domingo, 18 de setembro de 2011

A conduta do verdadeiro espírita



Por - Gilberto L. Tomasi

 Para darmos os passos iniciais, ainda que tardiamente, ao nosso processo de reforma íntima, sem a qual não chegaremos a lugar nenhum, faz-se necessário uma introspecção, uma auto-análise, para que possamos ver como anda nossa situação moral e espiritual, condição mínina para iniciar esta caminhada.
 Ao nos auto-analisarmos, veremos, que ainda nos encontramos como verdadeira pedra bruta que merece ser lapidada para podermos então colocar em prática nossa capacidade intelectual ao encontro da espiritualidade, que nos é colocada de forma clara e objetiva pela Doutrina dos Espíritos. A partir daí, nossa missão será espalhar a luz, a verdade e procurar reunir o que está esparso, perdido e adormecido dentro de nós.
Segundo passo, é estarmos sempre consagrados à nossa capacidade e firmeza de caráter, à nossa moral íntegra que não deve nunca se perder com o nosso dever, sendo sempre um ser que se sobrepõe a si mesmo, que se liberta das baixas influências, se liberta das baixas situações da convivência em grupos, para viver nos outros, isto é, espalhar a luz e fazer mais forte a fraternidade humana.
A Doutrina dos Espíritos nos mostra que devemos morrer para nossos vícios e paixões, devendo nos libertar das influências e das ilusões que não agregam nada em nossa trajetória. O espiritismo nos faz renascer do nosso estado de ignorância e inocência, no amor que fortalece, na verdade que dignifica e na virtude que sublima, para, no cumprimento do nosso dever como cristãos, sacrificar-se pelo próximo e pela humanidade como um todo. São esses os objetivos reais de nossa jornada em busca do renascimento, ou seja, das mudanças necessárias à nossa evolução.
O espírita verdadeiro, é aquele que deve ser mais do que os outros, deve ser mais sábio, mais justo, mais verdadeiro, mais compreensivo, deve ser possuidor de uma moral intelectual e espiritual mais ampla, deve ser um homem superior em todos os sentidos, pois é aquele que já superou o estado puramente humano da evolução e se converteu em mais que humano, pois já percebe que o espírito se sobrepõe à matéria.
Assim sendo, a qualidade soberana do discernimento deve ser a qualificação inicial necessária para o verdadeiro espírita, pois, seria inútil empreender o estudo e as práticas do magistério sem conhecer esta qualidade preliminar e fundamental.
O espiritismo nos ensina a pensar por nós mesmos e a fazer o bem pelo bem, independentemente e acima de qualquer outra consideração, pois só a Luz da Verdade e da Virtude podem encontrar o conhecimento necessário para passar por essa jornada e aspirar a evolução pela mudança dos nossos hábitos e condutas rumo à um   estado mais elevado.
Somente poderemos ser considerados verdadeiros espíritas depois de passarmos e superarmos a prova da “morte” terrena e do renascimento.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Arrependimento



Por - Gilberto L. Tomasi


(...) O arrependimento já é uma característica de evolução do espírito. Allan Kardec caracteriza o arrependimento em três hipóteses: desejo de melhora, sentimento de culpa e esforço de superação. (O Livro dos Espíritos)
Essas afirmativas, passadas à Kardec pelo mundo espiritual nos dá a certeza de que, quando tomamos consciência dos erros cometidos, começamos nossa jornada, mesmo que timidamente, de evolução moral.
Mas, o que significa arrependimento e porque sofremos com ele? Freud afirma que o arrependimento está paralelamente ligado ao sentimento de culpa por alguma coisa errada que o homem pratica e tem consciência do ato praticado. Porém, a maioria ainda convive e sofre com esses sentimentos, arrependimento e culpa, sem nada fazer para corrigir ou superar os erros cometidos e, passam a vida inteira sofrendo estacionados e inertes diante do fato.
Com relação às hipóteses do arrependimento, conforme palavras de Kardec, o desejo de melhora não é muito simples e fácil de aceitar, haja vista, que isso implica em reconhecer nossa inferioridade moral, ou “reconhecer a própria sombra”, (Ermance Dufaux – Reforma Íntima sem Martírios). Porém, não existe outra maneira ou outro caminho para o arrependimento senão reconhecer de imediato que ainda somos imperfeitos e, que devemos dia-a-dia fazer um esforço muito grande para darmos os passos iniciais à nossa reforma íntima.
O Evangelho Segundo o Espiritismo narra o episódio de Santo Agostinho ensinando que devemos sim, todos os dias antes de dormir, refletir sobre tudo o que fizemos ou deixamos de fazer de bom ou ruim e repetir sempre aquilo que foi  bem feito e corrigir logo tudo o que foi o mal feito sempre que tivermos oportunidade para tal.
Sofremos muito convivendo com o sentimento de culpa sem entender, conforme nos falam os espíritos superiores, que no estágio em que nos encontramos nesta encarnação se não fosse esse sentimento, a culpa, não iríamos sair do lugar, pois é justamente o sentimento de culpa, de ter feito algo errado ou de não ter feito algo de bom, que nos empurra para o progresso e para a evolução, entendendo que os erros devem servir de ponto de partida para nosso futuro e não como prisão mental, moral ou espiritual.
A terceira hipótese para conquistar equilíbrio no processo do arrependimento, conforme Kardec, é o esforço, juntamente com o desejo e força de vontade de reparar toda e qualquer situação equivocada. Isto nos faz lembrar Paulo de Tarso que disse “A mim, que fui antes recrimino, perseguidor e injuriador, mas alcancei a misericórdia de Deus porque o fiz por ignorância e por ser incrédulo”.
Todos nós sabemos que Paulo era antes Saulo o soldado que perseguia Jesus e passou a segui-lo após cair em si e enxergar o que antes seus olhos não viam. Acontece que ainda somos totalmente cegos diante de nossa real situação, ainda estamos arraigados à materialidade, à vaidade, ao ego, esquecendo de nos manter exatamente onde devemos estar, ou seja, ao aprendizado.
Não devemos conviver com a culpa e o arrependimento em auto-flagelação. Não precisamos sofrer e nos auto-punir, lembremos das palavras de Kardec, afirmando, que somente ocorrerá a regeneração do espírito quando este atingir as três condições para apagar os traços de seu erro, que são: arrependimento, expiação e reparação.   Não importa se sofremos nos arrependemos e nos culpamos  mais com o que deixamos de fazer ou com o que fizemos, o passado deve apenas servir como ponto de partida, vendo onde, como e porque agimos desta ou daquela maneira.
Joana D’Angelis nos chama atenção para a prática da oração em toda e qualquer situação que estejamos envolvidos.


 Fonte: “Considerando o Arrependimento” do livro Leis Morais da Vida – Item 11 – Divaldo Pereira Franco/Espírito Joanna de Ângelis

sábado, 3 de setembro de 2011

Conflito interior



 
Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Muitas pessoas passam pela vida terrena como se fossem verdadeiras máquinas programadas. Nascem, crescem, reproduzem, envelhecem e morrem. Seria simples se no decorrer de suas vidas as coisas acontecessem como planejadas, mas nem sempre é assim que acontece. Mesmo porque, por mais racional que alguém seja não consegue manter-se 100% focado na razão. Chega um momento em que a emoção nos convida a refletir mais profundamente sobre a vida.
Somos a somatória de séculos de existência com experiências nas mais diversas áreas, por mais que estejam encobertas pelo véu do esquecimento, não há como negarmos o que já passamos o que realmente somos enquanto princípio inteligente individualizado em processo de evolução.
As vivências que tivemos no pretérito emergem e submergem do inconsciente para o plano consciente, contudo sem termos verdadeira noção do que passamos. Por isso há momentos em que nos sentimos capazes de conquistar céus e terras, outros em que nos sentimos o menor dos seres existente no universo.
Este é um processo de “purgação” do espírito enquanto limitado pelo corpo físico, esse dreno que auxilia no processo evolutivo de cada ser. Se no passado fomos pessoas de posses materiais e não soubemos utilizá-la em conformidade com as Leis Divinas, chega o momento em que nos vemos privados destes bens e por vezes um sentimento de querer ter, o desejo de possuir os objetos ilusórios da matéria, surge repentinamente em nosso íntimo, mesmo sabendo que por mais que trabalhe ou que tenha outro emprego, não conquistará os objetos do desejo. É a lembrança do passado nos assolando a consciência para que aprendamos a refletir sobre a importância dos bens materiais.
Outras vezes nos questionamos qual a razão de não termos uma pessoa que nos compartilhe os carinhos, alguém a quem possamos dedicar os mais sinceros sentimentos e constituir família. Não compreendemos o motivo pelo qual tantas pessoas preferem viver enclausuradas em seu egotismo a doar-se em benefício de outrem. São as reminiscências do pretérito emergindo, ao mesmo tempo, como verdadeiros juízes e carrascos a nos impor a reflexão sobre o conviver, o doar-se, a renúncia de nossos desejos em favor do próximo, a importância do convívio social sem o prejuízo deste ou daquele.
Pessoas há que se desanimam diante de uma enfermidade que castiga o corpo físico impondo rotina austera, dieta alimentar rígida, pouco contato com pessoas, sem a oportunidade de trabalhar pelo próprio sustento, sempre dependente de um ente familiar ou de médicos e enfermeiros. Oh, Deus! Por que tanto sofrimento a um só ser? Não seria melhor extinguir de uma vez esta vida? Cala-te, ser ignorante! Não percebes que Deus está lhe dando a oportunidade de resgatar a sua dívida? Consulte a própria consciência, seus mais íntimos pensamentos e descobrirás que muitos foram os prejudicados por você, e em sua infinita misericórdia o Criador de todas as coisas lhe concede esta oportunidade de quitação da dívida e esconderijo contra aqueles que agora se sentem no direito de cobrar todo o prejuízo e sofrimento que lhe foram causados.
Quanta angústia, quanta dor, não a dor física se bem que às vezes chega a doer o corpo físico, mas a dor interior que não sei de onde surge, de onde vem e para onde vai, dor no peito, dor na cabeça, não sei o que é isso, fico a questionar se realmente é uma dor, mas é algo que incomoda incessantemente. Por vezes pensamentos atrozes surgem no íntimo, em vão tento afastá-los. Que tormento! O que será isso? Estou enlouquecendo? É mais uma vez o juiz consciência acusando dos erros cometidos que emergem para nos lembrar que nenhum mal ficará impune diante das leis universais.
Perante toda essa problemática existencial renda-se ao Pai criador da vida, ao Cristo Jesus que muito nos ama e nos convida à reforma interior. São doenças da alma a manifestar-se no corpo. Reconheçamos o nosso passado de erros e procuremos a transformação íntima que Jesus nos ensinou e poucos souberam compreender.
Se te faltas, doa-te. Se estás só, busque a companhia dos solitários levando sempre uma mensagem de carinho. Se enfermo, lembre-se de Jesus, o médico das almas e ore em favor daqueles que também se encontram nos leitos dos hospitais. Se a inquietude lhe aflige, trabalhe incessantemente em benefício do semelhante, aprenda a silenciar a mente pela prática meditativa, respire profundamente e sinta a paz profunda em seu interior.
Tudo no universo funciona dentro da mais perfeita harmonia. Para entendermos o presente, precisamos nos lançar no passado e projetarmos para o futuro a fim de que a compreensão da vida possa nos impulsionar para um porvir repleto de luz, vida e amor.

domingo, 28 de agosto de 2011

Solução para as doenças e doentes


 
Por - Gilberto L. Tomasi

Constantemente somos surpreendidos pelo surgimento de algum tipo de doença ocasionada pela mutação de algum vírus que acaba por ocasionar certo descontrole em sua fase inicial infectando multidões. Passado o susto inicial, com suas conseqüências, a ciência descobre algum tipo de medicamento,vacina etc.,que resolve o problema.
Acontece porém, que nas últimas décadas têm aparecido outras doenças com nomes diferentes, reações imprevisíveis que se alastram rapidamente, com efeitos danosos para a humanidade e para também para os animais, como um sinal de   alerta que pode indicar algo mais.
Pode ser um sinal de alerta, mostrando que a humanidade está vulnerável não apenas em relação aos corpos dos seres vivos, mas a atmosfera como um todo, ás águas, o solo, as plantas. Estamos totalmente desprotegidos e, isso tem a ver como nosso estilo de vida.
É fácil perceber que estamos vivendo e convivendo num ciclo totalmente desequilibrado, com a poluição de todas as fontes possíveis à nossa sobrevivência com grandes prejuízos e danos a saúde.
O santuário da habitação de Deus, conforme se refere o apóstolo Paulo, está cada vez mais sujo e aberto a todo tipo possível de sujeira.
Sempre que se procura combater tais epidemias e doenças causadas por esse desequilíbrio não se fala do estilo de vida do homem moderno, fala-se apenas em meios para combater tais enfermidades somente depois que eles agem, que destroem e matam, ou seja, a ciência trabalha muito, com certeza, sempre focada em encontrar as saídas para corrigir os problemas depois de se tornarem insustentáveis.
O grande desafio é a prevenção e os cuidados que o homem deve ter para com o ambiente em que vive.
A Doutrina espírita contribui com a solução das ameaças de doenças e epidemias, com falta de água, com a falta de cuidados com o meio ambiente, entre outros desafios sociais, no momento em que prega aquilo que enseja a harmonia e o respeito à obra Divina. O espiritismo entende que esses cuidados não devem ser apenas uma questão de ideologia, mais sim, de mudanças de hábitos e comportamentos.
E, somos nós espíritas, que devemos representar essa conduta do espiritismo. Que cada um de nós, cidadãos de bem, exerçamos nossos deveres de cidadania com firmeza e respeito. Temos que nos empenhar constantemente em todos os movimentos sérios que lutam em vencer esses desafios.
De que maneira podemos fazer isso? Aliando nossos conhecimentos técnicos, culturais, nas nossas áreas de atuação vivenciando sempre a Doutrina Espírita que vem nos ajudar a melhorar nosso caráter e, consequentemente nossas atitudes perante o meio em que vivemos.
Logo, todos os setores de atuação, médicos, filósofos, escritores, jornalistas, administradores e também os políticos, etc., que são os chamados formadores de opinião, devem aplicar a formação e os conceitos que possuem naqueles espaços que atuam.
Kardec mostra com clareza e objetividade a respeito da origem das aflições, quando diz que elas podem advir dos erros cometidos e completa dizendo que a dor é propulsora do progresso.
Quando somos visitados pela dor e pelo sofrimento, ficamos mais sensíveis com os acontecimentos à nossa volta, nos tornamos mais introspectivos e vivenciamos emoções que até então não conhecíamos. Neste momento lembramos de orar com mais ênfase, ficamos mais compenetrados, avaliamos melhor o sofrimento que ser seja nosso ou alheio, haja vista, que observamos e sentimos nossas atitudes ante a dor.
Nesta posição de doentes, nossas ações irão demonstrar se estamos realmente assimilando as lições que a Doutrina Espírita nos ensina. Quando entramos um estágio e reflexão, temos condições melhores de meditar de forma mais profunda nas causas das dores que nos chegam, quer por meio de doenças, catástrofes ou acidentes naturais.
Quantas pessoas não se deixam transformar para melhor depois de uma situação de perigo, de uma enfermidade? Quantas não mudam de atitudes, hábitos e ações danosas e, abandonam seus vícios morais e se apegam e se amparam na fé e no amor de Deus? Quantos não descobrem no interior do ser o valor da vida, da imortalidade do espírito e, acaba por compreender melhor a justiça de Deus que as vezes acontece em forma de causa e efeito?
È comum o questionamento do homem frente as dificuldades vivenciadas no mundo atual, com drogas, violências, doenças, desastres de toda ordem, perguntando-se se o mundo estaria progredindo? O espiritismo mostra que num momento que vai marcar a história de forma expressiva da humanidade. A ciência aliada à tecnologia lançaram o homem nas alturas do progresso material, faltando apenas a evolução moral e espiritual alcançarem também esse patamar.
Mas, apesar disso, o mundo vem progredindo, a ciência trabalha em favor da saúde, do bem estar, da erradicação de males que afligem a sociedade. Falta apenas o homem adquirir a consciência necessária de que pode contribuir para mudar o rumo dos acontecimentos mudando seu estilo de vida e cuidando melhor do local onde vive e que com certeza voltará um dia, até que consiga galgar degraus mais altos nesse processo de evolução.