quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A importância da meditação - Aspectos científicos e espirituais


Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Cada vez mais a meditação é objeto de estudo dos cientistas. Conhecer os meandros da mente humana, seus mecanismos e potencialidades, sempre foi e continuará sendo fator preponderante na busca pelo saber. O que até há pouco tempo era assunto de “hippies”, hoje passou a ser de interesse da classe científica. Quais as vantagens em se praticar meditação? Será possível obter algum benefício? Quais? E do lado espiritual, como atua, em nosso ser, os efeitos da prática meditativa? De que maneira a meditação influencia em nossa evolução espiritual? Que este texto possa promover algumas reflexões em torno das questões levantadas.
Primeiramente apresentaremos alguns conceitos do que é meditação; em seguida demonstraremos alguns dados de pesquisa sobre os efeitos da prática em nosso organismo e seus benefícios; teceremos alguns comentários no que concerne a evolução espiritual; algumas reflexões baseadas no livro Mecanismos da Mediunidade, em uma tentativa de explicar o “como” atua, em nosso interior, a prática da meditação; e por fim alguns dados relativos ao tempo de prática.
Segundo Yogi Bhajan – PhD - “Meditação é um processo através do qual podem ser resolvidos conflitos e males, ao invés de vivermos com eles por toda a vida”.
Para Amit Goswami – Ph D - “A meditação é um modo de intervir em nossos padrões condicionados”.
Por sua vez, Osho explica que “Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada – nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer”.
Joana de Ângelis (espírito), por intermédio da mediunidade de Divaldo Franco faz a seguinte menção: “Meditar significa reunir os fragmentos da emoção num todo harmonioso, que elimina as fobias e as ansiedades, liberando os sentimentos que encarceram o indivíduo, impossibilitando-lhe o avanço para o progresso”.
O interessante de se observar é que os conceitos apresentados estão em comum acordo ao caracterizar a meditação como um processo de autocura, em que o praticante dedicado e disciplinado poderá se livrar dos bloqueios cristalizados em sua psique, tornando-se uma pessoa melhor e livre de amarras emocionais e psicológicas.
Hoje podemos observar, por meio de dados cientificamente demonstrados, que a prática constante da meditação auxilia no processo de crescimento, discernimento e lucidez do ser humano. Estudos demonstraram que durante a meditação, ocorre uma diminuição das atividades elétricas da região do lobo parietal. Segundo os estudos efetuados nesse campo, tem-se observado que esta é a região do cérebro responsável pela sensação de unidade que surge em alguns praticantes. É quando a pessoa percebe que transcendeu o plano físico e encontra-se em união com o cosmos, relato muito comum entre místicos e religiosos.


Algumas alterações fisiológicas decorrentes da prática meditativa, observadas pelos cientistas:
- redução da frequência cardíaca;
- alteração do fluxo sanguineo encefálico;
- alteração da atividade eletroencefálica;
- modificações das substâncias neurotransmissoras;
- variações hormonais;
- redução da temperatura corporal;
- aumento no volume sanguineo;
- alteração dos sentidos e das percepções; e
- quedas na produção de gás carbônico.
O Dr Dharma Singh Khalsa, pesquisador e praticante de Kundali Yoga, observou que durante a prática meditativa ocorre o estado hipometabólico, que é a diminuição do consumo de oxigênio, notou, ainda, as seguintes alterações:
- aumento da energia física;
- diminuição do lacto sanguineo, substância relacionada com a ansiedade;
- diminuição da frequência cardíaca (3 batimentos por minuto);
- aumento da melatonina; este é o hormônio do sono e também está relacionado com a glândula pineal, que é a glândula responsável pelos fenômenos mediúnicos/espirituais; e
- aumento do tempo de vida
O Dr Khalsa realizou um experimento com tomografia computadorizada em que mostra a fotografia do cérebro de um praticante de meditação antes e depois de 11 (onze) minutos de uma técnica de meditação chamada Kirtan Kriya. Observe as imagens do cérebro do praticante, parece ter ocorrido uma mudança física na estrutura cerebral.

(Após 11 minutos de meditação Kirtan Kriya)
http://www.drdharma.com/utility/showArticle/?objectID=249 – acessado em 23 Nov 2011.

Segundo o Dr Khalsa, uma pesquisa com 2.000 pessoas demonstrou que meditadores tinham 80% (-) doenças coronárias e 50% (-) câncer. Em outro estudo notou-se um aumento do hormônio esteróide DHEA (desidroepiandrosterona) - considera-se que 50% dos hormônios masculinos e 70% dos hormônios femininos são derivados da DHEA. Para termos uma pequena noção da importância deste hormônio em nosso organismo vejamos como se processa a sua declinação com o passar dos anos. É considerado que aos 40 anos, o organismo produz metade da DHEA que produzia antes. Já aos 65 anos a produção cai para 10 a 20% da quantidade considerada ideal e aos 80, cai para menos de 5% deste nível.
Um estudo realizado com meditadores que tinham mais de 45 anos revelou que:
Homens tinham 23% (+) DHEA
Mulheres tinham 47% (+) DHEA
Em relação aos que não praticavam meditação
Outro estudo realizado com idosos residentes em casas de apoio, separaram dois grupos, um grupo meditava e outro não. Após 3 anos, ninguém entre os meditadores morreu; porém 33% do outro grupo havia morrido.
Em suas pesquisas, o Dr Dharma Singh Khalsa, ainda verificou que:
75% dos que sofrem de insônia conseguiam dormir normalmente;
34% das pessoas com dor crônica diminuíam o uso de analgésico; e
35% das mulheres com diagnóstico de infertilidade engravidavam.
Até este ponto mostramos um pouco do que os cientistas tem encontrado sobre os benefícios da prática meditativa em nossa vida. Agora, verificaremos como estes efeitos influenciam em nosso progresso espiritual. Encontramos na obra Consciência e Mediunidade do Projeto Manoel Filomeno de Miranda a frase:
“A Meditação tem sido pouco examinada em nossos arraiais espíritas e menos ainda praticada”.

Joana de Angelis, em O Ser Consciente nos apresenta a seguinte assertiva:
“A meditação ajuda-o a crescer de dentro para fora, realizando-se em amplitude e abrindo-lhe a percepção para os estados alterados de consciência”.

Na obra Vida Desafios e Soluções a autora espiritual explica que:
“Em um nível mais profundo, a meditação é-lhe o instrumento precioso para a auto-identificação, por facultar-lhe alcançar as estruturas mais estratificadas da personalidade, revolvendo os registros arcaicos que se lhe transformaram em alicerces geradores da conduta presente”.

“Esse mergulho consciente nas estruturas do eu total, faculta a liberação das imagens conflitantes do passado espiritual e do presente próximo, ensejando a harmonia de que necessita para a preservação da saúde então enriquecida de realizações superiores”.
(grifos nosso)
Ao analisarmos os parágrafos acima algumas reflexões surgem na mente:
Considerando que ao realizarmos uma prática de meditação mexeremos em nosso “baú de coisas velhas” e que revolveremos as lembranças do passado, mesmo que não saibamos em que exatamente estaremos mexendo; e que ocorrerá a liberação dessas memórias do pretérito, que por vezes nos atrapalha o processo de evolução; o que acontece em nosso interior para que ocorra essa cura? Onde, em nossa estrutura espiritual, essas lembranças ficam registradas e que chegam a nos prejudicar física, psíquica e espiritualmente? Existem outras correntes de estudos que possam explicar esse processo?
Sem aprofundarmos muito no assunto podemos fazer relações do que Joana de Ângelis fala com alguns ensinamentos. Wilhelm Reich (24 de Março de 1896 – 3 de Novembro de 1957) foi um psiquiatra e psicanalista austríaco-americano, desenvolveu o conceito de Couraças. As Couraças são bloqueios energéticos criados pelo ego e que refletem em nosso corpo físico. Uma maneira de trabalhar o desbloqueio das Couraças é com a Bioenergética. Em uma visão espiritual podemos dizer que esse tipo de defesa do ego está relacionado com os problemas que criamos em existencias anteriores, vindo a manifestar na existencia atual. Outro ponto que podemos associar é com o método de expansão da consciência chamado Sistema Isha. O sistema Isha foi desenvolvido por uma australiana que após passar alguns anos nos Himalaias estudando com os mestres Ishayas e vivenciar a experiência da autorealização (iluminação), desenvolveu seu próprio sistema de trabalho interior. Alguns praticantes deste sistema afirmam que durante a prática sentem leves dores pelo corpo e que estas dores parecem caminhar pelo corpo físico até que, utilizando das técnicas específicas, desaparecem; é neste momento que ocorrem as curas dos processos internos que carregamos. Alguns mestres de meditação afirmam que aquele que pratica meditação de maneira continuada e disciplinada, chega a um ponto em que começa a sentir dores pelo corpo e que estas dores representam a eliminação dos nossos conflitos interiores. Lembramos, ainda, que a Doutrina Espírita ensina que as nossas enfermidades encontram-se registradas no perispírito, podendo ou não vir a manifestar-se no corpo físico e que o períspírito está ligado célula a célula em nosso corpo físico. Assim, nos parece que o acima exposto está perfeitamente em acordo com os ensinamentos que o espiritismo nos proporciona. Contudo, ainda nos resta tentar responder o “Como?” ocorre essa liberação do conteúdo psíquico, registrado em nosso períspirito talvez há séculos.
Na tentativa de procurar uma resposta a essa questão, encontramos no livro Mecanismos da Mediunidade, em seu capítulo 4, Matéria Mental, mais especificamente no ítem que trata da matéria mental e matéria física, a seguinte explicação de André Luiz:
“Em posição vulgar, acomodados às impressões comuns da criatura humana normal, os átomos mentais inteiros, regularmente excitados, na esfera dos pensamentos, produzirão ondas muito longas ou de simples sustentação da individualidade, correspondendo à manutenção de calor. Se forem os elétrons mentais, nas órbitas dos átomos da mesma natureza, a causa da agitação, em estados menos comuns da mente, quais seriam os de atenção ou tensão pacífica, em virtude de reflexão ou oração natural, o campo dos pensamentos exprimir-se-á em ondas de comprimento médio ou de aquisição de experiência, por parte da alma, correspondendo à produção de luz interior. E se a excitação nasce dos diminutos núcleos atômicos, em situações extraordinárias da mente, quais sejam as emoções profundas, as dores indizíveis, as laboriosas e aturadas concentrações de força mental ou as súplicas aflitivas, o domínio dos pensamentos emitirá raios muito curtos ou de imenso poder transformador do campo espiritual, teoricamente semelhantes aos que se aproximam dos raios gama.
Assim considerando, a matéria mental, embora em aspectos fundamentalmente diversos, obedece a princípios idênticos àqueles que regem as associações atômicas, na esfera física, demonstrando a divina unidade de plano do Universo”. (grifos nosso)

Colaborando com o texto de André Luiz que foi escrito em 1959, segundo DANUCALOV (2006), pesquisadores detectaram nos monges budistas em meditação o aparecimento de ondas gama. Então vejamos:
André Luiz afirma que em “aturadas concentrações de força mental...” fazemos vibrar o núcleo do átomo mental que emitirá ondas curtas que são semelhantes aos raios gama e estes ocasionam “imenso poder transformador do campo espiritual”. O que me pergunto é se não estaria aí a resposta para o que Joana de Ângelis vem explicando em sua série psicológica ao esclarecer que a prática da meditação revolve os registros do inconsciente, liberando as imagens conflitantes da nossa psiquê. Fato que os monges budistas, mestres orientais e tantos outros já conhecem pela experiência prática? Outro questionamento é: Até quando negligenciaremos a prática da meditação? Entendo que posso estar equivocado nesta reflexão, contudo, me parece muito lógica a montagem deste mosaico e deixo para você leitor (a) buscar novas reflexões e compreensões em relação ao tema que é amplo, fascinante e de um horizonte infinito de possibilidades.
Abordaremos agora um fator “desmotivador” para algumas pessoas que dizem “querer” iniciar a prática da meditação, mas não encontra “tempo”. Segundo estudos em Kundalini Yoga a prática meditativa apresenta efeitos em nosso organismo a partir de três minutos.
03 minutos, afeta a circulação e a química do sangue;
11 minutos, interferimos no sistema glandular e imunológico;
22 minutos, as 03 mentes trabalham integradas;
31 minutos, interferimos nos elementos Terra, Água e Fogo, mudamos nossa estrutura;
62 minutos, interferimos no subconsciente; e
2 h e ½, interferimos no campo eletromagnético e mantemos as mudanças no subconsciente.
Acredito que todos nós, por mais ocupados que sejamos, conseguimos dispor de três minutos para realizar uma prática meditativa, você pode acordar mais cedo, dormir mais tarde, aproveitar o intervalo do almoço, se você utiliza o transporte coletivo poderá praticar durante o trajeto, enfim cabe a cada um escolher o melhor momento do seu dia e separar apenas três minutos para fazer um mergulho em seu interior e descobrir-se.
Outro ponto é em relação ao número de dias e o efeito ocasionado em nossa estrutura psicológica. Ainda, segundo a tradição de Yoga citada acima, se praticarmos por dias consecutivos obteremos os seguintes resultados:
40 dias, altera os antigos padrões psíquicos, mudança de hábitos.
90 dias estabiliza um novo patamar de funcionamento psíquico, confirma novos hábitos.
120 dias incorporam-se novos hábitos.

Curiosidade:
Segundo
DANUCALOV (2006), monges budistas treinados na prática de “Tum-mo yoga” conseguem controlar o metabolismo e a temperatura do corpo. No Himalaia, a uma temperatura de 4,4º C, alguns monges foram enrolados em cobertores molhados. Três a cinco minutos após iniciarem a prática meditativa era visível a evaporação da água, e em aproximadamente 45 min., a temperatura elevada de seus corpos havia secado completamente os cobertores. Os monges repetiram esta experiência por três vezes seguidas, sem ter sido presenciada qualquer sensação de frio manifestada por eles.

55. Qual o prejuízo de se não meditar?
R: Quem caminha sem meditar, perde o contato consigo mesmo. (Consciência e Mediunidade – pg 117)

FALA MENOS, DORME UM POUCO MENOS E MEDITA MAIS.
(Consciência e Mediunidade – pg 118)

“Os pensamentos e sentimentos, inicialmente, serão parte da meditação, até o momento em que já não lhe é necessário pensar ou aspirar, mas apenas ser”. Joana de Ângelis

“A meditação, portanto, não deve ser um dever imposto, porém, um prazer conquistado”. Joana de Ângelis

Para iniciar a sua prática meditativa de três minutos, basta você sentar, manter a coluna reta, sem manter contato com o encosto da cadeira ou poltrona, mãos apoiadas sobre as coxas, pés chapados no chão, recolher levemente o queixo e focar a sua atenção no centro da testa, entre as sobrancelhas, no ajna chakra e prestar atenção em sua respiração, perceba o ar que entra e o ar que sai, sempre mantendo a sua postura ereta, elegante e confortável. Boa prática!

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

1.      GOLEMAN, Daniel. A arte da meditação – Rio de Janeiro: Sextante, 2005.
2.      GOSWAMI, Amit. A janela visionária – Um guia para a iluminação por um físico quântico – 2ª ed - São Paulo, Cultrix, 2005.
3.      DANUCALOV, Marcello Árias Dias. Neurofisiologia da meditação: investigações científicas no yoga e nas experiências místico-religiosas: a união entre ciência e espiritualidade. São Paulo, Phorte, 2006.
4.      KHALSA, Dharma Singh e CAMERON, Stauth. Longevidade do cérebro – Rio de Janeiro, Objetiva, 2005.
5.      ANGELIS, Joanna de (Espírito). O Ser Consciente. Psicografado por Divaldo P. Franco. Salvador – BA, Liv. Espírita Alvorada, 1995.
6.      ANGELIS, Joanna de (Espírito). Vida desafios e soluções. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Salvador – BA, Liv. Espírita Alvorada, 1997.
7.      LUIZ, André (Espírito). Mecanismos da Mediunidade. Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira. 12ª Ed. SP, FEB, 1991.
8.      Projeto Manoel Philomeno de Miranda. Consciência e Mediunidade. 3ª Ed. Salvador – BA, Liv. Espírita Alvorada, 2003.
9.      Site: http://www.drdharma.com/utility/showArticle/?objectID=249 – acessado em 23 de novembro de 2011.
10.  Site: http://www.isha.com/new/contenido.php?seccion=home

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Convite

Errar é humano?


Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Normalmente ouvimos ou pronunciamos as seguintes frases: “Errar é humano”. “Errei por que sou humano”. “Errar é da natureza humana”. O que me pergunto é: “Até quando persistiremos nesta situação”? E você poderá questionar: “Em qual situação? Na de errar ou na de ser humano”? E eu te respondo: “Na de ser humano”.
Você está achando meio confuso? Conversa de louco? Calma, explico:
Pergunto a você: “O que você é? a) Um ser humano vivendo uma “aventura”/experiência espiritual? Ou b) Um ser espiritual vivendo uma “aventura”/experiência humana”?
Se a sua resposta for a letra a) paramos a conversa por aqui e concordarei com a expressão “Errar é humano”. Mas, se a sua resposta for a letra b) não há como concordar com a frase em questão.
Sendo seres espirituais ou mais especificamente como nos ensina a Doutrina Espírita, princípio inteligente individualizado, ainda vivenciamos uma experiência humana por que erramos. E como erramos! Quando deixarmos de errar, também deixaremos de reencarnar neste corpo denso.
É imperativo que nos conscientizemos da nossa verdadeira natureza, que somos seres espirituais em evolução e tendemos a categoria de espíritos puros. Todavia, para chegarmos a essa categoria necessário se faz que busquemos as correções de nossas mazelas, precisamos aparar as nossas arestas, nos lapidarmos dia-a-dia.
Não podemos mais justificar os nossos erros com a frase acima. Se ainda permanecemos na condição de humanos é porque estamos deixando de fazer algo em benefício da nossa evolução. Sabemos que a evolução não dá saltos, mas também, não podemos caminhar a passos de tartaruga. Os seres espirituais que habitam o planeta Terra chegaram a um nível de evolução em que a informação, seja no campo material ou no campo espiritual, está avançada a ponto de se conscientizar do real objetivo de sua estada neste tipo de planeta.
Aqueles que ainda persistem no erro serão, pouco a pouco, excluídos e habitarão um planeta em condições primitivas. Não que isto seja um castigo, mas devido às condições fluídicas em que a nova Terra se encontrará. A vibração da Terra estará tão elevada que a frequência daqueles seres que deixaram de acompanhar a mudança de vibração do planeta, não suportará a permanência no globo terreno, tendo que habitar um planeta de vibração condizente com a sua evolução.
O pronunciamento do mestre Jesus no Sermão da Montanha é mais atual e iminente do que pensamos. "Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra." (Mateus, 5:5). Contudo, se continuarmos a repetir que erramos por que somos humanos, cristalizaremos em nossa psique a condição de continuarmos neste estágio de evolução, o que dificultará, ainda mais, o processo evolutivo.
André Luiz, em Mecanismos da Mediunidade, ensina que somos seres condicionados e que ao nos comprazermos nas atividades menos elevadas, sejam de qual for a sua natureza, estabelecemos em nós o condicionamento de hábitos que geram enfermidades diversas. Vejamos o texto abaixo.
“Pensando ou conversando constantemente sobre agentes enfermiços, quais sejam a acusação indébita e a crítica destrutiva, o deboche e a crueldade, incorporamos, de imediato, a influência das criaturas encarnadas e desencarnadas que os alimentam, porque o ato de voltar a semelhantes temas, contrários aos princípios que ajudam a vida e a regeneram, se transforma em reflexo condicionado de caráter doentio, automatizando-nos a capacidade de transmitir tais agentes mórbidos, responsáveis por largo acervo de enfermidade e desequilíbrio”. (grifos nosso)
Diante do exposto podemos inferir que nossos comportamentos, pensamentos e palavras são diretamente responsáveis por continuarmos nesta lamentável condição de humanos. Mudemo-los, portanto, para que possamos acelerar o nosso processo de evolução, conquistarmos o direito de seres espirituais evoluídos e habitarmos um mundo melhor.

Fontes:
- Kardec, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo
- Kardec, Allan. O livro dos espíritos
- Xavier, Francisco Candido. Mecanismos da mediunidade – Pelo espírito André Luiz
- Franco, Divaldo Pereira. Transição Planetária – Pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda

sábado, 12 de novembro de 2011

Convivência pacífica


Por - Gilberto L Tomasi       
    O egoísmo, o orgulho e seus derivados criam e consolidam incontáveis barreiras que dificultam o aprimoramento das relações humanas. Algumas, mais comuns; outras, mais raras. Todas, no entanto, complexas e difíceis de serem superadas.
   Todos nós, diariamente nos deparamos com algumas situações que requer um certo esforço, bastante jogo de cintura para que o problema seja resolvido, ou no mínimo, contornado. Existe um universo de relações que acontecem na vida do homem, obrigando-o a aturá-las compulsoriamente. Ninguém se livra do laço de sangue ou de alguma outra situação  especialmente colocada em seu caminho para toda uma vida. Difícil se torna a reforma íntima  nesse setor amargo do coração.
   O importante é cada um ter noção de que nada acontece por acaso e para tudo há uma explicação e uma forte razão de ser. Portanto, aceitar tal propósito do destas situações é o primeiro passo para superar divergências aparentemente instransponíveis.
   Vitorioso é aquele que consegue acatar o desígnio divino que o colocou ao lado de determinada pessoa  ou situação que julga insuportável. Aliás, a mesma sensação pode ter ela a seu respeito. Por que não se livrar de um desgastante processo de mútua vibração negativa?
   Quem dará o primeiro passo? É outro obstáculo a ser superado no caminho dos que praticam a renovação do seu âmago. Torna-se conveniente, se não consegue dar o primeiro passo rumo à conciliação, o indivíduo não fechar a porta ao outro que, com dificuldade, quer dar início à recomposição dos laços afetivos entre ambos.
   Se não se sente com capacidade ou força de vontade suficiente para dar o primeiro empurrão em direção à indulgência, por que impedir que o semelhante o faça? Não é mais fácil deixar que ele tome a iniciativa?  Se é, por que não aceitar o seu gesto com bom senso e parcimônia? Outra indagação pode surgir nesse contexto: e se ambos não quiserem dar o primeiro passo conciliador? É sinal de que ainda não compreenderam, de fato, a importância de acatarem os sábios caminhos traçados pela lei de ação e reação. Assim correndo, ao menos dêem ao tempo o benefício da dúvida e deixem-no agir. Nada melhor do que o passar dos dias e mesmo dos anos, sem vibrações negativas, em posicionamento neutro, para curar as feridas e remediar os males do coração.
   Barreira das mais árduas a transpor é a da hostilidade. Inimigos, adversários (ou quaisquer outros posicionamentos não cristãos) que cultivam esse sintoma, deixando-o proliferar, estão espiritualmente mais enfermos do que se julgam. Afastar-se da agressividade somente traz benefícios ao ser humano, pois deixa de fazer suar frio o desafeto que vê o rival; impede a taquicardia nos encontros de qualquer espécie; faz cessar o mau humor que invade o interior do antagonista somente ao pensar que vai avistar-se com o opositor, enfim, garante-lhe a saúde física e mental. Abandonar o lado hostil que o cerca é vantagem ao próprio encarnado.
   Conviver com o inimigo é imperativo. Não se rompe com os sentimentos negativos caso não haja o exercício das disposições afetivas positivas. Portanto, no campo da reforma íntima, não é o mero afastamento que trará a tão almejada paz àqueles que se odeiam. É condição necessária o convívio, mesmo que, inicialmente, difícil. O passar do tempo, com ânimo regenerador, fará com que do ódio passe o homem à indiferença e desta ao amor.
   Pensar que essa renovação interior é impossível de alcançar é outra barreira que o indivíduo enfrenta na reforma do seu comportamento. Nada é irrealizável nesse campo, em qualquer dos planos da vida.  Aliás, nenhum fardo é por Deus permitido a quem não possa carregá-lo.
   O Ser humano é, de regra, um censor muito severo. Exige uma postura claramente amistosa (sua ou do outro) em variadas relações, pois, do contrário, julga-se incapaz de conquistar alguém ou ser por essa pessoa conquistado. Calma e perseverança são elementos inafastáveis a quem pretenda superar as próprias dificuldades -  e compreender as dos outros.
   Sentir-se o homem um aprendiz na senda da reforma íntima facilita  -  e muito  -  o seu trabalho. Disposição para conhecer o que não sabe e vivenciar novas experiências são indispensáveis ao construtor de uma nova personalidade.

Compilado do Livro Fundamentos da Reforma íntima. (Abel Glaser  -  Caibar Schutel, espírito)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Comemoração aos mortos

Por - Gilberto L. Tomasi

Na questão 321 de O Livro dos Espíritos, quando perguntado aos mesmos se o dia da comemoração dos mortos, é para eles mais solene do que os outros dias, e se é prazeroso eles irem ao encontro dos que vão orar em cemitérios sobre seus túmulos, eles respondem: “Os espíritos acodem nesse dias ao chamado dos que da Terra dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer”.
O espiritismo não defende este ou a aquele procedimento, até porque é ou procura ser isenta de paradigmas, sendo sua função principal o esclarecimento a cerca da existência, quer seja no mundo material ou espiritual.
Portanto, o dia de finados em síntese, não significa nada para os espíritos e, se eles se dirigem aos cemitérios nesta data, em maior número, é porque lá é maior o número de pessoas que lhes chamam pelo pensamento. Mas, eles mesmos nos dizem que cada espírito vai lá somente pelos seus parentes e amigos e não pela multidão dos indiferentes. Importante notar, que nesse dia e nesses locais os espíritos comparecem com a forma que tinham quando encarnados.
Costuma-se dizer, entre os não espíritas, que quando um determinado túmulo encontra-se abandonado, sem visitação, sem flores ou velas acesas, em especial no dia de finados, que seus parentes e amigos os esqueceram. Na verdade, sabemos que para o espírito desencarnado a Terra não tem mais a mínima importância, haja vista, que os encarnados só se sentem presos a eles pela lembrança, portanto, se aqui ninguém mais, nesse ou outro dia qualquer lhe tem lembranças ou lhe devota alguma afeição, nada mais lhe prende a esse Planeta pois ele tem para si o Universo todo.
A visitação serve apenas para exteriorizar um ato de caráter íntimo, sendo que o mais importante é a prece que se faz neste momento para rememorar os que desencarnaram, não importando o local, desde que a oração seja feita com o coração.
Existem verdadeiros monumentos e estátuas erguidas em homenagem à alguns desencarnados, sem que haja, entretanto, qualquer tipo de  prazer para esses espíritos homenageados, principalmente sabendo eles que ali se encontra apenas seus restos materiais.
Devemos lembrar de nossos entes queridos que já desencarnaram pelos bons momentos que passamos juntos, independentemente de datas ou locais, pedindo proteção àqueles que porventura encontram-se em estágio mais evoluído e, orando por aqueles que ainda não encontraram seu local, lembrando sempre que a lembrança  e o chamamento de forma desordenada acaba gerando uma angústia e um desespero muito grande àquelas almas que ainda se encontram presas a matéria.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A necessidade das comemorações festivas


Por - Gilberto L Tomasi

 Deus em sua grandiosidade dotou o homem de inteligência suficiente para que ele pudesse encontrar uma fórmula de fazer a transposição de datas, ou seja, contar o tempo. Logo, o ano foi definido pelo tempo gasto pela terra numa translação em torno do sol. Assim, após o término dessa translação, podemos afirmar que alguém, ou algo, completou mais um ano, portanto, está fazendo aniversário.
 Em se tratando de pessoas, é comum, e diga-se, agradável, comemorar-se esta data. Recebem-se felicitações, presentes, organizam-se festas, reúnem-se os parentes, amigos, como se aquele dia fosse o mais importante da nossa existência, pelo simples fato de termos recebido a “graça” divina de estarmos vivos por mais esse período, ou por estarmos comemorando algo que nos agrada.
 É muito gratificante essa comemoração, haja vista que isso de certa forma aproxima as pessoas e, também pelo fato de sabermos que às vezes são as pequenas coisas que fazem a diferença. Sem esquecer que essas situações festivas fazem parte das necessidades do espírito no mundo em que vivemos, portanto, é algo perfeitamente normal e ainda necessário.
 As comemorações terrenas do tempo de vida por exemplo, começam logo que o óvulo é fecundado no organismo materno, quando então inicia-se a reencarnação do espírito. Primeiramente comemora-se e festeja-se a gravidez.
 E o futuro corpo humano, com seu tempo de vida já delineado, vai formando-se átomo por átomo, molécula por molécula, e o espírito vai ligando-se também a esses átomos e moléculas, até o dia em que completa a reencarnação com o nascimento. A partir daí começa-se a comemorar as datas do tempo terreno, como o reencarne e algumas datas consideradas como dogmas de algumas filosofias religiosas, o que não é o caso da doutrina espírita, como o batizado, a crisma, a primeira comunhão, o casamento etc.
 O espiritismo não questiona nem condena tais acontecimentos, pois entende que é o livre-arbítrio de cada um, que nada mais é do que o comando de vida que Deus nos concedeu que decide o que deve ou não ser feito ou comemorado. O que se questiona, no entanto, é a comemoração pela existência apenas uma vez ao ano ou pelas datas oportunas, quando sabemos que o espírito não faz aniversário e, que outras datas são apenas convenções humanas, até porque não sabemos quando fomos criados e que temos a eternidade pela frente.
 Deveríamos também, juntamente com a comemoração da passagem do tempo do corpo físico, que é anual, agradecer ao alto e à espiritualidade maior todos os dias, pelas oportunidades de mudanças de hábitos e conceitos que nos são oferecidas diariamente, tão necessárias à nossa reforma íntima.
 Devemos, sim, comemorar a nossa encarnação, agradecendo pela oportunidade da volta, quando temos condições de reavaliar nossa conduta, reparando erros passados. Comemoremos todos os dias nossa infância, nossa adolescência, nossa idade madura e principalmente nossa velhice, que é mais difícil de ser administrada, não só por problemas de ordem social ou de saúde, mas também por causa do desgaste próprio das coisas materiais, nosso envoltório físico.
 Devemos comemorar cada uma dessas fases, entendendo que elas têm um papel fundamental nesse processo de idade cronológica do corpo físico, e principalmente na evolução do espírito. Na infância o espírito se apresenta na fase infantil, revestido da pureza e da inocência, esqueceu o que praticou no passado e está em condições de ser novamente moldado.
 A adolescência é o período em que o espírito reencarnado começa a dar os primeiros passos sozinho e, mesmo sob vigilância e guarda dos pais já goza de um pouco de liberdade.  Na idade madura, o espírito se revela tal qual ele é, com as modificações que lhe foram impostas pela educação, pela instrução, pelo meio em que se reencarnou e pelo aprendizado recebido na infância e na adolescência, goza de inteira liberdade e é plenamente responsável por seus atos.  A velhice é a fase mais gloriosa da vida. Ao relembrar o passado distante, vemos que vão longe os trabalhos e as canseiras e estamos próximos do dia da alforria. Sem esquecer que o espírito não envelhece, torna-se experiente.
 Talvez, o mais correto seria vivenciarmos intensamente todos os nossos dias, como se eles fossem o primeiro ou o último dia das nossas vidas. O primeiro, por não sabermos como e quando seriam os demais. O último, por já termos vivido toda uma vida, e experimentarmos novamente de uma vez só os melhores momentos. Portanto, comemorar as conquistas e vitórias diárias obtidas pelo espírito nesta encarnação, mesmo que pequenas, talvez nos dê a certeza que elas são tão ou mais importantes que a comemoração anual do aniversário do corpo físico ou das situações por nós vivenciadas em qualquer circunstância.

FONTE:
Texto elaborado, tendo por base tópicos do livro Espiritismo Aplicado (Elizeu Rigonati)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A felicidade não é deste mundo

Por – Joilson José Gonçalves Mendes

“A felicidade não é deste mundo”. Ao lermos esta frase que consta da mensagem de François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot (Paris 1863), do Cap V, item 20, de o Evangelho segundo o Espiritismo, nossa memória nos remete a este outro ensinamento deixado por Jesus: "No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16.33). Mas como entender estes ensinamentos à luz da Doutrina Espírita? O que podemos fazer para termos uma vida menos sofrida? É possível sermos felizes?
Sempre ouvimos, ou até mesmo já pronunciamos a frase de que a Doutrina Espírita é a doutrina esclarecedora e consoladora dos espíritos. Contudo, poucas pessoas parecem assimilar este adágio popular. A Doutrina Espírita, por intermédio dos diversos livros publicados, mais especificamente nas obras básicas de Allan Kardec, trás uma gama de informação sobre as Leis Universais, sobre a evolução do ser humano, do planeta etc.
Muitas são as pessoas que se dedicam ao estudo destas obras, se aprofundam buscando sempre mais informação do mundo espiritual. Conhecem detalhadamente o Livros dos Espíritos e o Evangelho Segundo o Espiritismo que são, em minha opinião, as obras mais consultadas e estudadas, porém, a impressão que muitos destes “estudiosos” nos passam é de que o aprendizado fica apenas no campo mental/intelectual, pouquíssimas são as pessoas que trazem estes conhecimentos para o seu dia-a-dia, para a vida prática e quando as tribulações da existência os alcançam, desmoronam feito castelos de areia.
Sabemos que vivemos em um planeta de provas e expiações, e o que significa isso? Significa que saímos de um mundo primitivo e conquistamos o direito de viver em um mundo melhor. Todavia, temos que ter em mente que, um planeta de provas e expiações é apenas o segundo em uma escala evolutiva de cinco categorias, segundo ensina Allan Kardec.
Neste tipo de planeta o mal ainda prevalece sobre o bem, é uma verdadeira escola onde temos que aprender a lapidar a pedra bruta que ainda somos. E por isso é perfeitamente natural vermos tanto sofrimento, tanta miséria material e principalmente a miséria moral. "No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16.33).
Entretanto, não podemos pensar que estamos abandonados à nossa própria sorte. Em sua misericórdia divina, Deus, nos envia constantemente, seres iluminados para auxiliar em nosso progresso. À medida que vamos melhorando, cada vez mais informações chegam do plano espiritual e foi assim que a Doutrina Espírita chegou até nós, devido ao avanço que fizemos. Mas como ainda estamos arraigados nos velhos ensinamentos, fica difícil para algumas pessoas compreenderem as lições trazidas pelos espíritos.
Sabemos que a Terra está em processo de transformação para um mundo de regeneração. Nesta escala evolutiva o bem prevalece sobre o mal e para que tenhamos condições de habitar a Terra regenerada temos que fazer por merecê-la.   "Bem- Aventurados os Mansos, (Brandos) porque eles possuirão a Terra." (Mateus, 5:5).
Ao compreendermos a lei de causa e efeito, por exemplo, devemos passar a agir em consonância com esta lei, que é universal. Sabendo que hoje somos fruto do ontem, é importantíssimo que comecemos a trabalhar para que, no futuro, venhamos a ser merecedores de uma existência menos sofrida.
A lei de causa e efeito ou ação e reação nos ensina que se hoje passamos por momentos difíceis é porque prejudicamos outras pessoas em uma vida pregressa, as fizemos sofrer, roubamos matamos, etc, transgredimos a lei maior e agora chegou o momento do resgate. Não necessariamente estejamos resgatando os débitos da última vida, mas talvez de umas cinco ou seis existências antes dessa.
O importante é compreendermos quais as razões do sofrimento, mesmo que seja de maneira genérica; se sofro é por que causei sofrimento e procurarmos melhorar, exercitando o perdão, a tolerância e a humildade; lutando quando for necessário ou nos resignando diante da vontade Divina, mas sempre com fé, perseverança e confiança de que nada acontece por acaso e, termos sempre em mente, que somos os construtores do nosso destino.
Para que possamos compreender em sua profundidade e pureza dos ensinamentos trazidos é inadiável que nos empenhemos em um trabalho de autoconhecimento, não foi sem razão que Sócrates, muito antes de Jesus, já concitava seus discípulos a este trabalho interior que em poucas palavras consiste em andarmos pelos caminhos retos.
Para respondermos a última questão proposta, sim, é possível sermos felizes mesmo em um planeta de provas e expiações, obviamente teremos uma felicidade relativa, pois que: Como ser plenamente feliz, se ao olharmos para o lado sempre vemos pessoas necessitadas?
Assim, a relatividade de nossa felicidade é diretamente proporcional à medida que façamos o outro feliz, este é o segredo que Francisco de Assis a mais de 700 anos anunciou em sua belíssima oração:
“É dando que se recebe”
“É perdoando que se é perdoado”

Paz e Luz a todos os corações aflitos.....

sábado, 8 de outubro de 2011

Espiritismo e Maçonaria


Por - Gilberto L Tomasi
  Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, em brilhante palestra, feita na Loja Maçônica Caldas Junior de Porto Alegre, a convite da Grande Loja Maçônica do Rio Grande do Sul no dia 09 de Novembro de 2006, com a presença dos Grão-Mestres da Grande Loja do Rio Grande do Sul, Grande Oriente do Rio Grande do Sul e da Maçonaria Unida do Rio Grande do Sul, faz uma profunda análise sobre os ideais da Maçonaria com ênfase às suas origens remotas na Babilônia, na Mesopotâmia, com seus rituais de iniciação realizados ao ar livre, nas margens do mar morto.
  Apresenta o famoso discurso de Voltaire na sociedade em que recebeu o grau 33 da ordem maçônica, com seu eloqüente testemunho do amor a Deus. Define as palavras maçom e maçonaria, apresentando vultos eminentes que se fizeram adeptos dessa Ordem em todas as épocas da história, principalmente no período das lutas pela independência do Brasil.
  Faz um paralelo com a Doutrina Espírita, salientando os pontos em comum de ambas as filosofias e traçando seus iluminados objetivos que anelam prezam pela dignificação humana. Divaldo reporta-se a alguns pontos básicos da maçonaria como a crença em Deus, a imortalidade da alma e, no seu cerne de solidariedade, o amor, a caridade, tal qual a Doutrina Espírita, que vem abrindo campo imenso à investigação nas questões do espírito, que sendo esta uma ciência de pesquisa, busca igualmente decifrar o enigma do existir. “caminhando ao lado da maçonaria, porquanto apóia os seus postulados e entende, na sua simbologia, o milagre dos acontecimentos disfarçados de mistérios, desde os tempos da idade média, preparando o ser humano para os grandes vôos do infinito”, como assim se referiu. Em uma bela citação, Divaldo destacou dois grandes espíritas maçons, Camille Flammarion e Leon Dennis, este, maçom emérito, grau 33, que afirmava ser a maçonaria um dos belos caminhos para a dignificação da criatura humana e o seu encontro com a plenitude Divina.
  Reina até hoje no movimento espírita uma séria dúvida em saber se Allan Kardec, codificador da Doutrina, teria ou não sido maçom, muito embora use em suas obras termos maçons, como “arquiteto” para se referenciar a Deus, pedra angular, prumo, etc. Não que isto tenha importância para esta ou aquela filosofia, mas permitiria conhecer melhor a opinião de Kardec sobre a instituição maçônica. André Morel, conceituado biógrafo de Kardec, parece inclinado a responder de forma positiva, dizendo que não sabe em que Loja ele foi iniciado. Kardec, foi discípulo de Mesmer que era Maçom, e Leon Dennis, seu discípulo, também era.
  Deixando de lado essa polêmica, a verdade é que o Espiritismo e a Maçonaria tem inegáveis pontos em comum, e juntos poderão acelerar o progresso da Humanidade e o estabelecimento da justiça social, sobretudo através da perfeição moral dos espíritas e maçons.
   A Maçonaria tem por fim a melhoria moral e material do homem, por princípios, a lei do progresso da humanidade, as idéias filosóficas de tolerância, fraternidade, igualdade e liberdade, abstração feita da fé religiosa ou política, das nacionalidades e das diferenças sociais.
   O espiritismo moral e social iria dizer justamente a mesma coisa. Os princípios filosóficos são absolutamente idênticos:  a)Existência de Deus, b)Imortalidade da alma, c)Solidariedade humana.
   Em sessão da Sociedade Espírita de Paris do dia 25 de fevereiro de 1864, várias dissertações foram obtidas sobre o concurso que o Espiritismo poderia encontrar na Francomaçonaria, que depois foram publicadas na Revista Espírita de abril de 1864. Comunicaram-se naquela oportunidade os Espíritos Guttemberg (Médium: Sr Leymare), Jacques de Molé (Médium: Srta.Bréguet) e o francomaçom Vaucanson (Médium: Sr.D’Ambel.).
   Nestas comunicações, usando o método de perguntas e respostas, os espíritos comentam sobre a importância da Maçonaria, a afinidade existente em Maçonaria e o Espiritismo, o conhecimento dos Maçons sobre a Doutrina Espírita, a aceitação das idéias Espíritas. Vejamos um trecho: (...) Os homens inteligentes da Maçonaria vos bendirão por sua vez; pois a moral dos Espíritos dará um corpo a esta seita tão comprometida, tão temida, mas que tem feito mais do que se pensa. Tudo tem um parto laborioso, uma afinidade misteriosa; e se isto existe para o que perturba as camadas sociais, é muito mais verdadeiro para o que conduz o progresso moral dos povos. Ainda alguns dias, e o Espiritismo terá transposto o muro que separa a maioria das paredes do templo dos segredos, nesse dia, a sociedade verá florescer no seu seio a mais bela flor espírita que, deixando suas pétalas caírem, dará uma semente regeneradora da verdadeira liberdade . Agora, glória ao Grande Arquiteto do Universo.

Fontes:
Palestra de Divaldo em 1994 na cidade de Americana (SP) pela Loja Maçônica Sublime Universo 125: http://youtu.be/1P6dpb6zD3g
Revista Espírita – edição 04/1864
Leon Dennis e a maçonaria – Eduardo Carvalho Monteiro