terça-feira, 23 de agosto de 2011

Coragem para mudar



Por - Gilberto L. Tomasi
 

A Maioria dos conflitos que afetam o homem  acontecem em função dos baixos padrões de comportamento que ele próprio adota em sua jornada terrena.
É comum o homem copiar modelos existentes, que o satisfazem por pouco tempo, sem analisar as possíveis consequencias que esses tipos de comportamentos podem acarretar.
O homem ainda não entendeu a importância necessária do seu progresso e crescimento individual, para que, mais evoluído possa colaborar para o progresso em coletividade.
Ainda se acredita que os próprios erros cometidos são menores do que os erros cometidos pelo semelhante. A grande maioria acha que o tempo age e passa de forma diferente para ele, como se ele fizesse parte de um mundo independente. E, assim agindo acabam por se iludir imaginando que o rigor da lei da consciência irá atingir somente os outros. Por outro lado, o homem ainda se deixa levar pelo orgulho e pelo egoísmo da maioria, sem refletir e analisar o que seja realmente necessário se alcançar.
A Doutrina Espírita, através de mensagens emanadas do mundo espiritual nos dá a certeza de que este é o momento de nós espíritos encarnados, em estágio de evolução começarmos nos desvencilhar de forma verdadeira dos nossos vícios e paixões, procurando buscar outros meios que nos levem a galgar saltos maiores em busca da evolução. Somos orientados constantemente pela espiritualidade para voltarmos nossas energias em busca de uma atividade fraternal que nos leve a praticar a verdadeira caridade, sem a qual não chegaremos a lugar nenhum. Nesse sentido, é importante cultivar alguns ensinamentos do Mestre, como a paciência, não entrando em desespero e nem se deixando levar pela fraqueza, sabendo aguardar a sabedoria do tempo que vence todos os obstáculos.
Não podemos e nem devemos esquecer que assumimos compromissos anteriores à nossa encarnação atual, devendo, pois, caminharmos sem desaminar, sem falsas ilusões, confiando sempre na ajuda divina em busca de valores nobres.
É comum e muito fácil o homem desistir da busca de sua evolução, se deixando levar por momentos de falsos prazeres, tornando-se assim igual aos demais, em suas manifestações inferiores. Esquecemos que os falsos prazeres em relação das paixões descontroladas são conseqüências de atitudes impensadas que irão se transformar em grandes problemas a serem sanados. Uma grande virtude a ser seguida, é aprender a vencer e controlar as más inclinações, as más tendências, procurando seguir em frente vencendo os obstáculos e perseverando no combate às nossas fraquezas.
Comecemos a mudar nossos hábitos e atitudes estejam eles onde estiverem, de forma gradual, começando pelos mais fáceis e, fazendo disso um hábito e um exercício rotineiro. Devemos estar sempre atentos para as oportunidades diárias que nos são oferecidas pela bondade Divina, aproveitando-as, fazendo o bem, por mais insignificante que o ato possa parecer, sem imaginar grandes realizações e, sem esperar recompensas pelas nossas atitudes, haja vista, que  maior recompensa que podemos ter é a consciência tranqüila por ter feito a coisa certa. Lembrando sempre que toda ascensão exige muito esforço, enquanto toda queda vai resultar em prejuízo e recomeço.
É necessário muita coragem e muito esforço moral para nos livrarmos da falsa auto-imagem que nos creditamos nos imaginando maiores e melhores aos semelhantes. Porém, a coragem ainda está associada à agressividade dos atos cometidos que nos dão a falsa ilusão de sermos superiores, nos levando a agir de forma ameaçadora, precipitada e violenta, querendo demonstrar força e poder. Isso, no entanto, não passa de grande desequilíbrio emocional de comportamento.
O homem ainda não entendeu que a verdadeira coragem é aquela que lhe dá forças para suportar e enfrentar as provações, agindo de forma cautelosa e racional não deixando que um momento íntimo se transforme em ato destruidor com conseqüências de difícil solução. Aprendamos a vivenciar a coragem como sendo um elo de confiança às nossas próprias resistências, para que não nos deixemos levar pelos baixos sentimentos da raiva e do ódio no momento de agirmos.
A falsa idéia que temos da coragem é o que nos faz a agir de forma descontrolada, quando, deixando de lado a razão agimos impulsionados pela emoção desequilibrada. A verdadeira coragem somente é conquistada e entendida através das sucessivas vivências evolutivas, depois de já termos passados por diversas dificuldades, dores e sofrimentos, os quais nos ensinam a adquirir resistências para suportar as dificuldades encontradas pelo caminho. E, essa coragem adquirida se transforma em força moral para aqueles que não apegam em bens transitórios, se transforma em perseverança quando as situações se apresentam desfavoráveis.
Aqueles que lutam em busca da fé, que se sacrificam em prol do progresso da cultura ou da ciência, que lutam em busca do bem são movidos pela coragem que os anima em seus objetivos em busca da evolução. Quem conquista a coragem em sua plenitude não se sente perseguido, com medo, nem injustiçado, aceita a vida como ela é sempre buscando encontrar o norte de sua reforma íntima sem querer mudar rumo em função das adversidades encontradas. A coragem moral lhes dá as forças necessárias em todas as ocasiões.
Inicialmente, a coragem se manifesta no estado de auto-avaliação das possibilidades que dispomos, deixando de lado a suposta grandeza que acaba por esconder nossas fraquezas morais. A coragem  nos trás uma grande força de tranqüilidade e coerência nos impulsionando para frente sem medos.
É preciso muita coragem para ser autêntico, verdadeiro, honesto para deixar de lado a falsidade o orgulho a prepotência  a arrogância e, Joana D’Angelis diz que é preciso ser mais corajoso ainda para ser verdadeiramente humilde, para admitir ao menos para si próprio que possui sentimentos negativos
É preciso ser muito corajoso para se comportar de maneira condizente com os bons costumes, para aceitar a dor e o sofrimento com dignidade, para amar e doar sem esperar retorno.
Deveríamos sempre nos espelhar na coragem de Jesus.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Inimigo invisível



Por – Joilson José Gonçalves Mendes

Ao consultarmos o Evangelho Segundo o Espiritismo em seu capítulo XII (Amai os vossos inimigos), item 5, encontraremos o tópico – Os inimigos desencarnados – trecho em que nos são apresentadas algumas razões para que aprendamos a amar os nossos inimigos, citado pelo evangelista Mateus em seu capítulo 5-43:47. Assim ensinou Jesus:
“Aprendestes que foi dito: "Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos." Eu, porém, vos digo: "Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. - Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?"
Analisando a proposta do mestre no ensinamento acima, verificamos o quanto temos que aprender em relação aos nossos sentimentos e às Leis Divinas. Jesus inicia fazendo alusão ao que era ensinado em sua época, que era a lei de Talião, o “olho por olho, dente por dente” e depois ensina que Deus é bom para com todos.
Segundo os historiadores a pena de Talião tem sua origem no Código de Hamurabi, datado de 1.700 a.C., na antiga Mesopotâmia. Tinha como princípio impedir que as pessoas fizessem justiça pelas próprias mãos, e assim, cometessem excessos. Um exemplo de como funcionava este código é o que vemos em seu Art 25:
Art. 25 § 227 - "Se um construtor edificou uma casa para um Awilum, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse construtor será morto".
Contudo, Jesus veio ensinar a Lei maior, que é a Lei de AMOR. Que devemos aprender a perdoar aqueles que nos prejudicam. Que devemos fazer o bem e orar por aqueles que nos odeiam. Mas qual seria o sentido destas palavras? Como compreender este ensinamento à luz da Doutrina Espírita?
Primeiramente é importante sabermos que ao dizer para amar os nossos inimigos, isto não significa que teremos por eles o mesmo sentimento que temos pelos nossos amigos. Seria muita hipocrisia acreditarmos que devotaríamos sentimentos fraternos as pessoas que nos fizeram mal. Pela própria lei de afinidades é muito natural que venhamos a repelir quem nos prejudica.
Todavia, é justamente neste sentido que vem a proposta de Jesus. Ele ensina que devemos trabalhar nossos sentimentos para que não venhamos recorrer em erros e ficarmos presos (ligados) aos nossos algozes e isso só se consegue com o esquecimento das ofensas, o perdão que emana do coração.
Sabemos que ao deixarmos o corpo físico pelo fenômeno da morte, continuaremos a existir em outra dimensão e seremos o que sempre fomos. Ninguém vira “anjo” ou “demônio” após o desencarne. Se fomos, enquanto encarnados, pessoas boas, honestas, com princípios morais, continuaremos com estes princípios do outro lado da vida. Mas se fomos pessoas más, do tipo que gostava de levar vantagem em tudo sem se preocupar com o próximo ou sem termos os princípios éticos/morais sedimentados em nossa estrutura psicoespiritual, continuaremos assim quando da falência dos órgãos físicos.
Agora, desencarnada, esta pessoa passa a gozar da vantagem de estar oculta aos nossos olhos materiais e poder influenciar a vida daqueles que ela não gostava, agindo telepaticamente ou até mesmo fisicamente contra as pessoas que ela julgava serem seus inimigos. Passa a ser o nosso inimigo invisível.
Inicia-se, desta forma, os processos obsessivos que vão das mais simples influências até as mais elaboradas subjugações, demorando, muitas vezes, séculos para nos livrarmos, ou melhor, reconciliarmos com esses obsessores. Sim, a única maneira de nos vermos livres dos obsessores é nos reconciliando com eles, é da Lei.
“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil” Jesus – Mateus 5-25:26
Este processo obsessivo pode acontecer por coisas muito pequenas, como uma discussão no trânsito, um mal entendido no local de trabalho, um desentendimento familiar, o tão famoso melindre, etc. Jesus há dois mil anos vem nos convidando a trabalharmos os sentimentos para que possamos aprender a perdoar e evitarmos atrasos em nossa evolução espiritual. Sua vida foi o maior exemplo que nos deixou ao ser cruelmente torturado e ainda assim perdoar a todos.
Busque a reflexão interior sobre como estás agindo ou reagindo no mundo. Como me sinto diante das adversidades ou daqueles que desejam me prejudicar? O que estou fazendo para melhorar interiormente? Medite profundamente sobre a sua verdadeira natureza.  Paz e Luz

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Autodespertamento



Por - Gilberto L. Tomasi

No livro o Problema do Ser, do Destino e da Dor, obra  clássica da literatura espírita, Leon Denis faz uma abordagem profunda sobre a questão da poderosa rede de forças energéticas ocultas na criatura.
Evidentemente inspirado, Leon Denis, que foi um desbravador do espiritismo afirma, que as causas das verdadeiras necessidades do espírito não se encontram em locais pré-determinados no espaço sideral, mas sim, nas profundezas da alma humana, devidamente ensinadas pelas doutrinas religiosas e em particular pelo próprio mestre quando afirmou: O reino dos céus está dentro de vós.
É, portanto, na vida íntima de cada um (espírito), onde se encontram essas forças que brotam por intermédio das suas faculdades e virtudes, portadoras de valores que vão projetar as necessidades do espírito e a sua evolução por completo.
Para alcançar esse patamar, ir em busca desses valores necessários à evolução do espírito, é imprescindível o exercício do recolhimento íntimo. É preciso disciplinar a força de vontade que está localizada nas zonas mais profundas do espírito.
E, em decorrência desses hábitos e da força de vontade, que são adquiridos pela auto-educação, ocorre o despertamento da consciência para as superiores realidades da vida.
A introspecção, esse olhar para dentro de nós mesmo, nos possibilita, além do autoconhecimento, a lapidação das arestas imperfeitas do próprio caráter, com o aparecimento gradual da humildade - outra necessidade do espírito -  o senso de justiça , amor e caridade.
A força de vontade exerce uma influência fundamental para que o ser humano possa dominar-se, vencer as dificuldades e solucionar problemas mais intrincados. A vontade é uma força tão poderosa que pode atuar com intensidade suficiente sobre o envoltório fluídico do espírito, ativando as suas vibrações e, apropriando gradualmente o espírito para as suas sensações e emoções cada vez mais elevadas.
Sob o efeito da vontade surgem outras necessidades do espírito, como a paciência, a perseverança e a autoconfiança que são forças preservadoras das causas de desassossego e de perturbação interna e externa. A vontade educada através do exercício persistente, pode levar o espírito a conseguir resultados prodigiosos no campo mental, com reflexos imediatos na  conduta moral do homem.
Como diz o ditado popular “querer é poder”, o espírito, conhecendo os seus próprios recursos latentes, descobre o crescimento das suas forças, dirigindo os seus esforços, afim de superar as próprias fraquezas  sejam elas físicas e morais, despertando a consciência para iniciar a verticalização gradual da própria espiritualização.
Já, Joana D’Angelis no livro vida desafios e soluções, diz, que a fase inicial da vida, sob qualquer aspecto considerado, é a do sono. Por isso mesmo, conforme bem sintetizou Leon Denis, o psiquismo “ dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal e pensa no homem.” Portanto, é na fase hominal que o espírito prossegue com intensa capacidade  da intuição no anjo, adquirindo novas experiências sem cessar, infinitamente.
Todo ser está fadado à perfeita sintonia com a consciência cósmica, que nele dorme, aguardando os fatores que lhe propiciem o desenvolvimento, o contínuo despertar para a evolução.
Despertar é uma necessidade do espírito, e segundo Joana D’Angelis, despertar é  indispensável, abandonando a letargia que procede de faixas por onde transitamos, libertando o espírito do marasmo, em forma de sono da consciência para as suas realidades atuais. Essa libertação do espírito vai fazer com que ele se liberte das suas paixões remanescentes que ainda lhe envia mensagens pessimistas e perturbadoras.
O espírito necessita se conscientizar do que é, do que necessita fazer, de como conseguir o êxito, pois isso constitui para o ser, o chamamento urgente, como contribuição valiosa para o empenho na inadiável tarefa da revolução  íntima transformadora.
Geralmente encontramos no comportamento do homem as referências ao dormir, estar dormindo, adormecido. Isso caracteriza os estados de existências  vivenciadas. E, de fato, a maioria está adormecida para as próprias realidades, para os desafios da evolução, para as conquistas, enfim, que são  necessidades do espírito.
Porém, o espírito desconhecendo ou esquecendo essas realidades se apaixona por interesses mesquinhos, vive fascinado pelo doentio narcisismo, prefere permanecer em estado de consciência de sono, do que experimentar o despertamento para a lucidez, para os compromissos em relação a vida e ao crescimento interior. Isso, ainda, se apresenta ao espírito como um verdadeiro parto e, segundo Joana D’Angelis, despertar para a realidade nova da vida é como experimentar um parto interior, profundo, libertador, dolorido e feliz.
O espírito necessita da renovação social, da vida social como um imperativo, uma vez que ela decorre da lei natural. (O Livros dos Espíritos, questão 766). O espírito necessita do entendimento que o progresso individual e coletivo se faz pela vida de relação dos seres humanos entre si, pois, sendo o homem um ser gregário por natureza, vem criando desde que se encontra na terra, as múltiplas formas de sociedades para atendimento de suas necessidades.
Logo, é ele, o espírito encarnado, ou seja, o homem, o responsável pela organização social, que reflete os defeitos de seus componentes: ou seja, egoísmo, orgulho, vaidade, ambição e outros tantos sentimentos mais baixos.
O espírito necessita do entendimento, que desde os tempos primitivos, a humanidade se transforma contínua e lentamente. Diversos tipos de sociedades humanas acompanham o progresso material e moral das sucessivas gerações.
A influência que o espiritismo exercerá sobre as sociedades humanas é perfeitamente previsível, em função de sua filosofia, da realidade da vida que põe à mostra as verdades que revela, substituindo crenças, fé cega e cultos exteriores pela fé raciocinada, que é outra necessidade do espírito.

Referências bibliográficas:
- O Problema do Ser, do Destino e da Dor (Leon Dennis)
- Vida Desafios e Soluções (Joana D’Angelis)


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A doutrinação - Psicologia da doutrinação



José Herculano Pires

O doutrinador deve ler e reler, com atenção e persistência a ESCALA ESPÍRITA (Livro dos Espíritos) para bem informar-se dos tipos de espíritos com que vai defrontar-se nas sessões. A escala nos oferece um quadro psicológico da evolução espiritual, que podemos também aplicar aos encarnados. No trato com os espíritos o conhecimento desse quadro facilita grandemente e doutrinação. Os espíritos inferiores usam geralmente de artimanhas para nos iludirem e se divertem quando conseguem, prejudicando-se a si mesmos e fazendo-nos perder tempo. Temos de encará-los sempre como necessitados e tratá-los com o desejo real de socorrê-los. Mas precisamos de psicologia para conseguirmos ajudá-los. A tipologia que a Escala nos oferece é de grande valia nesse sentido. Por outro lado, a leitura dos casos de doutrinação relatados por Kardec na REVISTA ESPÍRITA nos oferece exemplos valiosos de como podemos nos conduzir, auxiliados pelos espíritos protetores da sessão, para atingir bons resultados.
A prática da doutrinação é uma arte em, que o bom doutrinador vai se aprimorando na medida em que se esforça para domina-la. Enganam-se os que pensam que basta dizer aos espíritos que eles já morreram para os sensibilizar. Não basta, também, citar-lhes trechos evangélicos ou fazê-los orar repetindo a nossa prece. É importante também explicar-lhes que se encontram em situação perigosa, ameaçados por espíritos malfeitores que podem dominá-lo e submetê-los aos seus caprichos. A ameaça de perda da liberdade os amedronta e os leva geralmente a buscar melhor compreensão da situação em que se encontram. Mas não se deve falar disso em tom de ameaça e sim de explicação pura e simples. Muitos deles já estão dominados por espíritos maldosos, servindo-lhes de instrumentos mais ou menos inconscientes. O médium que recebe a entidade sente as suas vibrações, percebe o seu estado e pode ajudar o doutrinador, procurando absorver os seus ensinos. Através da compreensão do médium o espírito sofredor ou obsessor é mais facilmente tocado em seu íntimo e desperta para uma visão mais real da sua própria situação. Doutrinador e médium formam um conjunto que, quando bem articulado, age de maneira eficiente para a entidade.
O doutrinador deve ter sempre em mente todo esse quadro, para agir de acordo com as possibilidades oferecidas pela comunicação do espírito. Com os espíritos rebeldes, viciados na prática do mal, só a tríplice conjugação da autoridade moral do doutrinador, do médium e do espírito protetor poderá dar resultados positivos e quase sempre imediatos. Se o médium ou o doutrinador não dispuser dessa autoridade, o espírito se apegará a fraqueza de um deles ou de ambos para insistir nas suas intenções inferiores. Por isso Kardec acentua a importância da moralidade na relação com os espíritos. Essa moralidade , como já dissemos, não é formal, mas substancial, decorre das intenções e dos atos morais dos praticantes de sessões, não apenas nas sessões, mas em todos os aspectos de suas vidas.
Os espíritos sofredores são mais facilmente doutrinados, pois a própria situação em que se encontram favorece a doutrinação. Se muito erraram na vida terrena, permanecendo por isso em situação inferior, o fato de não se entregarem à obsessão depois da morte já mostra que estão dispostos a regenerar-se. Só a prática abnegada da doutrinação, com o desejo profundo de servir aos que necessitam, dará ao médium e ao doutrinador a sensibilidade necessária para distinguir rapidamente o tipo de espírito com que se defrontam. O doutrinador intuitivo aprimora rapidamente a sua intuição, podendo perceber, logo no primeiro contato, a condição do espírito comunicante. A psicologia da doutrinação não tem regras específicas, dependendo mais da sensibilidade do doutrinador, que deverá desenvolvê-la na prática constante e regular. Mesmo que o doutrinador seja vidente, não deve confiar apenas no que vê, pois há espíritos maus e inteligentes que podem simular aparências enganadoras, que a percepção psicológica apurada na prática facilmente desfará. Não é preciso ser psicológo para doutrinar com eficiência, mas é indispensável conhecer a ESCALA ESPÍRITA, que nos dá o conhecimento básico indispensável.

Fonte: