quinta-feira, 28 de abril de 2011

Você é o responsável

Joilson José Gonçalves Mendes

Muitas pessoas tem o hábito de reclamar dos infortúnios que assolam suas vidas. Parece que o universo conspira contra estas pessoas. É como o adágio popular “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”. Nestes momentos são poucos os que se lembram de agradecer à Divindade por lembrá-los de que fizeram ou estão fazendo algo errado. Geralmente ficam em um lamentar sem fim querendo encontrar respostas para o mal que aparentemente os arruína. Porque comigo? Porque minha família? Por quê? Por quê? Por quê? Mas qual deveria ser a atitude diante destas dificuldades? A melhor maneira de agir nestes momentos é parar, respirar, orar, agradecer, refletir e agir. 
                 Quando estamos em uma situação turbulenta e não encontramos as respostas que desejamos, PARAR é conduta primordial para encontrarmos o caminho de volta, é desacelerar o estresse físico e mental gerado pela situação. Assim conseguimos observar melhor o que está acontecendo ao nosso redor, perceber nossas atitudes e nossos pensamentos. A correria do dia-a-dia, o avanço tecnológico, a ânsia e ganância do homem pelo dinheiro e poder o induziu a manter-se em total atividade, condicionado pelas regras da sociedade impedindo que reserve um momento para si; parar é retornar ao seu lar interior.
Em seguida RESPIRAR, ao respirarmos lenta e profundamente acalmamos a mente e o coração, aliviamos a tensão, desintoxicamos o organismo, temos mais vitalidade e ficamos mais abertos às intuições, a mente passa a funcionar com mais tranqüilidade e coordenação, a tagarelice mental diminui, podendo nos induzir a estados alterados de consciência e levar a plena comunhão com Deus em um profundo arrebatamento íntimo.
ORAR é o conselho do mestre Jesus, que disse “vigiai e orai”, nos dois primeiros itens conseguimos manter a vigilância, agora é o momento de orar. Pesquisas recentes demonstram que o ato de orar proporciona uma melhor saúde e qualidade de vida. Quando oramos com fé e sentimento evocamos a divindade em nós, elevamos nosso pensamento ao Criador que envia seus emissários ao nosso auxílio, garantindo a proteção de que necessitamos.
O passo seguinte é AGRADECER a Deus pela dificuldade que estamos passando porque é a maneira que ele encontrou de nos alertar e fazer com que voltemos para o caminho correto. Sabemos também, que as dificuldades nos proporcionam a capacidade de crescimento, de superação de nossas forças, passamos a acreditar mais em nós. Se você fizer uma retrospectiva da vida notará que após superar momentos difíceis, saiu mais fortalecido, com aquela sensação de “Eu venci!” é assim que devemos agir, então agradecer sempre. Em pesquisas realizadas com pessoas enfermas, descobriu-se que as que tinham uma atitude de gratidão se recuperavam mais rápido, outras apresentavam uma qualidade de vida melhor, eram mais saudáveis. Devemos manter diariamente uma atitude de gratidão seja pela família, o emprego, os amigos, o alimento, a natureza, pelas dificuldades, etc. Agradecer é reconhecer a presença Divina em nossas vidas. Portanto o ato de agradecimento deve ser nossa atitude primeira ao despertarmos de uma noite de sono e a última ao término da jornada diária de trabalho, quando nos recolhemos para mais uma noite de descanso.
Após completarmos as fases anteriores é momento de REFLETIR sobre o acontecido. O que levou a tal situação? Quais têm sido meus atos e pensamentos em relação a isto? Normalmente não damos conta do que pensamos e como agimos, temos cerca de 60.000 pensamentos no dia, qual a natureza destes pensamentos? Alguém já disse que “você é aquilo em que pensa”. Sabe-se que o pensamento é uma energia muito poderosa e que atraímos aquilo em que pensamos, André Luiz ensina que pelo pensamento somos co-criadores com o Criador, lembre-se você é o responsável. Na Doutrina Espírita temos o conhecimento de que os espíritos menos esclarecidos se aproveitam de nossas fraquezas para incutir em nós pensamentos e idéias contrarias ao ideal a que professamos. Conduzem a nossa vida com perfeita maestria, como a resposta obtida por Kardec na questão 459 de “O livro dos espíritos” - “...são eles quem vos dirigem”. Mas isto não nos isenta da responsabilidade como bem explicam os espíritos na questão 461 da mesma obra.
Qual é a minha parcela de responsabilidade? Muitos poderão dizer que nada fizeram para que o ocorrido se agravasse, tem a tendência de responsabilizar o outro, caso seja verdadeiro, o que duvido muito, lembre-se que você é um ser eterno, que já atuou muitas outras vezes no palco da vida se envolvendo com pessoas que hoje voltam para aparar as arestas do passado e que mecanismos inconscientes surgem, sem que se perceba. A nossa responsabilidade está em nos esforçarmos para expurgarmos de nós todo o mal que ainda possuímos. Allan Kardec disse: “Conhece-se o verdadeiro espírita pelos esforços que faz para melhorar-se”. Você poderá argumentar: “- Mas eu fui o ofendido!” Certa vez um discípulo perguntou ao seu mestre o que deveria fazer para não se ofender quando alguém o provocasse. O mestre em sua sapiência perguntou ao discípulo: “- Se alguém lhe oferece um presente e você o recusa, para quem fica o presente?” O que o discípulo respondeu: “- Com a pessoa que queria presentear”. Então, disse o mestre, faça o mesmo. Recordemos, ainda, o exemplo dado por Jesus que foi humilhado e açoitado inocentemente e em nenhum momento reagiu.
Lembre-se que você é o responsável, se não pela situação desconfortável em que se encontra, passa a ser responsável para buscar o equilíbrio que hora encontra-se pendendo mais de um lado na balança da vida. Pergunte-se o que e como fará para mudar a situação dificultosa em que se encontra. Mantenha a sua serenidade e sua paz interior que Deus enviará os bons espíritos para lhe auxiliar nos momentos de infelicidade.
Nosso último item é AGIR, talvez seja o mais difícil uma vez que teremos que enfrentar a nós mesmos. Primeiramente precisaremos agir contra o orgulho, contra a vaidade, contra a preguiça física e mental. Defeitos estes muito arraigados em nós, devido ao longo tempo em que permanecemos nas fases primeiras de nossa jornada evolutiva. Fomos criados simples e ignorantes, porém ao conquistarmos o direito de agir, o livre arbítrio, agimos de forma egoísta sem nos preocuparmos com o outro e fomos acumulando uma infinidade de defeitos em nós, que por hora surgem em nosso comportamento diário, impedindo-nos de reconhecer a condição de seres espirituais que somos; por isso somos responsáveis.
O AGIR vai muito mais além do que nossa ínfima capacidade intelectual e espiritual pode nos conduzir, devido ao estágio evolutivo em que nos encontramos. Ao tomarmos consciência de nossa situação devemos agir com energia para conosco e responsabilidade diante do próximo.
Começar pelo perdão talvez seja um bom início. Perdoar primeiramente a si mesmo, para livrar-se do sentimento de culpa que emperra o progresso de muitas pessoas ao conscientizarem dos erros cometidos. O sentimento de culpa leva a depressão e esta impede o AGIR. Ao perdoar-se por alguma falta cometida contra o próximo e reconhecer a sua parcela de responsabilidade, seu AGIR consiste em pedir perdão, este é o agir contra o orgulho, humilhe o seu orgulho, sacrifique este orgulho em benefício da sua alma, do Ser em evolução que é você, e perceberá uma sensível mudança em sua vida. Em seguida perdoe aqueles que lhe fizeram mal, “Bem aventurados os misericordiosos”, “Perdoai os vossos inimigos”, ensinou o Cristo Jesus. Muitos são os casos de pessoas e espíritos na erraticidade que tiveram um grande avanço ao perdoarem seus algozes. Encontramos em várias obras psicografadas relatos de casos que após o ato de perdoar os inimigos do passado, retornam como pais e filhos. No entanto perderam muito tempo por não perdoarem antes. Pesquisadores descobriam que quanto mais perdoamos, mais temos vontade de perdoar. Perdoar é livrar-se dos grilhões que nos prendem ao passado e caminhar rumo ao futuro de bênçãos que nos aguarda. Por isso você é o responsável.
Nossas ações devem estar pautadas na consciência, agir conscientemente e não mecanicamente como um robô. Quando começar a agir perceba o que está fazendo, nos mínimos detalhes. Para que cheguemos a um nível de consciência interior é necessário percebermos o exterior, começando pelo ambiente a nossa volta, observe tudo ao seu redor, agora perceba o corpo físico, observe como são seus movimentos, se existe alguma tensão em seu corpo, como está posicionado, etc... Então comece a notar o que acontece em seu interior; o que sente, quais são seus pensamentos, a qualidade de seus pensamentos, qual é a sua reação interior, emoções, cada detalhe é importante. Ao perceber um pensamento incômodo, se você estiver se sentindo triste, magoado, ou até mesmo sentir a necessidade de comprar algo ou comer algo, pergunte-se: De onde vem este pensamento? Qual a sua origem? Isto é verdadeiro? Em seguida fique em silêncio e preste atenção nas respostas, mas não se prenda a resposta, não julgue, nem se condene, apenas observe, observe, observe.
Com prática constante dia-a-dia, minuto-a-minuto, você se tornará um observador de si mesmo, e descobrirá coisas incríveis sobre você que até o momento não sabia. Não importa a sua idade, o importante é se descobrir a cada instante e perceber o quanto tem para mudar, mas esta mudança só depende de você, ninguém chegará com uma varinha de condão e o fará consciente, lembre-se que você é o responsável. Quanto mais você se observar, mais desenvolverá sua consciência e passará a agir com mais clareza e responsabilidade, deixará de ser um robô para tornar-se consciente. Depois de muita prática, e isto poderá levar toda uma vida, chegará o momento em que você perceberá que precisa agir em favor do próximo, pois ampliará sua percepção em um nível que será quase impossível ficar parado sem fazer algo útil. Sentirá a necessidade de fazer algo em benefício dos seres que permanecem em estado de dormência. Este é o nosso próximo tópico do AGIR, a caridade.
Muitos seres iluminados que passaram pela Terra já disseram que “é dando que se recebe” que ao ajudarmos ao próximo estamos ajudando a nós mesmos, pois somos todos filhos do mesmo Pai e estamos interligados pela mesma força criadora. Hoje em dia, com a globalização e o avanço tecnológico podemos observar que ao acontecer uma tragédia em determinada região do globo terrestre, ficamos sabendo em poucos minutos e nos comovemos com esta ocorrência que desperta em nós a vontade de fazer algo para ajudar. Isto é a prova desta interligação com o outro. A prática da caridade deve ser desinteressada, como ensinam os espíritos “fazer o bem, sem olhar a quem” e foi o que Jesus nos ensinou pelo exemplo, ajudava a todos indiscriminadamente.
André Luiz ensina que quando passamos por momentos de forte emoção geramos luz interior e esta energia nos proporciona uma mudança em nossa estrutura espiritual. Se fizermos uma análise da nossa vida iremos perceber que muitas vezes tivemos uma vontade muito grande de ajudar alguém e ao realizarmos este ato caridoso, sentimos uma satisfação, um preenchimento interior tão grande que nenhum bem material, nada poderia substituir aquele sentimento, parece que nos sentimos uno com o criador. Ainda assim, devido às nossas imperfeições, nos privamos destes momentos na maior parte do nosso tempo, desperdiçando nossa existência com prazeres fúteis.
A caridade é um ato de amor e devemos praticá-la a cada instante, começando por aqueles que estão próximos a nós, nossa família. Muitas vezes os pais, o cônjuge ou filhos não compreendem certos posicionamentos a que nos colocamos e temos o dever de compreendê-los, “a quem mais foi dado, mais será cobrado”, nós somos os responsáveis. Sabemos que uma família não se une por acaso, os espíritos nos ensinam que muitas vezes reúnem-se no mesmo lar os inimigos do passado, por isso a caridade deve começar em casa.
Não necessitamos de dinheiro para praticarmos a caridade, ela pode ser praticada em vários momentos do nosso dia, ao cumprimentarmos um colega de trabalho, sendo educado com todos dando a atenção que a pessoa merece, fazendo uma oração em benefício dos enfermos, prestando um serviço voluntário, no trânsito, respeitando o pedestre, visitando hospitais, creches, asilos, contribuindo com campanhas de agasalho, alimentos e outras, enfim, oportunidades de sermos úteis não nos falta, o que nos falta é a coragem de sairmos da nossa zona de conforto para irmos ao encontro do próximo. E se hoje nossa sociedade está em decadência, lembre-se você é o responsável quando deixa de fazer a sua parte. Pratique a caridade desinteressada, o amor incondicional e com certeza colherá bons frutos nesta e noutras vidas.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

- Kardec, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo
- Kardec, Allan. O livro dos espíritos
- Xavier, Francisco Candido. Mecanismos da mediunidade – Pelo Espírito André Luiz
- Franco, Divaldo Pereira .Vida desafios e soluções - Pelo Espírito Joanna de Ângelis
- Franco, Divaldo Pereira .O ser consciente - Pelo Espírito Joanna de Ângelis

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Perdão e Ciência


Estudos demonstram que perdoar faz bem para a saúde

 

Joilson José Gonçalves Mendes

 

"Perdão e reconciliação não são atividades etéreas, espirituais ou de outro mundo. Elas têm a ver com o mundo real, são realpolitik porque, num sentido muito real, sem perdão não há futuro". (Desmond Tutu - Arcebispo sul-africano)

 

Encontramos no dicionário Michaelis a palavra perdão que significa: “conceder perdão, absorver, remitir (culpa, dívida, pena, etc), desculpar e poupar-se”. (grifo nosso)

Em Mateus, 6:14-15 verifica-se a seguinte passagem evangélica: “Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados”.
No ano de 1998, foi criada uma campanha para levantar fundo para pesquisas relacionadas ao Perdão. Esta campanha conseguiu levantar mais 2,4 milhões de dólares. Têm-se notícias de que a Fundação John Templeton e outras duas fundações conseguiram arrecadar 3 milhões de dólares.
Um estudo realizado pelo centro médico da universidade de Duke, com 58 pacientes, demonstrou que pessoas com dores crônicas nas costas sentiam menos dores quando perdoavam as pessoas que as magoaram, também vivenciaram menos problemas psicológicos, como ódio e depressão, do que aqueles que não conseguiam perdoar.
Na universidade estadual de Idaho, um estudo com 98 pessoas de camadas sociais e econômicas médias e baixas, ligou o perdão a uma baixa na pressão sanguínea e no nível de cortisol.
Segundo os pesquisadores o perdão ajudaria a melhorar a qualidade de vida de pacientes que tiveram lesões na coluna. Conforme demonstrou um estudo da Universidade de Michigan, realizado com 140 pacientes acima de 16 anos, dos quais 52% eram paraplégico e 48% tetraplégicos, aqueles que conseguiram se perdoar ou perdoar os outros dizem ser mais satisfeitos com suas vidas, apresentam mais saúde e têm mais hábitos saudáveis.
Um grupo de 259 pessoas, com idades médias de 41 anos, que tinham conflitos e mágoas não resolvidos, receberam treinamentos, em sessões de 90 minutos, durante seis semanas, para aprender a perdoar. Os métodos utilizados foram palestras, apresentações de imagens, discussões cognitivas e conversas.
O resultado desta pesquisa demonstrou que os pacientes tiveram uma diminuição de 70% nos sentimentos de dor, 13% no grau de ódio que sentiam, 27% nos sintomas físicos - como dores nas costas, tontura, dor de cabeça e de estômago, entre outros, 15% menos estresse emocional e um aumento de 34% na vontade de perdoar as pessoas que as tinham magoado. (grifo nosso)
Charlotte Van Oyen Witvliet, professora de psicologia do Hope College, em Michigan, EUA, pesquisou 71 pessoas voluntárias. Nesta pesquisa, foi solicitado que eles lembrassem de alguma mágoa antiga, algo que os tivesse feito sofrer. Ao trazerem estas lembranças à memória, os aparelhos registraram um aumento da pressão sanguínea, dos batimentos cardíacos e da tensão muscular, reações idênticas às que ocorrem quando as pessoas sentem raiva. Em outro momento, foi pedido que eles imaginassem entendendo e perdoando as pessoas que lhes haviam feito mal, no mesmo instante se mostraram mais calmos, e com pressão e batimentos menores. (grifo nosso)
Após ter sido muito magoado por um grande amigo, o Dr. Fred Luskin, autor de “O Poder do Perdão”, conseguiu encontrar uma maneira de perdoar seu amigo, e quis investigar se a sua técnica funcionaria com outras pessoas.
Seus estudos indicaram que os participantes apresentavam redução do nível de estresse, viam-se mais calmos e confiantes de que, no futuro, perdoariam mais facilmente. Mostrou que o perdão pode promover uma melhora na saúde física, visto que, apresentaram uma diminuição significante em sintomas como dores no peito, na coluna, náuseas, dores de cabeça, insônia e perda de apetite. 
Retomando o conceito da palavra perdão em que encontramos o “poupar-se”, cabe a cada um de nós realizar a sua reforma íntima, para que nos poupemos dos males que se originam da falta do perdão, que a compreensão reine entre os seres e que todo o dinheiro gasto em pesquisas dessa natureza seja mais bem empregado no auxílio ao próximo. Mesmo após dois mil anos o homem precisa de pesquisas científicas para comprovar o que Jesus, o Cristo, e muitos outros já haviam dito, demonstrando que o ser humano ainda tem muito que progredir no aspecto moral/espiritual. Transcrevemos abaixo, um texto de Emmanuel para nossa reflexão:
“Não nos iludamos em matérias de indulgência. Perdão não é recurso tão somente aplicável nas grandes dores morais, à feição do traje a rigor, unicamente usado em horas de cerimônia. Todos somos suscetíveis de erro e, por isso mesmo, perdão é serviço de todo o instante, mas assim como o compositor não obtém a sinfonia sem passar pelo solfejo, o perdão não existe, de nossa parte, ante os agravos grandes, se não aprendemos a relevar as indelicadezas pequenas”. Emmanuel

REFERÊNCIAS
Estude e Viva, de Emmanuel e André Luiz. - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
Artigos:
Gustavo Henrique Ruffo - http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u10271.shtml - Acessado em 28/-3/06
Camilla Salmazi - http://www.ippb.org.br - Acessado em 28/03/06
http://www.universoespirita.org.br - Acessado em 30/03/06

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O poder da oração


COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA DOS EFEITOS DA PRECE

Joilson José Gonçalves Mendes

“Orandum est ut sit mens sana in corpore sano”
“Ore para que tenha uma mente sã em um corpo são”

Herbert Benson, MD., da Escola Médica da Harvard descobriu a oração como um mecanismo de cura do corpo. Em 1970, Benson e pesquisadores de Harvard chamaram de “resposta de relaxamento” a técnica em que o descanso, o respirar profundo e a repetição de uma palavra, mudavam, em algumas pessoas, as reações físicas e emocionais ao estresse, reações estas que podem levar a pressão alta, problemas no coração e insônia. Descobriram também, que a oração poderia evocar a “resposta de relaxamento”.
Harold G. Koenig, M.D., pioneiro no estudo científico sobre a cura pela fé, resolveu sistematizar pesquisas depois de questionar pacientes sobre o que as ajudava a suportar a doença e ouvir respostas do tipo: “Doutor, é a minha oração”.
Como co-diretor do Centro para Espiritualidade, Teologia e Saúde na Universidade de Duke, Koenig publicou vários artigos em revistas sobre o papel da espiritualidade na cura e editou dados de suas pesquisas demonstrando que pessoas religiosas têm vidas mais saudáveis e longas.
Koenig afirma que "Ao rezar a Deus, os pacientes religiosos controlam indiretamente suas doenças."
Um dos estudos relacionou os níveis de “interleucina-6”, um intermediário entre partes do sistema imunológico, associado a infecções crônicas, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares, demonstrando que nas pessoas que iam freqüentemente ao templo religioso era 42% mais baixo. O sistema imune das pessoas religiosas é mais estável, sugerindo que tais indivíduos enfrentavam melhor o estresse.
Dos 114 estudos realizados, 91 concluíram que os religiosos são mais felizes e têm bem-estar mais elevado que os não crentes. A oração faz com que a pessoa afaste a dor de sua mente e passe a focalizar o pensamento em outras coisas.
Pesquisas demonstraram a diminuição de casos de depressão e suicídio em indivíduos que têm alguma prática religiosa. Outras, ainda não publicadas, demonstram que idosos com forte crença religiosa apresentam o mesmo nível de atividade cardiovascular que os jovens.
Os religiosos vivem mais. Koenig estudou 4.000 idosos, que foram acompanhados durante mais de 6 anos e descobriu que o risco de morte entre os mais religiosos era 46% menor. Strawbridge acompanhou 5.286 pessoas durante 28 anos. Seus estudos mostraram que os religiosos viviam mais tempo e morriam menos — 36% menos.
Em Israel, pesquisadores estudaram 3.900 pessoas durante 16 anos e concluíram que a taxa de mortalidade relacionada com doenças cardiovasculares e câncer era 40% mais baixa nos indivíduos religiosos do que nos não religiosos.
A gratidão também recebeu a atenção dos pesquisadores. Em um estudo, os psicólogos Robert A. Emmons, Ph.D., e Michael E. McCullough, Ph.D., descobriram que voluntários que mantiveram exercícios semanais de “diários de gratidão” relataram menos dores e aflições.
O Dr. Jeff Levin, um dos principais pesquisadores do mundo sobre a relação entre as práticas religiosas ou espirituais e a obtenção de saúde, afirma que os resultados obtidos nessa área não deixam dúvidas - fé e oração realmente ajudam as pessoas a se curar. Os efeitos positivos das orações na saúde podem ser identificados e medidos e a idéia de que aspectos da vida religiosa podem ser benéficos para a saúde ou o bem-estar de algumas pessoas é aceita de forma geral e não controversa.
Outro dado importante encontrado é que os mais religiosos pensam menos em suicídio. Os religiosos são mais felizes e a participação ativa em uma comunidade religiosa aumenta a disposição das pessoas em ajudar outras.
A saúde mental também melhora com a religiosidade. Em um estudo de idosos com depressão, os intrinsecamente mais religiosos se recuperaram 70% mais rápido.
O neurocientista Rüdiger Seitz realizou um estudo com tomografias, na Alemanha em 2001, e verificou que os cérebros de um grupo de pessoas foram especialmente ativados pela leitura do salmo 23 - "O senhor é meu pastor, nada me faltará (...) Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, nada temerei, pois Deus está comigo”.
Podemos dizer que a oração é o elixir da longa vida. Não foi sem causa que o Cristo Jesus nos recomendou “vigiai e orai”. Ele sabia dos efeitos da oração em nosso organismo bem como dos resultados espirituais que obtemos ao fazermos uma prece fervorosa. 

FONTES:

sexta-feira, 25 de março de 2011

POR QUE ESQUECER?



Considerações sobre o esquecimento do passado

 Joilson José Gonçalves Mendes

Todos nós já estivemos encarnados no mundo da mesma forma que hoje, apenas com um corpo material diferente, filho de pais diferentes, em época e local diferentes. Tivemos as mesmas necessidades materiais, outras vezes vivemos na opulência, diversos anseios, desejos etc. Convivemos com diversas pessoas, tomamos muitas decisões, cometemos erros e acertos. Tudo isso aconteceu diversas vezes, e somamos experiências e lições que foram incorporadas e estão arquivadas em nosso registro espiritual. Sabendo que tivemos tantas experiências, por que não lembramos de quem fomos, o que fizemos e o que aprendemos?
Kardec, na questão 392 de O Livro dos Espíritos, perguntou qual o motivo de perdermos a lembrança do passado e obteve a seguinte resposta: "O homem nem pode, nem deve saber tudo. Deus assim o quer, na sua sabedoria. Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria ofuscado, como aquele que passa do escuro para a luz. Pelo esquecimento do passado, ele é mais ele mesmo”.
Esquecer para não sofrer. Imaginem se lembrássemos de tudo o que fizemos, dos erros que cometemos, será que teríamos estrutura para suportar tal lembrança? Muitas coisas “erradas” que fizemos nesta curta existência nem queremos lembrar, fazemos questão de esquecer, quanto mais recordar atos cometidos em nossa fase mais primitiva da existência.
Esquecer para aprender. A cada encarnação devemos aprender mais e mais seja no campo material ou espiritual, quanto mais aprendemos mais teremos condições de ajudarmos aqueles que estão em condições inferiores e assim colaborarmos com o criador para a evolução do mundo, contribuindo com o que temos.
Esquecer para não sentirmos humilhados. Como você se sentiria se reconhecesse em um colega de trabalho aquele que em uma vida passada exerceu uma condição de superioridade sobre você e o fez passar por experiências desagradáveis?
Esquecer para não se envaidecer. Qual seria a nossa atitude se soubéssemos que fomos pessoas de importância para a sociedade da época? Agiríamos com humildade ou seríamos mais vaidosos?
Esquecer para não se orgulhar. Os espíritos nos ensinam que o orgulho é uma das piores chagas da humanidade e que deve ser extirpado de nós. Muitas vezes vemos mendigos andando pelas ruas como se fossem verdadeiros reis cheios de imponência. Como nos sentiríamos se soubéssemos que fomos pessoas de posses, de conhecimento privilegiado no passado?
Esquecer para não se revoltar. Sabemos que na maioria das vezes, nossos pais, filhos, irmãos e parentes mais próximos são pessoas com quem nos comprometemos em vidas anteriores. Qual seria nossa reação se reconhecêssemos em nossos familiares o inimigo do passado?
Em fim, esquecer para aprender a usar o livre arbítrio.
Em o Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos a seguinte citação: "Se Deus considerou conveniente lançar um véu sobre o passado, é que isto deve ser útil”.
Mas será que não nos lembraremos mais do nosso passado?
Sabemos que a vida principal é a do espírito, que cada encarnação é mais um processo de aprendizado e que sempre voltaremos para a pátria espiritual. A cada retorno para o plano espiritual, lembramos das existências anteriores, mas a lembrança completa de todas as existências só ocorrerá quando atingirmos um grau de evolução que nos permitirá a recordação de maneira equilibrada.
Então toda a nossa experiência, tudo o que passamos é perdido a cada nova encarnação?
Ao voltarmos à questão 392 acima, percebemos que os espíritos nos dizem que não devemos saber de tudo e que um véu encobre certas coisas. Isto implica que sempre traremos lembranças de alguma experiência do passado. Quantos casos já vimos sobre crianças que possuem um conhecimento impróprio para a sua idade? Ou que, sem que tivessem qualquer tipo de aprendizado são capazes de apresentar cálculos matemáticos aprendidos somente na universidade? Ainda, crianças que desenvolvem uma habilidade artística como a de um pianista experiente, sem nunca ter tocado um piano?
Estas experiências têm explicação no aprendizado ocorrido em uma vida anterior e que o espírito trouxe para a vida atual para lhe ser útil de alguma maneira. O nosso passado está esquecido, mas não perdido. Está gravado em nosso subconsciente e muitas vezes a intuição que temos sobre certas coisas é nada mais, nada menos que a lembrança adormecida do aprendizado anterior.
Compreendamos que ainda somos crianças no processo evolutivo da vida e que muito temos a aprender. O que importa é aproveitarmos o momento presente. Se queres conhecer o teu passado faças como nos ensina o Espírito da Verdade: “olha o teu presente, tudo o que passas hoje é resultado do que fizestes ontem”. E podemos acrescentar que o que fizeres hoje colherá no futuro.
O passado nos revela o que somos hoje e que devemos trabalhar incessantemente sobre nossas imperfeições, aprendendo a amar a aceitar-nos como somos, para que, em breve, tenhamos condições de estender este amor ao próximo. Para isto devemos empregar o recurso do auto-conhecimento, somente conhecendo-nos profundamente poderemos compreender, com equilíbrio, o nosso passado e então tornarmos pessoas livres para o futuro que nos aguarda.

Bibliografia:

  • Livro dos Espíritos
  • Evangelho Segundo o Espiritismo
  • Vida desafios e soluções - Joana de Angelis - Psicografado por Divaldo Franco
  • Dias gloriosos - Joana de Angelis - Psicografado por Divaldo Franco

sábado, 19 de março de 2011

Pobres de espírito




Por - Gilberto L. Tomasi


No ponto de vista psicológico, pobre é sempre aquele que se considera um devedor.
No Sermão da Montanha, o Mestre Jesus afirmou: Bem-aventurados os pobres de Espírito, porque deles é o reino dos céus.
Ainda hoje muito se fala sobre tal ensinamento,pois, gera grande interesse  naqueles que conhecem  os ensinamentos de Jesus.  No entanto, tal ensinamento, como tantos outros preferidos pelo Mestre, ainda é  incompreendido pelos homens. O que, afinal, Jesus pretendia dizer?  Jesus nos fala que Deus quer Espíritos ricos de amor e pobres de orgulho.
Os Espíritos ricos são aqueles que acumulam os tesouros que não se confundem com as riquezas da Terra.  Seus bens não são jamais corroídos pelo tempo, tampouco podem ser levados pelos ladrões.
Os pobres de Espírito são os que não têm orgulho. São os humildes, que não se envaidecem pelo que sabem, e que nunca exibem o que têm.  A modéstia é o seu distintivo, porque os verdadeiros sábios são aqueles que têm idéia dr que nada sabem. Por isso, a humildade é considerada requisito indispensável para alcançar-se o reino dos céus.
Sem a humildade nenhuma virtude se mantém.  A humildade é o propulsor de todas as grandes ações, em todas as esferas de atuação do homem. Os humildes são simples no falar, são sinceros e francos no agir, não fazem ostentação de saber, nem se julgam santos.
A humildade, tolerante em sua singeleza, compadece-se daqueles que  pretendem afrontá-la com o seu orgulho. Cala-se diante de palavras loucas, suporta a injustiça. Vibra com a verdade.  A humildade respeita o homem não pelos seus haveres, mas por suas reais virtudes.   A pobreza de paixões e de vícios é a que deve amparar o espírito  que busca sinceramente a perfeição.
Foi esta a pobreza que Jesus proclamou: a pobreza de sentimentos baixos,representada pelo desapego às glórias efêmeras, ao egoísmo e ao orgulho.  Há muitos pobres de bens terrenos que se julgam dignos do reino dos céus, mas que, no entanto, têm a alma endurecida e orgulhosa.  Repudiam a Jesus e se fecham nos redutos de uma fé que obscurece seus entendimentos e os afasta da verdade.
Não é a ignorância nem tampouco a miséria que garantem aos seres a felicidade prometida por Jesus.  O que nos encaminha para tal destino são os atos nobres, embasados na caridade e no amor incondicional.  Precisamos, também, adquirir conhecimentos que nos permitam alargar o plano da vida, em busca de horizontes mais vastos.
Pobres de Espírito são os simples e nobres, não os orgulhosos e trapaceiros. Pobres de Espírito são os bons, que sabem amar a Deus e ao próximo, tanto quanto amam a si próprios.  São aqueles que observam e vivem as Leis de Deus. Estudam com humildade, reconhecem o quanto ainda não sabem. Imploram a Deus o amparo indispensável às suas almas. Era a respeito desses homens que o Mestre Jesus, em suas bem-aventurança , estava se referindo.  Muitos são os que confundem humildade com servilismo.
Ser humilde não significa aceitar desmandos e compactuar com equívocos.
Ser humilde é reconhecer as próprias limitações, buscando vencê-las, sem alarde, nem fantasias. É buscar, incansavelmente, a verdade e o progresso pessoal, nas trilhas dos exemplos nobes e dignos. Os pobres de espírito acreditam que tudo é doação. As coisas, as amizades, o emprego, o ser atendido em último lugar, receber uma esmola, uma ajuda. Em tudo vê a graça de Deus. Sente-se sempre devedor da vida.
Logo, é errado dizer: “Coitado é um pobre de espírito”
Porque  ser pobre de espírito não é ser ignorante e pobre de caráter, pelo contrário. Kardec no Evangelho sobre o Espíritismo nos diz: Pobre de espirito é aquele que é verdadeiramente humilde.
Conteúdo de palestra apresentada no Centro Espírita Caminho do Evangelho – São José Pinhais-PR - em 15/03/2011.