológica. Repugnava-lhe a idéia de que era um parente próximo dos macacos, que o homem, o Rei da Criação, já nascia pronto e acabado.
     Renhidas discussões existiram sobre esta teoria durante décadas. Com o tempo ela foi se firmando e outros cientistas foram confirmando-a como um conceito científico válido. O próprio pensamento religioso admite hoje, com a exceção de correntes mais retrógradas, que a Teoria da Evolução não compromete em absoluto os textos bíblicos.
     O escritor Espírita Richard Simonetti, do Brasil, informa-nos que a Bíblia não deve ser tomada ao pé da letra, sob pena de cair-se no ridículo. Assim, os seis dias da Criação segundo o Gênesis, representam, na realidade, períodos de milhões de anos em que, na oficina da criação, Deus preparou a entrada do Homem no cenário terrestre.
     O mais interessante é registrar que Darwin foi contemporâneo de Allan Kardec e, este último, em Paris, a 18 de Abril de 1857, lançou o primeiro livro, obra conhecida mundialmente como “O Livro dos Espíritos”. Depois de outros livros, escreveu a “A gênese”, no qual não só admite que há uma evolução das formas físicas,  como lança um conceito muito mais amplo, segundo o qual há, igualmente, uma evolução espiritual. O Espírito também vem de expressões rudimentares e se aperfeiçoa, através de experiências milenárias, vividas em vários planos até atingir à perfeição.
     O princípio da evolução espiritual de Kardec foi tão combatido quanto foram as idéias de Darwin. Atualmente, as diversas correntes de pensadores  e cientistas afirmam que o Espírito humano não é uma criação pronta e acabada por Deus. A evolução é constante  e sempre em busca de aprimoramento. Podemos admitir que se Deus levou bilhões de anos para a chegada do princípio inteligente até a encarnação do ser humano, acreditamos que a  evolução do Espírito é uma constante na Terra e no espaço. Em contrapartida, o corpo físico, aqui na Terra, está sempre melhorando em cada reencarnação, e, quanto mais evoluído for o Espírito, mais bonito e saudável o corpo material será.
     Por esta razão, a Doutrina dos Espíritos esclarece-nos que o Espírito passa pelos mundos inferiores e pelas formas mais simples do primitivismo, como princípio inteligente do Universo a ser inteligente da criação (que já somos nós, encarnados ou desencarnados) até atingir à perfeição. Para chegarmos à almejada perfeição, precisamos não só trabalhar na nossa reforma íntima, mas também, desenvolvermos os melhores sentimentos de caridade, fraternidade e humanidade, em qualquer lugar do Planeta. Estes princípios estão assentados nos ensinos de Jesus. “Amar a Deus, a sua obra e preservar a natureza, a ecologia e ao próximo como a nós mesmos.” Por tudo isto, o Espiritismo proclama a evolução do Espírito pelo amor e pelo conhecimento das Leis Divinas que nos regem na evolução, eliminando, assim, o egoísmo no homem e as emoções inferiores que com elas torna-se mais demorado o encontro da Plenitude Divina.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Preparação para o Natal


Por - Gilberto L. Tomasi
  É notório, que o clima de natal já começa a tomar conta na vida das pessoas, começamos a presenciar atos de comemorações, festividades e principalmente assistimos o comércio abundante em torno da data em grande ebulição. Não sou muito adepto a trocas de  presentes e abraços somente nestas ocasiões, mas, não sou eu quem vai estragar a festa , pois ela existe e faz parte das nossas necessidades, até porque, há quem só lembre dos seus semelhantes somente nestas ocasiões.
  Para a maioria, natal é sinônimo de família, de união, de aproximação das pessoas, dando a idéia de que no final das contas tudo se realizou de forma perfeita durante o ano que está terminando. Todos se deixam contagiar pelo clima natalino, abraços, afagos, lágrimas e, é claro, os presentes, além da mesa farta.
 No entanto, infelizmente é bom lembrarmos que em relação à família, ainda existem dois conceitos: A minha família e a tua família, e que cada um se reúna, ou melhor, festeje e celebre o natal com a sua.
  Esquecemos, de fazer uma reflexão sobre os 365 dias passados, esquecemos que pode ter faltado abraços de solidariedade naqueles momentos de derrotas, de tristezas, de fracassos, de perdas, sim, porque também nestas ocasiões deveríamos agir como se fosse natal, também deveríamos  nos  abraçar  quando as dificuldades aparecessem.
  Mas, nos deixamos envolver pela correria, pela compra dos presentes, pelas festividades natalinas, pela agitação que anuncia mais um final de ano, como se isso resolvesse todos os nossos problemas, e que a partir de 01 de janeiro será vida nova. Esquecemos que essas festividades são apenas uma convenção humana, pois para o espírito isto não tem valor nenhum.
 Mas, voltemos ao natal. É preciso que tenhamos mais consciência, que não nos deixemos levar simplesmente como pedras que, no rio, são carregadas pela correnteza da água, como diz o ditado.
 É necessário programar nosso tempo, nossa vida, pensar bem no que precisa ser feito e na maneira de como fazer, para  quando chegar o natal, essa comemoração possa ser um pouco mais real e sincera. Devemos pensar no  significado que essa convenção representa e, o que representam aquelas pessoas que nos rodeiam durante a ceia, o que elas significam para nós, o que desejamos para elas.
  A sociedade impôs o hábito da troca de presentes nesta ocasião, como se isto fosse de fato resolver e apagar todas as diferenças existentes. Porque não transformar a noite de celebração do natal em algo mais do que uma mesa farta e uma simples troca de presentes, de gentilezas, as vezes falsas, em algo que realmente acrescente o verdadeiro espírito natalino.
  Não deixemos que o natal tenha apenas um significado meramente comercial e ilusório em relação à família, pensemos um pouco mais no personagem principal que representa esta data, aquele que deveria nortear nossos passos, para chegarmos na noite de natal carregados de sentimentos nobres e fraternos, com presentes, sim, mas principalmente com amor no coração para dar aqueles que formam nossa família. Isto, para ficar somente na família de sangue, pois ao contrário, seria divagar na utopia.